A Maldição de Chucky | Uma ótima tentativa de redimir uma franquia

Assumo que eu pensava que esse filme era um reboot da franquia. Digo isso porque o tempo que levou entre lançar "O Filho de Chucky (2003)" e esse filme de 2014, somando com o fato de que o anterior foi uma tosqueira sem fim levando a coisa ao absurdo, era simplesmente estranho imaginar que esse filme sombrio era sequência daquela tranqueira. Mas o pior de tudo é que realmente é... Só que fiquei surpreso com a seriedade que levaram a coisa dessa vez.

A história é focada em Nica, uma cadeirante que mora sozinha com a mãe pintora, no entanto após receberem um boneco de presente sem remetente no pacote, a mãe repentinamente comete suicídio sem nenhuma explicação. Sua irmã vai então visitá-la e tratar sobre a herança, mas logo as coisas começam a ficar cada vez mais esquisitas.
 

Uma outra surpresa que tive ao assistir esse filme, é que quando fui pesquisar pelo roteirista que fez o milagre aqui era o Don Mancini, que ao dar uma olhada mais a fundo, vi que ele também fez o Brinquedo Assassino original, no entanto a bizarrice começou quando descobri que ele também fez A Noiva de Chucky, que foi onde a tosqueira começou, mas também TODA a franquia. Ou seja, o cara passa por altos e baixos, e felizmente nesse aqui, ele tava mais inspirado.

Talvez o cara não tenha recebido mais oportunidades depois do desastre anterior e por isso tenha tido um bom tempo para repensar no que fez. E apesar da bagaceira já ter sido feita, achei digno ele não entrar no mundo dos reboots, já que é a saída mai fácil quando uma franquia está estragada demais e já se perdeu completamente, mas ele teve a dignidade de assumir a coisa e dar continuidade de um jeito interessante.
Lembrando que se a pessoa for talentosa, é possível fazer verdadeiros milagres nas sequências, é só ver o que Alan Moore fez com MiracleMan, um herói absurdamente infantil e definitivamente focado em criancinhas mesmo, mas ele arrumou uma maneira de fazer uma sequência cabulosamente pesada, sanguinária e focada no público adulto.

Esse não foi o caso aqui, no entanto pelo menos a trama realmente voltou a algo mais sombrio, ao invés de focar em fazer piada sem rumo algum. E temos algo em uma casa velha, com uma fotografia bem sombria, e um boneco assassino bem mais discreto na maioria do filme, o que dá um certo toque estiloso na coisa, apesar de que tira um pouco o clima do Chucky que conhecemos.
Apesar de tudo, o filme não é impecável, infelizmente, e o maior erro dele, ao meu ver, é o fato de que apesar de ser dividido em atos, o primeiro é muito longo e a coisa fica interessante de verdade nos outros, que são curtíssimos e mostram muita coisa de uma vez pra então finalizar o filme. E esse início não acontece nada de realmente surpreendente, é muito parado, sombrio, porém não muito interessante.

A sensação que passa é como se fosse aquelas introduções de filmes de terror onde o grupo de jovens vai visitar a floresta da chacina e Satanás tá lá, mas tem aquela introduçãozinha que é só meio que uma apresentação da coisa antes de começa a correria e gritaria. Essa primeira parte é como se fosse essa introdução, só que se arrastando pelo filme inteiro até finalmente a coisa estourar e tudo acontecer de uma vez.
Porém, pra dizer que não é puramente cansativo, deu pra ver que o cara se esforçou pra tacar a profundidade no universo, que tínhamos deixado de ver em "Brinquedo Assassino 2", onde existe um certo desenvolvimento de personagens, eles não estão lá só pra morrer. E aqui temos muita coisa, a irmã que trai o marido com o namorado, que por sua vez quer a guarda da filha e a briga pela herança fazem ter um desenvolvimento acontecendo ali, e não só um monte de frango sem pescoço esperando sua vez de tomar a facada final.

O Chucky desse filme é feio que dói... Incomoda os caras terem só mudado o boneco, que tem um certo nível de explicação, mas ainda assim daria pra manter o design anterior ao invés de fazer essa bagaceira tosquíssima, e estou falando dele parado, porque em movimento, é simplesmente de dar muita vergonha da coisa ter decaído tanto.
Enquanto nos filmes anteriores tinha toda uma movimentação elegante do personagem, aqui é algo muito mal feito que claramente não usou as mesmas técnicas, com efeitos especiais forçados que você vê imediatamente a mudança de boneco pra CGI, e dá pra ver que os caras contrataram um estúdio de efeitos especiais bem vagabundo pra fazer a coisa.

Enfim, se o primeiro ato fosse mais curto, ou tivesse mais elementos do que foi apresentado depois, e esse filme tivesse um Chucky com visual e efeitos semelhantes aos anteriores, ele seria realmente impecável. Mas ainda assim consegue ser um filme surpreendente e alívio para uma franquia que tinha caído em desgraça. Na minha opinião supera todos de "Brinquedo Assassino 3" em diante.

Postar um comentário

0 Comentários