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Elfen Lied | Jogo pra PC e Dreamcast saído do submundo dos fóruns da internet de 2008

Existem jogos de fã que chamam atenção pelo tamanho, pela qualidade ou pela quantidade de conteúdo. Elfen Lied (OpenBOR) chama atenção por outro motivo: ele parece ter nascido de um sonho de fã. É um daqueles projetos que ajudam a lembrar como criar um fangame era uma tarefa muito mais complicada em uma época sem a facilidade das engines gratuitas atuais, sem tantos tutoriais e sem uma quantidade enorme de informação pronta para quem queria aprender.

Conhecido como FW - Elfen Lied, o jogo foi criado por KelvinBlue usando o Beats of Rage, uma engine gratuita voltada para jogos de pancadaria. A obra é de 2008 e acabou ficando praticamente esquecida, sobrevivendo em registros espalhados pela internet e em comunidades dedicadas a Elfen Lied e OpenBOR. Ele teve uma versão para PC e de uma adaptação para Dreamcast, além de hoje em dia ter fãs que levaram ele ao Android.

O resultado deixa bem claro que se trata de um jogo feito por fã. O visual é bastante antigo e simples, com aquele tipo de apresentação que poderia facilmente passar por um game dos anos 90 se você olhasse apenas para a simplicidade dos gráficos. Está muito longe de qualquer coisa que pudesse ser chamada de Triplo A, mas isso também torna difícil ignorar o esforço envolvido para transformar uma ideia baseada em um anime em algo jogável.

A proposta é interessante justamente por tentar colocar o jogador dentro de um dos momentos mais conhecidos de Elfen Lied. O primeiro estágio coloca Lucy no laboratório, reproduzindo sua fuga do início do anime, com a personagem enfrentando guardas enquanto tenta escapar do local. A estrutura acompanha alguns acontecimentos da obra original e até utiliza cenas do anime entre as partes jogáveis.

Visualmente, o jogo tem aquela mistura curiosa de 2D e 3D que era bastante comum em projetos independentes da época. Os personagens aparecem como sprites 2D formados a partir de modelos 3D, posicionados de lado para permitir que Lucy caminhe pelo cenário e enfrente os inimigos. É uma solução simples, mas também ajuda a dar ao jogo uma identidade própria, mesmo com todas as limitações.

A jogabilidade também não tenta esconder suas limitações. Lucy possui alguns ataques com seus vetores, mas eles não funcionam como uma espécie de golpe instantâneo que elimina qualquer inimigo. Os adversários podem causar dano, a personagem possui uma barra de vida e é possível morrer durante a fase. Há ainda situações diferentes das apresentadas no anime, como inimigos armados com armas mais pesadas e até alguns que atravessam o cenário em motocicletas.

No final do primeiro estágio, a fuga chega ao momento do atirador, com a mira acompanhando Lucy pelo cenário. Caso ela seja atingida, a sequência segue para as cenas em que a personagem é baleada, cai do penhasco e acaba chegando ao momento em que encontra Kouta e Yuka como Nyuu. É uma tentativa bem direta de transformar o começo do anime em uma fase de videogame.

O que mais chama atenção em Elfen Lied (OpenBOR), porém, é a sensação de estar diante de algo encontrado no fundo de um fórum antigo. O jogo tem aquele clima underground de projeto que alguém descobriu por acaso em um tópico perdido, baixou por curiosidade e passou para outra pessoa. Até a pouca quantidade de registros disponíveis ajuda a criar essa impressão de relíquia de uma internet que já não existe da mesma forma.

Hoje é muito mais fácil encontrar ferramentas, tutoriais, cursos, vídeos e comunidades ensinando praticamente cada etapa necessária para criar um jogo. Na época em que esse projeto surgiu, transformar uma ideia de fã em algo jogável exigia muito mais paciência e disposição para aprender na tentativa e erro. Por isso, mesmo com um visual envelhecido e uma execução bastante simples, Elfen Lied (OpenBOR) acaba sendo um exemplo curioso de como um fã podia pegar uma ideia e tentar transformá-la em videogame quando esse caminho ainda era bem mais difícil.

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