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The Crow | Jogo 2D grátis inspirado no filme obscuro de 1994 ao estilo de Super Nintendo

É gigantesca a lista com todos os jogos do Super Nintendo, mas a quantidade de elementos da cultura pop da época, mostra que daria pra encaixar muito mais coisas! The CROW é um projeto indie de ação criado por Stefano Cagnani V3 que parece ter saído diretamente de uma coleção de jogos do Super Nintendo. A proposta segue uma linha parecida com Contra, com ação em visão lateral, tiroteios e inimigos pelo caminho, mas usando como inspiração o universo de The Crow, conhecido no Brasil como O Corvo.
A escolha faz bastante sentido. O filme O Corvo, dirigido por Alex Proyas e lançado em 1994, é uma adaptação dos quadrinhos de James O'Barr e tem Brandon Lee no papel de Eric Draven. A obra se tornou um clássico cult, marcada pelo visual gótico, pela trilha sonora e pelo impacto da morte acidental de Brandon Lee durante as filmagens.

O filme também deixou uma marca forte na cultura pop dos anos 90, especialmente entre o rock, o metal e a estética gótica. Sua combinação de visual sombrio, quadrinhos, música alternativa e clima melancólico ajudou a transformar O Corvo em uma referência que continua reconhecível décadas depois.
 
É justamente por isso que The CROW tem uma ideia tão simpática. O pixel art sombrio combina muito bem com a identidade de Eric Draven, enquanto a jogabilidade inspirada nos clássicos de 16 bits faz parecer que poderia ter existido uma adaptação de O Corvo para o Super Nintendo. É uma daquelas ideias que são bacanas principalmente porque dá para imaginar que algo assim realmente poderia ter rolado naquela época.

O trabalho de Stefano Cagnani V3 aposta, então, em uma mistura curiosa de beat'em up, tiro e plataforma com a estética dos videogames antigos. Para quem gosta de Contra, Super Nintendo, pixel art, jogos retrô e, principalmente, de O Corvo, The CROW chama atenção justamente por transformar uma franquia tão marcada pelos anos 90 em algo que parece uma adaptação perdida de 16 bits.


 
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 Sobre o Corvo
Antes de virar um dos filmes cult mais lembrados dos anos 1990, O Corvo nasceu nos quadrinhos pelas mãos de James O'Barr. A obra começou a tomar forma em 1981 e foi publicada como história em quadrinhos em 1989. A ideia misturava luto, violência, romance e vingança em uma história pesada, com uma atmosfera gótica que combinava perfeitamente com desenhos em preto e branco e um protagonista marcado pela morte.

O personagem central dessa história é Eric Draven, um músico assassinado junto com sua noiva Shelly Webster. Depois de morrer, Eric retorna ao mundo dos vivos guiado por um corvo, criatura que funciona como ligação entre a vida e a morte. Em vez de ser um super-herói tradicional, ele é praticamente uma alma presa ao mundo por uma tragédia, buscando vingança contra aqueles que destruíram sua vida. Essa mistura ajudou a dar ao quadrinho uma identidade muito diferente das histórias de heróis mais tradicionais.

O sucesso dos quadrinhos abriu caminho para uma adaptação cinematográfica dirigida por Alex Proyas. O filme O Corvo chegou aos cinemas em 1994 com Brandon Lee no papel de Eric Draven e rapidamente se tornou conhecido pelo visual sombrio, pela fotografia noturna, pelo clima de cidade decadente e pela trilha sonora ligada ao rock alternativo. A produção também incorporou elementos que ajudaram a transformar aquele universo em uma referência para a estética gótica dos anos 1990.

Mas a história do filme ficou marcada por uma tragédia real ainda mais pesada que a própria ficção. Brandon Lee morreu durante as filmagens após ser atingido por um disparo de uma arma cenográfica que deveria estar segura. Como ele já havia gravado grande parte de suas cenas, a produção foi concluída com alterações no roteiro, dublês e efeitos digitais. O filme acabou sendo dedicado a Brandon Lee e Eliza Hutton, sua noiva.

O Corvo de 1994 ganhou uma força própria depois disso. A interpretação de Brandon Lee, o visual de Eric Draven com maquiagem branca e roupas pretas, a cidade coberta pela chuva e a mistura de romance com violência criaram uma imagem que ultrapassou o cinema. A trilha sonora também se tornou parte importante dessa identidade, reunindo nomes como The Cure, Nine Inch Nails, Stone Temple Pilots e Rage Against the Machine. O filme passou a ser associado não apenas ao terror e à fantasia, mas também ao rock, à moda alternativa e à cultura gótica.

O sucesso fez Hollywood tentar transformar O Corvo em uma franquia. A primeira sequência foi O Corvo: A Cidade dos Anjos, de 1996, com Vincent Perez como Ashe Corven. Depois vieram O Corvo: A Salvação, em 2000, estrelado por Eric Mabius, e O Corvo: Vingança Maldita, em 2005, com Edward Furlong. As histórias não continuaram a trajetória de Eric Draven interpretado por Brandon Lee, mas usaram a ideia de pessoas mortas que retornam como O Corvo para buscar justiça.

Essas sequências acabaram ficando muito menos conhecidas do público geral. A franquia também ganhou a série de televisão O Corvo: Stairway to Heaven, exibida entre 1998 e 1999, com Mark Dacascos como Eric Draven. Nos quadrinhos, o universo continuou recebendo outras histórias, como The Crow: Dead Time, The Crow: Flesh and Blood e The Crow: Wild Justice, mostrando que a ideia criada por O'Barr tinha espaço para diferentes personagens e interpretações.

A marca de O Corvo permaneceu justamente por não depender apenas de uma história de vingança. Sua identidade está no contraste entre amor e morte, violência e melancolia, vida e além. O corvo como símbolo, a maquiagem de Eric, os cenários urbanos destruídos, a chuva constante e a trilha sonora pesada formaram uma estética que acabou sendo reconhecida mesmo por quem nunca leu os quadrinhos. É uma daquelas obras em que a atmosfera é tão importante quanto a história.

Em 2024, O Corvo voltou ao cinema em uma nova adaptação dirigida por Rupert Sanders, com Bill Skarsgård como Eric e FKA twigs como Shelly. A produção não tenta simplesmente repetir o filme de 1994 e apresenta uma nova interpretação da história criada por James O'Barr. A trama mantém a ideia central de um casal assassinado e de Eric retornando da morte para buscar vingança, mas modifica vários elementos da narrativa e do relacionamento entre os personagens.

Mesmo com filmes diferentes, quadrinhos, televisão e outras histórias, é o longa de 1994 que continua sendo o principal símbolo de O Corvo. A combinação entre a obra de James O'Barr, a direção de Alex Proyas, a presença de Brandon Lee e a tragédia ocorrida durante as filmagens criou uma história difícil de separar da própria lenda em torno do filme. O resultado é uma obra que permanece ligada ao cinema gótico, ao rock dos anos 1990 e à cultura pop, principalmente por sua atmosfera densa, seu visual marcante e pela sensação de tristeza que acompanha Eric Draven do começo ao fim.