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terça-feira, 28 de junho de 2016

The Technomancer - RPG Cyberpunk no planeta Marte

Quando vi que esse jogo era do estúdio Spiders, eu já sabia exatamente o que esperar, isso porque até então todos os projetos que vi da empresa, como o encalorado Bound by Flame e o mágico Faery Legends of Avalon, tem um estilo de jogabilidade muito parecido. Então é uma empresa que mantém bastante sua assinatura nas obras. E ao bater os olhos em The Technomancer, já sabia o que esperar e agora chegou a hora de falar um pouco sobre.

A história se passa no Planeta Marte, que foi colonizado por humanos, e apresenta condições de vida terríveis. A falta de água faz com que lutas violentas aconteçam e os ricos possam aproveitar enquanto os pobres tem que viver em desgraça. Existem vários problemas como a radiação solar que causa mutações irreversíveis, gerando monstros a partir de animais, plantas e até mesmo humanos.



Mas existe um pouco de ordem em meio a todo esse ambiente caótico, militares a serviço da alta sociedade tentam lidar com problemas como sequestros, contrabando, terrorismo e mais. Porém não são o que se pode chamar de bonzinhos da história, também são corruptos, fazendo de tudo da maneira que acham melhor. Eles também manipulam uma ordem de guerreiros conhecidos como Technomancers, que por algum motivo tem habilidades elétricas e são treinados por anos para então serem colocados à disposição dos militares.

Como você deve imaginar, aqui você controla um dos Technomancers, um recém formado para ser mais específico. O jogo começa de uma forma bem interessante, apresentando uma narração sobre o lugar, mostrando os pobres e como vivem em caos e a tela vai subindo para mostrar a área alta onde a população com condições vive, tudo isso com uma explicação e coisas acontecendo, até que a tela sobe o suficiente para seu quarto e você pode ver seu personagem sentado, e aí começa a personalização de personagem imediatamente.

Após isso você vai para o teste final para se formar definitivamente como um Technomancer, que serve como tutorial da coisa. Achei toda essa forma de introduzir as coisas realmente bem bacana, algo elaborado que fica bastante fluído. Não passa aquela sensação de quebra brusca como jogos que tem o menu de treinamento por exemplo.

Uma coisa que desde que bati os olhos já pensei foi que esse jogo era o sucessor espiritual do atmosférico Mars: War Logs. Não acompanhei o desenvolvimento de The Technomancer, apenas vi um trailer e só, então de imediato formei esse pensamento, até porque como falei eu já conheço bem o trabalho da empresa, sendo assim sabia o que esperar da coisa.

Mas assim que comecei a jogar foi que comecei a pensar mais claramente e não demorou muito pra ter aquele pensamento "Epa, pera aí... Pensando agora, tinham Technomancers em Mars War Logs também, não? O personagem inclusive tinha poderes de um Technomancer...". Foi aí que eu me toquei que eu não estava lidando com uma sequencia espiritual, mas algo bem mais íntimo, trata-se de um Spin-Off de Mars.

Claro que isso foi uma bela de uma surpresa e me senti meio estranho em ver que estava no mesmo universo. Pensei que os criadores apenas eram apaixonados pelo planeta vermelho e decidiram fazer uma obra lá novamente, até porque muitos usam e exploram ao extremo o lugar como em Os Deuses de Marte por exemplo.

Uma coisa que a ordem Technomancer me lembrou foi a Ordem Jedi, o fato de serem pessoas especiais que tem todo um treinamento próprio durante anos para poder manipular seus poderes e depois trabalhando junto com militares me faz pensar muito no universo de Star Wars, apesar de que esse não é um Space Opera, mas sim ficção científica mais pura.

Por algum motivo The Technomancer atingiu o público bem mais que outros jogos da empresa. Pela primeira vez eu vi gente falando "Nossa, preciso jogar esse jogo!". E acho que talvez isso seja perigoso pois gera aquela situação desagradável onde a expectativa é capaz de matar a diversão, até porque o preço de lançamento do jogo foi o mesmo de um AAA, custando R$119.90. Sendo que você nota as limitações presentes.

O negócio é, creio que muitos podem ter visto os trailers e notado a grande mitologia da coisa, uma comunidade e você tendo que vagar e viver entre eles. Conversar e tal, talvez isso passe a falsa ideia de que é um jogo em mundo aberto. Mas não é, ele segue o mesmo estilo que outros jogos da empresa costumam seguir.

Então o que temos aqui é um jogo que tem algumas áreas que são grandes mas não são ambientes abertos, é mais algo parecido com jogos como o fabuloso Okami, em que cada lugar tem uma ou mais saídas e leva a outra área que por sua vez também tem suas próprias saídas. Esse ponto em si já é algo que acho que pode fazer muitos terem uma imensa decepção, mas a empresa nunca prometeu isso então creio que é questão de cuidado da própria pessoa em não se deixar iludir pela ambientação da coisa.

Pra falar a verdade a jogabilidade em vários aspectos me lembrou um bocado o Knights of the Old Republic, com você controlando um personagem por essas áreas fechadas, falando com a população, indo e voltando várias vezes em certos ambientes e especialmente o fato de você poder montar equipe e cada personagem escolhido pra te acompanhar ter habilidades próprias.

Então The Technomancer é um jogo de RPG com fortes elementos do gênero, mas ao mesmo tempo com um combate em tempo real bem movimentado onde é preciso realmente controlar o personagem de forma habilidosa ou você vai morrer. E por falar nisso, definitivamente esse é um jogo difícil pra caramba, então fiquem atentos se não gostam de dificuldade.

Você tem duas tabelas que pode evoluir, cada uma com árvores de talentos próprios. A primeira é a de combate em que você pode treinar três tipos de combates e as habilidades elétricas de Technomancer. O segundo tipo é voltado para atributos que refletem em coisas variadas no seu personagem como a recuperação de vida ou força.

Esse é um jogo em que é preciso conversar com personagens constantemente, muitas missões podem ser resolvidas na fala ou você pode partir para a violência. Alguns atributos ajudam nas falas e dão certas bonificações na hora de persuadir alguém ou mesmo negociar com um vendedor por exemplo. Outro elemento interessante é aquele que tem em alguns RPG's como Shadowrun, onde você pode pedir informações para pessoas aleatórias sobre diversas coisas como lugares e pessoas. Então se você tem uma informação nova e imagina que um personagem pode ter ligação, é só ir até ele, selecionar essa informação no menu e ele falará algo sobre.

O combate físico é dividido em três estilos, o de ataque agressivo com bastão, o de ataques rápidos e precisos com arma curta e o estilo defensivo com machado e escudo. Sinceramente eu achei a dificuldade bem absurda, existe todo um sistema de ataque, defesa, desvio, cada uma das poses de combate tem sua própria árvore de aperfeiçoamentos e movimentos próprios.

Uma coisa curiosa é que parece que esse nível de dificuldade tentou acompanhar a tendência Dark Souls de jogos, que obras como Pharaonic, Salt and Sanctuary ou mesmo Shrouded in Sanity acabaram adotando por completo. Mas aqui a coisa pareceu mesmo só no combate, eu simplesmente só consegui me dar bem no modo defensivo, ter um escudo ajuda muito, achei meio injusto personagens com pistolas enquanto você tá no modo agressivo, é difícil se concentrar neles e um monte de caras te batendo.

Apesar de tudo a coisa pode agradar, especialmente jogadores mais cautelosos podem se atrair muito pelo combate. Saber fazer as coisas no momento certo ajuda bastante. Com as habilidades de Technomancer você também pode dar uma tunada nas coisas como atirar raios ou envolver uma arma com eletricidade para dar mais danos.

Existe ainda um sistema de criação de coisas, então você pode querer uma armadura mas ver que precisa de determinados objetos que podem ser achados vasculhando a cidade, roubando de inimigos vencidos ou indo a um dos vendedores para ver o que tem disponível. Achei os menus do jogo meio desagradáveis, um pouco poluídos demais, porém dá pra perdoar.

Enfim, The Technomancer é um bom jogo, história fluída, elementos de RPG bem agradáveis, mas é uma obra que você consegue notar facilmente que tem suas limitações. Não é aquele tipo de obra que te faz sentir que pode fazer tudo. Acho que o que mais encanta é a forma que as coisas são conduzidas, tipo você tá conduzindo um grupo e então rola um ataque terrorista, a atmosfera da coisa é muito gostosa. Vale a pena dar uma conferida no site da G2A, pois lá eles costumam vender keys da steam por um valor bem mais barato que na própria steam e ainda aceitam boleto bancário. Dê uma conferida aqui


4 comentários:

Bruno Arce disse...

Esse jogo está marcado pra ser lançado hoje na steam e mesmo na G2A você compra como pre-order, como é que você conseguiu o jogo antes do lançamento?

Skywalkerpg disse...

A desenvolvedora pediu por uma análise e me enviou uma cópia.

Matt Kist disse...

Ahhhh, Sky, seu safadinho!!! Virou 'reviewer' profissional, é?! Que massa! Parabéns!
A parte que você diz sobre o tutorial ser a formatura do cara, me lembrou um pouco FFVIII, onde a primeira missão conta tipo como um teste para se formar como Seed. Falando nisso, você ainda vai fazer review do FFVIII esse ano, né? Estamos no aguardo...

Skywalkerpg disse...

"Profissional" kkkkkkkk, obrigado. E sim, esse ano sai review de Final Fantasy 8, que estou jogando aos poucos inclusive, mas sempre tem algo que me faz dar umas paradas, porém até o fim do ano termino hehehe.