The Fridge is Red | Viaje pelo horror nos anos 90 em histórias macabras!

Eu tinha jogado a versão original gratuita desse jogo e ela se mostrou rapidamente um daqueles jogos indie com proposta fantástica, mas ainda assim usando simplicidade. No caso um conceito que apareceu na SCP Foundation, e que se destacou bastante no jogo Control, da Remedy. Focando em um objeto amaldiçoado que só se mexe quando você não olha e que pode te matar.

A história é sobre uma geladeira que parece um objeto normal aos olhos de qualquer pessoa, no entanto ela está possuída por um espírito e toda vez que não está sendo observada, começa a se aproximar cada vez mais. No entanto, existe toda uma história por trás disso e uma explicação para o objeto ter sido escolhido como receptáculo da entidade.
Esse jogo tem uma proposta naturalmente zoada, afinal de contas, ideias como a boneca amaldiçoada Annabelle, são padrões, já que lembram a figura humana e podem naturalmente causar um incômodo em várias pessoas. Mas existem outras coisas que conseguem trazer a sensação de seriedade, como o caso da caixa com o demônio amaldiçoado. Porém a ideia de algo como uma geladeira se torna naturalmente engraçada.

E claro que quando joguei a versão original "DO NOT TAKE YOUR EYES AWAY FROM THE RED FRIDGE", sabia bem o quanto a ideia em si era zoada, mas travava-se de algo tão diferente, que tinha um charme próprio muito difícil de se ignorar. Especialmente porque existe uma superlotação de jogos de terror genérico, então ter algo tão diferente assim, por m ais zoado que fosse, ganhou o respeito por decidir não apenas copiar outros jogos.
Sendo assim, quando a tinyBuild decidiu injetar dinheiro na desenvolvedora 5WORD Team para fazer uma versão aprofundada do jogo, eu me surpreendi ao ver que foram além da parte da geladeira. E o trailer inclusive me deixou confuso, mostrando muitas coisas que eu não tinha a mínima ideia. Mas quando fui jogar, o que realmente me chamou a atenção, foi o fato de que fizeram um jogo que conseguiu ser sério, e não algo como o Pneu Assassino, focado em zoar.

Ao invés disso, seguiram um padrão realmente sério, fazendo uma história elegante. Anteriormente eu já tinha visto uma tentativa disso com O Sofá Assassino, mas lá, mesmo com a história tendo elementos decentes que dão uma seriedade e até uma reviravolta, ainda conta com elementos toscos, como a carinha de malvado do sofá. Já aqui, a coisa é realmente toda séria.
Graficamente, o jogo usa o estilo de terror analógico, com o visual semelhante ao de jogos da era do Playstation 1, assim como é ambientado nos anos 90, dando aquele climinha naturalmente aconchegante para quem gosta de jogos de horror à moda antiga. Mas para quem não gosta de jogos pixelizados por causa da baixa resolução, certamente não vai gostar tanto.

Em relação à jogabilidade, a coisa me surpreendeu muito com a enorme variação apresentada. Especialmente porque na versão original do jogo te coloca em uma situação em que você nem ao menos anda, já que está preso à cadeira, movendo apenas a cabeça. Mas aqui eles realmente expandiram de forma maravilhosa, apresentando seis capítulos que juntos formam uma grande história e você pode jogar na ordem que quiser, se já tiver destravado.
 
Em Fidgeted Sheri temos a proposta original do jogo. Por algum motivo você está preso em uma cadeira no porão de sua casa, cercado por folhas de papéis com informações, no entanto cada vez que você olha pra uma delas e pega pra ler, a geladeira à sua frente começa a andar em sua direção. É preciso arrumar uma forma de sair dessa antes que a geladeira chegue até você.
 
É uma demonstração magnífica de como simplicidade, diversão e atmosfera podem ficar presentes sem um investimento monstro. Se a pessoa é criativa, ela pode fazer algo incrível. Apesar de ser muito comparado à geladeira de Control, essa ideia de uma geladeira possessa pelo capiroto já apareceu antes, tendo uma maior popularidade do filme trash, de 1991, A Geladeira Diabólica, mas já tendo sido vista bem antes, em 1984, na antologia de terror, "Shake, Rattle & Roll".
Fiquei maravilhado em como é gerada uma tensão com a coisa se aproximando de você sem parar. Também não é uma ideia original, já que tem uma das criaturas da SCP Foundation que também exige que você mantenha os olhos nela pra não te matar, o SCP-173. Que por sua vez é uma cópia descarada do episódio dos Weeping Angel (Anjos Lamentadores) de Doctor Who, que foram exibidos no episódio de 2007 Blink (Não pisque) e eram estátuas de anjos que matavam quem piscava.

Ainda assim, é como diz aquele velho ditado que se originou em Hollywood, mas que se expandiu para o mundo do entretenimento em geral, né? "Nada se cria, tudo se copia", e no caso, provavelmente a cópia vem diretamente de Control, onde tem exatamente uma geladeira vermelha. Vejo como o jogo Save Room, que pegou o inventário de Resident Evil 4 e transformou em um jogo próprio. Ou seja, se a criadora original não quis expandir a ideia, por que outros não poderiam aproveitar?
For Daddy To Work é um capítulo que te coloca no tarde fim de expediente no imenso prédio de uma empresa. Já passam das onze da noite, quando você finalmente vê que é hora de ir pra casa, mas logo as coisas começam a ficar estranhas... Uma figura estranha te observa do prédio da frente, o computador liga sozinho mesmo depois que você desligou, mas o pior começa quando você sai do escritório...
 
Amei demais a atmosfera apresentada aqui! Passa muito aquela sensação de que você está à noite nos anos 90 e algo sinistro começa a acontecer. A começar com a figura do prédio da frente, que você pode passar sem nem perceber ela, já que precisa dar Zoom pra o ver te observando. E depois disso a estranheza, o horror no elevador e a forma estranha do povo da limpeza agir. Simplesmente muito gostoso, um verdadeiro mini conto de terror, me lembrou Nightshift de certa forma.
Seaside é um capítulo que se passa em um hospital. Você chega para visitar a sua esposa, que está internada no lugar. Porém existe algo parece te prender para que você nunca chegue a ela, com a moça da recepção sendo extremamente mal humorada e o hospital parecendo um verdadeiro labirinto que sempre te leva ao mesmo lugar.
 
Aqui temos uma parte em que você vai se sentir como se tivesse entrado em um erro interdimensional, te colocando preso em um lugar onde você precisa compreender pra seguir em frente. Usa muito da fórmula de Layers of Fear, te colocando para abrir uma porta e entrar no mesmo lugar, em uma versão alternativa bizarra.
Então é aquela coisa, você está em um ambiente normal, abre a porta e entra nele de novo, com tudo levitando, abre a porta e entra novamente nele, mas dessa vez grotesco e cheio de sangue. O mesmo é usado em outras formas como você precisar chegar a um lugar e se não seguir o que precisa ser feito da forma certa, seja coletar certas coisas, seja seguir placas, ficará em um loop eterno.
 
Enquanto Charleen Mufi já tem um foco mais tenebroso, te colocando em um funeral cheio de pessoas estranhas, em que você precisa fazer orações, já que logo uma entidade se manifesta no caixão, que passa a te perseguir e você precisa rapidamente correr para encontrar as palavras certas para tentar dar um jeito nele, ao mesmo tempo que tenta desviar dos ataques.
 
Provavelmente o capítulo mais assustador que tem, já que aqui vemos aquela medonha mecânica que se popularizou com jogos como Amnesia e Outlast, com você tendo que fugir e se esconder de um padre possuído no subsolo de uma capela, tendo que encontrar chaves para abrir portas. Passar um nervoso é garantido!

Goldi Vern é algo que expande muito o universo do jogo, pois é o capítulo que tem o mapa mais extenso, te colocando para controlar não apenas o personagem andando, mas ele em uma viagem de carro pela noite, tendo que fazer pausas e coletar informações para seguir em frente, ao mesmo tempo que enfrenta seus perigos.
O capítulo que mais gostei! Me lembra tanta coisa, eu simplesmente adoro essas histórias de beira de estrada, e o que temos aqui é uma coisinha que incorpora com força o horror analógico, indo tanto desde o climinha de ambientes fixos que vimos em obras como Hotel Dusk: Room 215, Identidade e Temos Vagas, até aquela sensação de viajar por uma região com algo sinistro, como em Olhos Famintos, Road 96 e Southbound.
 
Você basicamente está de carro, à noite, quando percebe que precisa de informações e para em um posto de gasolina. À partir daí você vai conhecendo a região e enfrentando problemas que vão desde uma longa estrada que te leva de volta ao mesmo posto, até problemas com o carro e mesmo a aparição de coisas que você realmente não imaginava que veria.
É muito gostosa a sensação de viajar pela década de 90, isolado no meio do nada e então de repente se deparar com coisas inusitadas. Cada vez que você tem que descer do carro, dá aquele friozinho na barriga ou grande alívio. Seja pra entrar no meio de uma plantação de milho, seja para dar carona a alguém extremamente machucado.

Aqui é colocado muito da essência daquelas lendas sobre alguém que achou uma assombração na estrada, ou viu algo que não deveria existir. Algumas partes são intrigantes, como rever um lugar que você já passou, outra frustrantes, como ver que um caminho já era porque um trem interminável está passando, até as medonhas, como ser perseguido e tentar chegar a um carro de polícia para pedir ajuda.
Por fim, Chili Handled é o capítulo de conclusão que liga todos e a ambientação é na casa do personagem, em um dia rigoroso de inverno com sua filha. Lá fora a neve cai com força, e enquanto a menina desenha, você tenta se entreter, assistindo TV e bebendo cerveja, mas também precisa lidar com o que vier de novo.

Esse é um capítulo mais suave, parece uma versão leve de Veinless Property, te colocando em casa em um momento mais aconchegante, apesar do lugar ser só a bagaceira. E a princípio você faz atividades corriqueiras, até a coisa começar a ficar mais sinistra, porém não chega ao ponto de você ter que encarar um horror muito intenso. É o capítulo que liga todos os outros e consegue ter seu charme de forma discreta.
 
Enfim,The Fridge is Red é uma delicinha de jogo! Ele é curtinho e a divisão entre capítulos tão diferentes, dá a impressão de serem pequenos jogos de terror perfeitos para você jogar um por noite. Vale muito a pena! Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na GMG antes de comprar na loja direta, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e comprando keys lá, você ganha XP e vantagens que pode inclusive render outros jogos de forma gratuita, coisas que a Steam não tem, dê uma conferida aqui.

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