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Akira | O jogo cancelado de 1993 que foi recuperado e colocado na internet!

Sem sombra de dúvidas, o mangá de Akira é uma verdadeira obra-prima de 1982 que você devora rapidamente por sua facilidade de leitura e beleza, tendo, sendo lançado completo no Brasil em 6 edições de luxo. Não foi surpresa algo maravilhoso assim receber a marcante adaptação para filme em 1988 e até mesmo homenagens inusitadas como o underground filme Tetsuo. Porém, em 1993 uma nova adaptação estava sendo feita, um jogo planejado para 1995. Infelizmente, ele foi cancelado e mesmo com um jogo mais simples lançado por outra desenvolvedora para Amiga CD32, ficou esquecido no tempo... Até que em 2019, 25 anos depois, seu protótipo surgiu na internet!

A Black Pearl Software era uma empresa subsidiária da THQ que foi fundada em 1992. Ela foi responsável por jogos da era de ouro da geração 16 bits, sendo criadora de Super Star Wars: Return of the Jedi, Fifa Soccer 96 e alguns outros jogos. Em 1993, ela recebeu o trabalho de fazer uma baita adaptação ambiciosa, Akira, para Mega Drive e Super Nintendo.

A empresa, sem dúvidas, não poupou esforços em fazer um trabalho bem feito, pois a jogabilidade varia absurdamente dependendo da fase. A maioria dos jogos costuma montar uma mecânica e repetir do início ao fim com pouca variação. Porém, eles criaram um mapa de Neo Tokyo em 2019 e as fases espalhadas.

Foi usada a mesma narrativa da versão em anime e, para fazer isso, acabaram adaptando as fases de acordo com o que se passava. Ou seja, como o anime começa com uma sequência de perseguição e pancadaria de motos, foi exatamente isso que foi usado, com aquela visão maravilhosa de Neo Tokyo e seus arranha-céus gigantescos ao fundo enquanto embaixo o jogador cairia na porrada com uma gangue rival.

As fases variavam entre os personagens, você assumia o controle tanto de Kaneda quanto de Tetsuo, portanto, herói e vilão. Era possível controlar Tetsuo no hospital após ser capturado e nessas fases a jogabilidade mudava para algo semelhante a Doom. Existiam jogos 3D para Super Nintendo, porém eram títulos bem específicos e assim, certamente a versão de Mega Drive não seria capaz, portanto era algo simplório, mas ainda assim impressionante.

 
Nessas partes do hospital, você via em primeira pessoa, apenas com a mão do Tetsuo aparecendo e uma mecânica de movimentação mais semelhante à de jogos como Legend of Grimrock, com aquela movimentação mais semelhante a jogos de tabuleiro, mas ainda assim uma bela animação de virada de câmera.

Aliás, as animações entre as fases eram bem maravilhosas e a geração 16 bits com aquele visual pixelizado acabou caindo muito bem com o universo de Akira. Essa sensação de algo meio retro-futurístico é bastante gostosa e acabou se encaixando de forma maravilhosa com o passar do tempo, e vimos muitos jogos do estilo, é só ver jogos como Technobabylon, Desert Child ou Gemini Rue.

Ainda tem variações na jogabilidade, como algo semelhante a Blackthorne, em que você controla Kaneda passando pela parte dos esgotos enquanto desvia ou luta contra os inimigos, uma fase com visão isométrica que é semelhante a de jogos da época como Shadowrun e até mesmo o que parecia ser uma luta final que usava mecânicas de jogos de luta com uma pancadaria entre Kaneda e Tetsuo.

Infelizmente, algo ambicioso assim necessitava de um belo de um orçamento e, embora o protótipo das fases tenha sido feito, assim como animação, incluindo a marcante trilha sonora de Akira com aqueles batuques, porém dessa versão 16bits. O projeto também ficou esquecido e com Akira sendo mais cult que pop nos anos 90, a coisa não foi tão falada.

Com o passar dos anos e a vinda da internet, certas obras começaram a ter uma valorização maior, e claro que algo maravilhoso como Akira tinha que emergir de novo, porém coisas oficiais não vinham. Os próprios fãs começaram a fazer coisas maravilhosas como Akira Project e Awaken Akira, além do relançamento da versão definitiva mundial de Akira.

Claro que, no meio disso, logo acabaram surgindo imagens do jogo abandonado. As pessoas começaram a falar e o negócio deixou os fãs na vontade, afinal de contas, algo do meio da década de 90 e que ainda ficou em silêncio por tanto tempo era praticamente impossível de alguém ver. Porém, não é impossível, não é mesmo?

E 2019 parece ter sido um ano de renascimento para Akira, já que é o ano em que se passa a história. E vimos coisas oficiais como a vinda de Tokyo Reborn e novamente o assunto da versão live action americana. Para terminar o ano com uma surpresa final, alguém conseguiu uma cópia da versão protótipo de Mega Drive, transformou em rom e tacou na internet!

Como era um projeto inacabado, infelizmente dá para sentir bem que a coisa mais mostra o potencial do que uma versão jogável e zerável com bugs. Por exemplo, a parte inicial da perseguição com motocicletas e um combate de gangues rolando solto acaba mostrando apenas um único personagem, que é o que o jogador controla.

Não é a primeira vez que algo assim acontece, anteriormente já vimos a versão de game boy color de Resident Evil colocada na internet e a badalada versão abandonada de Pokemon Gold e Silver, que revelou uma penca de informações para jogadores sobre personagens que deveriam existir no mundo de Pokemon. Enfim, confira o protótipo de Akira:
 
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Sobre Akira

Quando se fala em obras que mudaram para sempre a forma como o mundo enxerga os quadrinhos japoneses e a animação japonesa, poucos nomes possuem um peso tão grande quanto Akira. Criada por Katsuhiro Otomo, a obra se transformou em um dos maiores símbolos da cultura pop oriental e em uma referência constante para artistas, cineastas, desenvolvedores de jogos e criadores de histórias de ficção científica. Mesmo décadas após seu lançamento, Akira continua sendo discutido, estudado e admirado por fãs de anime, mangá, cyberpunk e ficção pós-apocalíptica.

A história começou em 1982, quando o mangá passou a ser publicado na revista Young Magazine. Desde o início, a obra chamou atenção por sua ambientação sombria, sua visão futurista e pela riqueza de detalhes nos cenários. A trama se passa em Neo-Tokyo, uma gigantesca metrópole reconstruída após uma misteriosa explosão destruir Tóquio. O cenário mistura tecnologia avançada, decadência urbana, conflitos sociais, violência de gangues, corrupção política e experimentos científicos, criando um universo que parecia muito diferente e assustador para a época.

O mangá foi publicado ao longo de vários anos, sendo concluído em 1990. Durante esse período, Katsuhiro Otomo construiu uma narrativa enorme, cheia de personagens, conspirações, grupos militares, movimentos revolucionários e poderes psíquicos. Ao contrário de muitas histórias futuristas da época, Akira não apresentava apenas carros voadores ou máquinas avançadas. A obra explorava temas como medo nuclear, autoritarismo, juventude revoltada, desigualdade social, manipulação governamental e os riscos do avanço científico sem limites.

Entre os personagens mais marcantes estão Kaneda e Tetsuo. Os dois começam a história como integrantes de uma gangue de motociclistas que percorre as ruas de Neo-Tokyo em disputas violentas contra grupos rivais. A amizade entre eles se torna o centro emocional da narrativa. Conforme Tetsuo desenvolve poderes cada vez mais perigosos, a relação entre os dois muda drasticamente, levando a confrontos que se tornaram alguns dos momentos mais famosos dos quadrinhos japoneses.

Em 1988, antes mesmo de o mangá ser concluído, chegou aos cinemas a adaptação animada de Akira. O filme rapidamente se tornou um marco histórico da animação. Produzido com um orçamento extremamente alto para os padrões da época, o longa impressionou o público pela qualidade visual, pela fluidez das animações e pela riqueza de detalhes presentes em cada cena. Mesmo muitos anos depois, diversos animadores consideram Akira uma das produções mais impressionantes já realizadas.

Uma das características mais lembradas do filme é sua animação incrivelmente detalhada. As ruas iluminadas por letreiros de neon, os prédios gigantescos, as explosões, os efeitos de luz e as famosas motocicletas vermelhas ajudaram a definir a estética cyberpunk para toda uma geração. Enquanto muitas animações da década de 1980 apresentavam limitações visíveis, Akira parecia estar anos à frente de seu tempo.

A trilha sonora também teve papel fundamental no sucesso da obra. Criada pelo grupo Geinoh Yamashirogumi, a música combinava instrumentos tradicionais, corais e sons experimentais para criar uma atmosfera única. O resultado ajudou a tornar cenas importantes ainda mais impactantes e contribuiu para a identidade própria do filme.

O sucesso internacional de Akira foi enorme. Em muitos países ocidentais, a obra serviu como porta de entrada para o universo dos animes. Em uma época em que a animação japonesa ainda era pouco conhecida fora do Japão, Akira mostrou que desenhos animados podiam abordar temas adultos, violência, política, filosofia e ficção científica complexa. Para muitos espectadores, foi a primeira experiência com um anime que fugia completamente dos padrões das animações infantis que dominavam a televisão.

O impacto sobre o gênero cyberpunk foi gigantesco. Embora obras como Neuromancer e Blade Runner já fossem referências importantes, Akira ajudou a popularizar visualmente elementos que hoje são associados ao gênero. Megacidades iluminadas por neon, governos autoritários, experimentos secretos, caos urbano, rebeliões juvenis e tecnologia fora de controle passaram a aparecer cada vez mais em filmes, quadrinhos e videogames.

Diversos criadores de Hollywood já citaram a influência de Akira ao longo dos anos. É possível encontrar ecos da obra em produções como The Matrix, Chronicle, Looper e Nope. Algumas influências são temáticas, enquanto outras aparecem em enquadramentos, cenários ou no uso de poderes psíquicos ligados a grandes catástrofes.

Nos videogames, a presença de Akira também é enorme. Jogos como Cyberpunk 2077, Remember Me, The Surge e Ghostrunner apresentam elementos visuais e conceitos que lembram diretamente a obra de Otomo. Até mesmo jogos que não pertencem ao gênero cyberpunk costumam homenagear a famosa derrapagem da moto de Kaneda, uma das cenas mais reproduzidas da história da animação.

Essa cena específica ganhou vida própria dentro da cultura pop. A chamada "Akira Slide", na qual Kaneda faz uma derrapagem espetacular com sua motocicleta, foi recriada em inúmeras animações, filmes, séries e videogames. Produções como Teenage Mutant Ninja Turtles: Mutant Mayhem, Batman: The Animated Series e diversos animes utilizaram homenagens visuais inspiradas nesse momento.

Outro aspecto que ajuda a explicar a longevidade de Akira é a forma como a obra continua atual. Questões envolvendo instabilidade política, manifestações populares, avanço tecnológico, militarização, manipulação científica e insegurança social continuam presentes em diferentes partes do mundo. Embora a história tenha sido criada em um contexto específico do Japão dos anos 1980, muitos de seus temas permanecem relevantes para diferentes gerações.

A arte de Katsuhiro Otomo também merece destaque especial. Seus cenários detalhados, máquinas desenhadas com precisão quase obsessiva e cenas de destruição em larga escala ajudaram a elevar o padrão dos mangás de ficção científica. Muitos artistas passaram a enxergar os quadrinhos japoneses de uma forma diferente após conhecer Akira. A obra mostrou que era possível unir ação, drama, política, horror corporal, ficção científica e construção de mundo em uma única narrativa.

Mesmo entre os grandes clássicos dos animes, Akira ocupa uma posição única. Obras como Ghost in the Shell, Nausicaä of the Valley of the Wind, Princess Mononoke e Perfect Blue possuem enorme importância histórica, mas Akira se tornou uma espécie de símbolo universal da animação japonesa para o público internacional.

Mais do que um mangá ou um anime, Akira representa um momento de transformação cultural. A obra ajudou a abrir portas para a popularização dos animes no Ocidente, influenciou gerações de artistas e mostrou que histórias em quadrinhos e animações podiam alcançar um nível de profundidade comparável ao dos grandes filmes de ficção científica. Poucas criações conseguem atravessar tantas décadas mantendo sua relevância, e é justamente essa capacidade de continuar fascinando novos públicos que faz de Akira uma das obras mais grandiosas já produzidas pela cultura pop mundial.