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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

RUINER - Jogo cyberpunk com ritmo frenético

Assumo que quando vi o primeiro de Ruiner, não achei nada demais, parecia apenas mais um jogo isométrico de tiroteio. É bacana e tal, mas já tinha visto inúmeros jogos do gênero, como o clássico Alien Shooter, ou mesmo o cooperativo gratuito Alien Swarm. Sendo assim eu sabia que me divertiria, mas não me parecia ter algum grande diferencial. No entanto fui testar e o que mais me interessou foi realmente o universo cyberpunk criado, se você é fã certamente vai se apaixonar.


Acho engraçado que esse é um daqueles jogos que chamou a atenção de muita gente, mas eu simplesmente não consegui visualizar o que exatamente o povo viu de tão atraente. Sim, eu amo cyberpunk, mas convenhamos né? Todo dia sai algo novo em um universo assim, e a jogabilidade parecia a mesma.

Na real vi até de forma negativa porque me pareceu exageradamente escuro, então não dava pra ver muita coisa nos trailers, parecia um vulto correndo e metendo bala em todo mundo. Será que foi exatamente isso que deixou o povo frenético em cima desse jogo? Realmente não sei dizer, mas acabei decidindo testar.

A história desse jogo é em um universo cyberpunk padrão, um mundo noturno, muito neon espalhado, pessoas vestidas de preto e com óculos de sol, essas coisas. Você assume o papel de um personagem que teve o cérebro hackeado e foi enviado para assassinar alguém, mas antes de cumprir a missão, uma hacker recupera sua memória e passam a trabalhar juntos para descobrir quem te sacaneou e o que queriam.

Quando o jogo começou, me pareceu ser exatamente o que eu esperava, um ambiente exageradamente escuro que dificulta ver o visual da coisa e um tiroteio bem frenético. Algo bem divertido por sinal, mas que é preciso estar no clima certo para se jogar, sendo assim não me pareceu grande coisa não.

No entanto o jogo acabou me conquistando por algo que eu não imaginei que iria conseguir, que é o universo cyberpunk apresentado. Ele é sim um universo genérico que poderia se encaixar facilmente em outras obras, no entanto o diferencial é que a cosia não é mostrada como secundária, portanto não é só um cara atravessando cenários cyberpunks, mas sim alguém que vive nesse mundo.

Isso acontece porque ao invés do jogo ter sido colocado só como fase atrás de fase, como normalmente shooters do tipo fazem, ele também adicionou uma cidadezinha em que você vaga, fala com as pessoas, pegam missões alternativas e coleta recompensas. E esse pequeno elemento fez toda a diferença.

Com esse lugar você vê um ambiente extremamente robusto, telões com modelos desfilando, neon, lixo pra todo lado, vândalos, drones, bares, pichações, garotas de programa e muito mais. É um lugar pequeno, mas extremamente robusto, super concentrado de elementos cyberpunk e que é fantástico poder passear por ele, ouvir as conversas, admirar paisagens bem vivas, tipo uma área em que de vez em quando você pode ver o metrô passando, acho que a última vez que vi algo feito com tanto carinho foi em Shadowrun Returns.

Agora quanto a mecânica em si, a base é a de meter bala em todo mundo mesmo, no entanto tem alguns elementos bem bacanas, e o que mais me agradou foi o de movimentação rápida pela tela no estilo de Mr. Shifty e Phantom Trigger, mas aqui você pode fazer em uma sequencia muito grande e combinado com o efeito de câmera lenta é lindo de se ver.

O que torna a coisa tão legal, é que assim que você ativa câmera lenta, passa a ver a movimentação de forma detalhada, e assim pode desviar de balas usando esse movimento rápido, mas também vê seus próprios movimentos acontecendo, e assim pode acontecer coisas como você se aproximar bem perto de um inimigo e dar um ataque de espada, mas ver que ele também está dando um ataque assim e vai acertar primeiro, daí você pode se mover rapidamente pro lado e então pra trás dele e aí atacar de novo, evitando o ataque. É incrível a sensação de liberdade.

Existe um sistema de evolução de personagem, fãs de Neon Chrome e JYDGE vão se sentir em casa, pois são também jogos isométricos, com elementos de evolução de personagem e que se passam em um universo cyberpunk. Ou seja, acaba sendo uma experiência bem semelhante, apesar de que eles são bem mais coloridos e esse aqui é obscuro.

E por falar em ser obscuro, tá aí uma coisa que não gostei no jogo. Eu sei, cyberpunk tem que ser escuro mesmo, só que aqui é demais e isso impede muitas vezes de admirar a beleza gráfica da coisa, especialmente porque na maioria do tempo a coisa se passa com uma baita de uma iluminação vermelha que apesar de dar um charme próprio pra coisa, eu não gostei, mas aí varia de pessoa pra pessoa né?

Ainda sobre os gráficos, eu tive uma sensação semelhante à que tive em Deadlight, aquela de "Nossa, que mundo maravilhoso, é um desperdício esse ângulo de câmera!", e aqui ainda mais, pois os caras fizeram tudo no ambiente, frequentemente você vê a câmera mudando para bem perto, e é cheio de texturas em alta definição, daria pro jogo ter sido feito com câmera atrás do personagem ou em primeira pessoa.

A quantidade de detalhes nos lugares é absurda e eu queria muito que pelo menos nas partes da cidade iria ser maravilhoso poder dar uma olhada mais de perto nesse mundo, é tão detalhado e fascinante que chega a bater uma tristeza ficar tão distante do que está acontecendo. Seria legal ver os personagens mais de perto.

Quanto à história do jogo, ela é neutra, não é genial, mas dá pra entreter, tive a sensação de que sugaram um pouco de Neuromancer, com a ideia de um personagem que vai pra ação e um hacker que fica por trás dando suporte e podendo acessar o corpo do outro de vez em quando para fazer certas coisas.

Uma coisa que me surpreendeu absurdamente e de forma cabulosa foi a trilha sonora do jogo. Assim que cheguei na cidade a primeira vez começou aquela musiquinha tão diferente no fundo, e adivinhem só quem é que tava cantando? O Susumu Hirasawa! O responsável pela marcante trilha sonora de Berserk, Paprika e Paranoia Agent.

A verdade é que foi tão surreal que eu nem acreditei que era ele mesmo na hora, afinal de contas é um jogo indie né? Então o que pensei de imediato foi que contrataram alguém que cantasse o mesmo estilo. Mas a medida que jogava chegou a um ponto que pensei "Não.. Isso não é possível, olha a voz desse cara, olha o estilo, só pode ser o Susumu, não tem ninguém com a voz assim", minimizei o jogo e fui pesquisar, e aí foi aquela surpresa ao ver que era mesmo o cara.

Mas a trilha em geral é muito boa, super adequada para os momentos, por exemplo tem uma hora que você tá entrando em um lugar cheio de malucos e todos eles prontos para meter a porrada em você. É um ambiente no estilo beco escuro com um portão de entrada e aquela música psicodélica tocando ao fundo, é bem legal.

No entanto parece que gastaram toda a grana que tinham para contratar o Hirasawa, porque o jogo não tem dublagem! Sempre que personagens falam, aparece uma legenda, e aparecem coisas do tipo "Voz Feminina" e  aí o que a voz está falando. É bem feio uahahaha, pra completar ainda tiveram a ideia genial de colocar uma legenda vermelha, e adivinha só? Tem vermelho pra todo lado no cenário do jogo, uma maravilha de ler!

Enfim, Ruiner é um jogo rápido, você zera em umas 6 horas se não for do tipo que fica fazendo missão alternativa e vasculhando, talvez até bem menos. A atmosfera é espetacular e ao meu ver é o que mais encanta, então acho que é um bom passa tempo.


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