Man of Medan | Um simulador de filme de terror cooperativo

Tá aí um jogo que me interessou imediatamente, isso por ser considerado a sequencia espiritual do badaladíssimo Until Dawn, que eu não joguei por ter sido lançado como um exclusivo pra galera do Playstatin 4. E após uma longa data embaixo das asas da SONY, a Supermassive Games decidiu expandir seus horizontes e veio com The Dark Pictures Anthology, que tem foco em contar histórias de terror cinematográficas, sendo Man of Medan o primeiro da franquia.



A história é sobre cinco jovens que entram em uma aventura no meio do mar para fazer mergulho. No entanto descobrem algo naufragado, aparentemente na época da segunda guerra mundial. Logo uma sequencia de acontecimentos bizarros passa a acontecer e o que era para ser um dia divertido com toque de aventura logo vira o mais puro horror.

Esse é um jogo que acho super elegante, no entanto não dá pra negar que é uma obra de nicho. Aqui você mais assiste do que joga. Realmente a coisa é um simulador de filme, porém com a possibilidade de você controlar os personagens e fazer escolhas, além do toque especial de ser uma experiência cooperativa.

Aliás, é bem engraçado que na matéria sobre Quantum Break eu cito que não é apenas um jogo, é um filme. E de repente vejo o Shawn Ashmore, ator que interpretou o protagonista, participando de um jogo que realmente é feito para ser um filme. Aliás, foi uma baita surpresa ver ele entrar em cena viu? Algo curioso é que dias antes eu tinha comentado lá no Facebook do Blog, que cada vez mais atores de Hollywood iam para os jogos e que chegaria um dia em que falaríamos "Você viu o novo jogo Steven Seagal? Ouvi dizer que até o Stallone vai estar no elenco".

E aqui a experiência é realmente para ser algo assistível, é possível jogar sozinho, mas definitivamente não é a mesma coisa, infelizmente. Você irá se divertir, irá se entreter, no entanto o foco do jogo aparentemente não é ter uma história surpreendente (Embora tenha seus momentos de destaque), mas sim utilizar de clichês de filmes adolescentes e colocar o jogador nessa experiência, porém com amigos.

A jogabilidade é semelhante a de muitos jogos já apresentados, como Fahrenheit, ou mesmo os clássicos point and clicks. No entanto a coisa aqui é meio que limitada, pois você passa mais tempo vendo cutscenes do que controlando. Porém não chega ser exagerado como o início de algumas visual novels, tipo Death Mark, que você fica um tempo absurdo sem interagir. Aqui você quase sempre interage nas cutscenes.

Existem basicamente três elementos de jogabilidade, o primeiro é o de perguntas, respostas e ações, em que você tem um tempinho para se manifestar como achar mais adequado ou fazer determinadas ações, que é o que fará na maioria do tempo. O segundo é de movimentar o personagem pelo cenário e explorar. E o terceiro é o de quick time events, coisas que rolam do nada e você tem que estar atento para apertar o botão certo, acertar o inimigo ou desviar.

Tenho que destacar o controle do personagem que é HORRÍVEL, parece que você está jogando via streaming com conexão baixa. Você aperta para o personagem ir para um lado e sente um delay com isso, para então ele se movimentar. É como se ele fosse pesadão, além de que as câmeras são tipo de jogos antigos como Silent Hill 2, porém achei mais fácil ficar preso no cenário e não ter uma noção tão precisa de onde é a porta, fazendo você esbarrar na parede algumas vezes até entrar.

É engraçado como o jogo apresenta três tipos de experiência, cada um com uma forma muito peculiar de diversão e que deixa o jogo automaticamente intrigante e aumenta a rejogabilidade. A primeira é o nosso tradicional modo singleplayer, em que você controla todos os personagens dependendo da cena em que está passando.

O segundo modo é o "noite no cinema", que é para jogadores locais e que me lembrou um pouco da mecânica de jogo de tabuleiro. Pode ser jogado por cinco pessoas, mas precisa apenas de um controle, cada um escolhe seu personagem e joga enquanto estiver nas cenas dele. Quando terminar, aparece na tela o nome do próximo jogador, e aí a pessoa passa o controle.

Esse modo me agradou demais pela proposta da coisa, e logo me fez imaginar o quanto não pode gerar gritaria e gargalhadas. Os outros jogadores vão ficar realmente assistindo a história enquanto um joga. E fica também aquela expectativa "Será que o personagem dele vai sobreviver? Será que fará as melhores escolhas?", algumas também são muito interessantes por poderem prejudicar o personagem do outro, tipo salvar a vida dele ou se salvar.

E o terceiro modo é o cooperativo online, e diferente do que parece ser, não é uma versão online do noite no cinema, mas sim um jogo em que dois jogadores podem participar, mas a história acontece ao mesmo tempo em que controlam personagens diferentes, em lugares diferentes. Tipo Clandestine, mas sem nenhum poder ver o que acontece com o outro.

Esse último modo abre um leque de possibilidades especialmente porque você não vai ver o que está acontecendo, e será necessário descrever para o seu amigo, sendo que algumas coisas acontecem muito rapidamente, então pode sair só descrições sobre terem visto algo, mas você não vai saber perfeitamente como é o lugar. É como falar pelo rádio e trocar informações.

Infelizmente achei meio difícil de morrer no jogo. Ao contrário da maioria, joguei fazendo de tudo para ter respostas e atitudes erradas. Não me escondia, fazia barulho, dava respostas arrogantes e inconsequentes. Fiz a bagaceira, e os personagens sempre saiam vivos. Isso foi bem frustrante no jogo, até porque tiveram cenas em que os personagens literalmente morriam, e depois era só uma ilusão. Acho que a equipe poderia ter se esforçado mais para continuar a aventura sem certos personagens, acabando mais cedo. Iria ser até legal se esforçar para ir além.

O gráfico é maravilhoso, em especial o visual dos personagens chama a atenção. Fizeram modelos bem vivos mesmo. Enquanto boa parte dos jogos capricha nos visuais de estruturas, mas pede atmosfera com personagens que parecem bonecões toscos, nesse você tem modelos que toda vez que a câmera chega perto dos rotos fazem até parecer que o gráfico geral melhorou.

No quesito susto, a coisa se suporta muito em scare-jumps, o que é uma saída muito fácil e não sei bem se nesse caso é algo completamente negativo. Até porque é pra ser uma experiência cooperativa né? Então acho que acaba sendo mais interessante cinco pessoas juntas darem um grito e rirem do que aconteceu do que aquela tensão. Como é minha primeira experiência com algo assim, é meio complicado dizer se seria melhor o suspense pesadão.

Assumo que eu gostaria que o jogo fosse ambientado no cenário inicial, que serve como tutorial e introdução ao mesmo tempo e se passa no fim da década de 40 na Ásia, porém com americanos que chegaram em um navio. Para um filme é complicado essas ambientações, mas para um jogo, acho que perderam a oportunidade, sou apaixonado por obras como Império do Sol, e  acho que seria bastante bacana.

Enfim, é um jogo que tem seus defeitos, porém eu gostei muito, a experiência é divertida e o leque de possibilidades aumenta a rejogabilidade para experimentar de formas diferentes, seja com um grupo de amigos em casa, pela internet com um amigo ou sozinho. Vale a pena, porém você precisa ver se esse tipo de jogabilidade te atrai.  Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na steam, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

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