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terça-feira, 2 de maio de 2017

Blood: The Last Vampire | Uma obra prima da chacina

Hora de finalmente falar sobre um filme em anime que acho simplesmente maravilhoso e já assisti diversas vezes. É uma daquelas animações de deixar boquiaberto graças ao seu visual tão maravilhoso que o torna atemporal, assim como outros clássicos como Akira e Ghost in the Shell, mas sem ser tão popular quanto.


Eu sempre fui apaixonado por vampiros, tá certo que hoje em dia essa ideia tá tão manjada e foi tão usada e abusada que se tornou cansativa, porém quando algo é bem trabalhado, realmente consegue se destacar, independente do que é o tema. É aquilo que falei sobre clichês também poderem gerar coisas boas, é algo que realmente depende do criador. Sendo assim, existem sim muitos lixos envolvendo vampiros, mas existem obras genuinamente boas por serem bem trabalhadas.

Eu assisti Blood pela primeira vez no começo da década de 2000, e assim como Akira, é uma animação que eu não estava pronto para ver ainda, mas me apaixonei. Não sabia o que era que me atraía tanto, isso porque em essência parecia ser apenas um filme de matança louca. Com o passar do tempo imaginei que era o fato de eu amar muito vampiros na época e a animação ser linda, mas o filme mesmo parecia vazio. Porém eu estava errado, isso porque tem diversas coisas que eu não peguei na época devido à minha falta de atenção e também ignorância em certos aspectos.

Blood é um filme de 2000 e não é uma adaptação de um mangá como é bastante comum, ele surgiu da vontade do dono do estúdio Production I.G em produzir algo que fosse um conceito original, sem adaptar nada. Queria alguma coisa genuína e a partir daí foi atrás de profissionais e ideias para criar algo realmente legal. No fim surgiu o média-metragem Blood: The Last Vampire, algo engraçado é que eu lembrava como sendo um filme imenso, mas ele tem menos de 50 minutos de duração.

O conceito do filme é maravilhoso pra caramba e na primeira vez que eu assisti, nem ao menos percebi que se travada de um filme em duas línguas, ou pelo menos não liguei, até porque meu inglês era precário. Então se não consegui notar nem isso, imagina a ambientação? Ao meu ver era só uma história de matança louca, mas uma das coisas mais belas é o plano de fundo.

A trama se passa no ano de 1966 em uma base americana que realmente existe, a Yokota Air Base, localizada no Japão. Ou seja, o negócio se passa em plena Guerra do Vietnã, e no lugar há famílias vivendo. Tem pouco mais de sete quilômetros, então é um ambiente imenso com escola, hospital e tudo mais. É uma pequena cidade americana em território japonês.

A protagonista é uma garota enigmática chamada Saya, que caça criaturas chamadas chiropterans. Não se sabe quase nada sobre ela, mas por algum motivo trabalha com os americanos e é requisitada para ir até a Yokota Air Base para se passar por estudante e rastrear uma criatura que está no lugar. Ela está prestes a se alimentar e entrar em estado de hibernação, se conseguir eles a perderão, portanto é necessário que ela se apresse.

Tudo é tão atmosférico, é realmente maravilhoso ver todos os detalhes do ambiente, ser nos anos 60 dá um toque a mais na coisa. A ideia em si também me lembrou um pouco o jogo Nocturne, que tem suas semelhanças, também falando de uma agência atrás do sobrenatural e se passando no passado. Além dos vampiros serem no mesmo estilo.

Os chiropterans não são os vampiros padrões que vemos em obras, mas verdadeiras abominações. Eles são como lobisomens, tem sua forma humana e tem a forma de um morcego gigante. Eu gosto do formato padrão, mas adoro ver uma variada também. Quero dizer, vampiros como os de True Blood que só crescem presas são bem normais, então ver um diferencial é agradável aos olhos.

Especialmente na época atual é bem incomum ver vampiros como criaturas amaldiçoadas, a maioria dos filmes colocam eles de uma forma mais fofa. Já é difícil ver obras como o sombrio 30 dias de noite, que os vampiros são malvados pra valer, verdadeiros monstros. Então é muito bacana ver um formato em que podem se transformar em algo realmente horrendo.
Aliás, me pergunto se a criatura apresentada na primeira história do filme VHS não foi inspirada em Blood, isso porque tem uma personagem no anime que me lembrou demais, bem esquisita, anêmica, provavelmente por não se alimentar há muito tempo. Mas ela passa aquela sensação de mal estar conseguindo manter a forma humana e que está prestes a não aguentar e se transformar.

Todos os personagens transmitem uma essência maravilhosa, a atuação é espetacular. O horror de uma enfermeira pode ser sentido, é algo desesperador. Mas sem dúvidas a protagonista consegue roubar a cena, ela é tão ranzinza e sem paciência pras coisas, não é a típica salvadora da humanidade, na verdade é completamente impaciente.

Tem uma cena que ela tá lutando bem desesperada e grita ESPADA pra outro personagem, nossa aquilo soa de uma forma incrível demais. Porque você sente bem que ela quer muito vencer, mas não consegue, está sem saída e quando finalmente vê que o outro personagem se aproxima com uma espada, não perde tempo correndo ou explicando, essa palavra simplesmente sai a plenos pulmões, é maravilhoso!

Aliás, a construção da personagem foi boa demais, ela tem aparência de uma garota, mas é uma velha e age como uma, isso deixou muito realista. Quero dizer, existem obras como The Vampire Diaries  que os vampiros tem aparência de jovens e por isso agem como adolescentes, vão se envolver com menininhas do colegial. Mas aqui você sente muito bem que não é uma menina, é uma velha que está ali.

É difícil ver personagens construídas bem assim e que refletem a idade em sua personalidade, só estou conseguindo lembrar da criança vampira de Deixe Ela Entrar, que é perturbada e precisa achar alguém, e da Claudia de Entrevista com o Vampiro, que começa como uma criança e depois vira uma mulher completamente frustrada. E talvez o Homer de Quando chega a escuridão, que fala da frustração de parecer um menino e é bem sádico.

O impacto cultural é fantástico demais, a coisa se passa durante a época do dia das bruxas, então há uma festa e é tão bacana aquelas musiquinhas dos anos 60 e as roupas, os carros. Além disso o filme muda pra japonês e inglês dependendo dos personagens e não é aquela coisa rapidinha, tem cenas imensas em japonês e em inglês.

Aliás, fãs de O Vampiro que Ri vão se sentir em casa viu, aquele clima noturno com um toque de amargura maravilhoso tá bem presente aqui. Então essa ideia de ser imortal, mas a vida não ser nada bonitinha é vista de forma muito intensa. Acho inclusive que daria para encaixar esses dois universos bem facilmente.

A animação é linda! Cada cena tem um estilo que te faz pensar "Nossa meu, isso daria um papel de parede maravilhoso!", é simplesmente uma coisa muito bem feita. Há cenas que usam CGI, mas na maioria do tempo é animação 2D das mais belas mesmo e os poucos 3D presentes são apresentados rapidamente pra mostrar determinadas coisas.

Uma coisa muito bacana, é que se você enxergar a trama pensando na enfermeira como a protagonista, fica com um clima muito mais sombrio. Uma baita história de assombração, algo do tipo "Aconteceu naquele dia das bruxas...". E creio que no fim das contas seja exatamente isso, porque é tão curto e tem toda essa coisa de "Eu nunca saberei as respostas".

Enfim, você é apaixonado por obras com vampiros? Então essa é uma das obrigatórias, muito bem feita em inúmeros aspectos. A história é misteriosa e a velocidade da animação acaba fazendo você apenas sentir aquele impacto de "Nossa, isso foi muito bom!" e querer um pouco mais, vale a pena! Fica a dica!


2 comentários:

andre luiz disse...

Já que você gosta de vampiros queria recomendar um anime chamado shiki, que é sobre vampiros, e tem uma história bem séria e pesada. Não se deixe enganar pelo visual mais colorido e espalhafatoso dos personagens.

Iscai NM disse...

Eu assisti Shiki, só que não gostei muito não... Mas sei que é bastante amado. Mesmo assim muito obrigado pela dica. *-*