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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Abuse - Minha história com esse clássico dos jogos grátis

Sabem, eu sou completamente apaixonado pela era virtual dos anos 90. Me passa uma sensação incrível imaginar jovens internautas da época. Isso porque a sensação que tenho é de um grupo de pessoas que estava a frente de seu tempo, usando internet em uma época onde ninguém tinha computadores. Me passa uma sensação muito boa essa atmosfera de tecnologia limitada e adolescentes fazendo o que os de hoje em dia fazem, porém em um ambiente completamente retro.



Graças a isso, sinto um baita de um acaloramento no peito quando vejo certas coisas como a maravilhosa retro publicidade do jogo Strafe. Isso porque ela passa muito bem essa sensação incrível. E naquela época existiam também os próprios jogos, inclusive jogos em que você podia jogar online e tal. Tinha gente que aproveitava ao máximo o que aquele universo virtual podia oferecer.

E hoje vou falar exatamente sobre uma dessas maravilhas da internet que surgiu nos anos 90 e se tornou uma verdadeira obra clássica. No caso, é o jogo chamado Abuse, que eu tive o primeiro contato no ano 2000 e foi amor à primeira vista. Acredito que para praticamente qualquer fã de jogos da época, essa sensação era inevitável, isso porque se trata de uma obra simplesmente muito bem feita!

Eu conheci esse jogo no Superdownloads, um site lançado em 1998 voltado para o público Geek e que quando o descobri, me apaixonei demais. Isso porque hoje em dia ninguém tá nem aí pra programas, afinal de contas estamos lotados deles para todos os lados. Sendo assim, acabamos não dando bola e pra falar a verdade dá até um nervoso imaginar que teremos que instalar um programa no computador.

Mas em 2000, você tinha seu PC e uma internet limitada, o Google existia, mas ninguém conhecia, o principal mecanismo de busca era um site chamado "Cadê?" em que os donos de páginas precisavam cadastrar seus sites e fazer uma descrição dele, ou seja você procurava por algo e ao invés de achar pedaços do texto espalhados por uma página, você achava os nomes dos sites e uma descrição deles.

Sendo assim, você não tinha um monte de programas como hoje em dia, não ficava sabendo da existência deles, e a maioria era obtido em CD's de revistas cheias de softwares. Não tinha muito o que fazer em um PC, sendo assim você ter novos programas disponíveis era um alívio, era possível testar coisas que antes não eram possíveis.

Portanto quando li em uma revista sobre a existência do Superdownloads, aquilo mudou minha vida! Era um site lotado de programas e... JOGOS!!! Eu ficava louquinho olhando aquele site sempre que entrava na internet. Baixava coisas e me divertia demais testando as novas utilidades. E foi nesse site que descobri algo maravilhoso, o jogo chamado Abuse.

A história do jogo se passa no futurístico ano de 2009! Vvocê controla um homem chamado Nick Vrenna, ele foi condenado injustamente e colocado em uma prisão em que os detentos são usados como cobaias em experimentos médicos. No entanto isso acabou gerando uma revolta dos prisioneiros, que começaram a quebrar tudo. Isso fez com que um dos experimentos acabasse dando errado e saindo do controle, fazendo com que um vírus escapasse e começasse a infectar todo mundo com uma substância chamada "Abuse", transformando-os em aberrações perigosas. 

O objetivo do jogo é fugir da prisão, e para isso você tem que conseguir as armas dos guardas e sobreviver às infestações de inimigos. A jogabilidade é aquele estilo lateral onde você anda, salta, atira, ativa e desativa portas, estoura lugares com passagens secretas e resolve quebra-cabeças para passar de cada nível.

Lembram quando falei sobre as assustadoras noites de 1995 jogando Clock Tower? Pois é, naquela matéria eu cito como me foi uma surpresa ver um surival horror para super nintendo. Isso porque um para um jogo 2D causar medo, a coisa tem que ser boa. Mas Abuse também consegue assustar e o negócio é pesado, bate uma agonia enorme, mesmo sendo um jogo de ação.

Aqui você enfrenta seres que são idênticos aos Aliens, e em diversos cenários você chega a um painel e aperta o botão, mas logo depois, atrás de você cai cinco inimigos, soltando sons bizarros que parecem de tigres revoltados. As vezes eles caem na tela inteira, e alguns são realmente muito poderosos.

É bem emocionante estar correndo e quase quando estão te pegando, você aperta um botão para fechar uma porta, ou entra em um teletransporte e vai para um lugar distante. Os próprios cenários são muito bem bolados, já no começo do jogo tem uma parte que você fica em uma área onde portas abrem e fecham, e começa a atravessar, mas aí tanto na frente quanto atrás, aparecem criaturas, e a cada abrir e fechar de portas eles ficam mais perto.

O jogo tem diversas armas, mas também tem munição, você precisa coletar e saber usar nas criaturas certas. Economizar é bom, pois tem certos inimigos que realmente são muito fortes. Além das criaturas, tem as defesas do lugar que estão ativadas, a sorte é que essas máquinas assassinas também atacam os monstros, e você pode usar elas várias vezes a seu favor, como estar correndo de uma multidão de bichos e no fim ativar as defesas, fazendo chover bala do tento em cima de quem estiver embaixo.

Você ainda conta com upgrades que dão um toque espetacular à coisa, por exemplo o de super velocidade, você segura o botão direito e corre, dando grandes saltos ou mesmo passando por cima de magma e tomando dano, mas recuperando enquanto pega os itens de cura que aparecem pela frente. O jetpack também dá uma sensação bem incrível, é tudo muito bem feito.

Os gráficos então, são de brilhar os olhos, nas imagens da matéria estão uma desgraça, mas jogando fica obscuro e lindo! Efeitos de luz e sombra, explosões. A coisa é em 2D, mas é aquele visual pixelizado lindo demais, bem característico de sua época, com detalhes em alto e baixo relevo que dão um visual 3D na coisa, mas tudo pixelizado. A movimentação do personagem, o jeito dos inimigos agirem, tipo drones te perseguindo. É muito bonito o negócio, de certa forma me lembra o clássico Blackthorne, só que com um visual bem melhor.

Nome estranho, soa aportuguesado, mas foi uma das minhas grandes paixões, ao lado de outros jogos gratuitos como o inesquecível Dink SmallWood, Abuse era uma verdadeira maravilha que eu mal podia acreditar que era grátis. Isso porque era um jogo muito bem feito visualmente e com uma jogabilidade que te fazia querer jogar mais e mais.

O tempo passou e naturalmente as coisas mudaram, foi um jogo que parei de jogar, mas nunca esqueci. De tempos em tempos lembrava dele, acabava baixando vez ou outra. No entanto como é um jogo velho, acabou perdendo a compatibilidade com sistemas operacionais, na época do Windows 7 a coisa começou a ficar complicada e só quem usava coisas do tipo o DOSBox é que podia jogar. No entanto em uma época onde o entretenimento nos sufoca, eu com tanta coisa pra jogar, assistir, ler, etc, ficava complicado.

Porém em 2016 resolvi novamente dar uma olhada nesse clássico, e também pesquisar um pouco sobre essa obra que me proporcionou tanta diversão. Nossa, 16 anos depois! É mais que uma vida inteira de alguns gamers uahahaha. Eu fiquei surpreso ao acabar descobrindo certas coisas que nem ao menos imaginava.

Primeiro, o jogo é de 1996, ou seja eu coincidentemente fui dar uma olhada de novo duas décadas depois. Para minha felicidade também foi nesse mesmo ano que lançaram uma edição comemorativa de vinte anos do jogo, com suporte a Windows 7, resolução de bugs, suporte a renderização em OpenGL, novas resoluções e até mesmo suporte a controle de xbox 360.

Saber que o jogo é tão velho foi uma surpresa pra mim, eu achava que tinha conhecido ele no máximo um ano depois do lançamento, isso se não tivesse conhecido quando lançou. Mas não, o bagulho é do meio dos anos 90. O que me fez ficar bem intrigado, pois com uma jogabilidade tão polida, como diabos esse negócio era grátis?

Bom, o que aconteceu é que em 1996 ele não era gratuito, foi desenvolvido por uma empresa obscura chamada Crack Dot Com (Nome massa né? "Crack Ponto Com" em português, os piratinhas até animam uahahaha), e distribuído pela Eletronic Arts. No entanto, em 1998 a desenvolvedora decidiu distribuir o jogo em código aberto, mesmo o jogo tendo vendido 80,000. E assim fecharam as portas, meio triste né? E super bacana da parte dos caras liberar o negócio.

Outra coisa que descobri é que o jogo tinha multiplayer!!! Caramba, imagina como isso deu um nó na minha cabeça? Quero dizer, em 2003 eu passava horas jogando com um amigo meu, nós éramos fascinados por esse jogo, e poderíamos ter jogado ele online, só que ao invés disso era um do lado do outro mesmo olhando. Não sei como se acessava, mas era algo a moda antiga mesmo, via TCP/IP, um criava a partida e o outro digitava o IP e entrava.

Isso me fez imaginar a galera de 1996 usando o ICQ (um dos primeiros programas de mensagens instantâneas  da internet, que foi lançado naquele ano também) e jogando Abuse enquanto conversavam. Aquilo deve ter sido demais, bate até uma inveja dos que tiveram a oportunidade de jogar dessa forma.

Enfim, fica aí essa dica de jogo espetacular! Eu pensava que ele entraria para minha lista de jogos difíceis de digerir, já que envelheceu, Mas a jogabilidade dele continua maravilhosa e inclusive ainda consegue humilhar muitos jogos modernos desse gênero. Caso você tenha se interessado e queira dar uma conferida, pode baixar aqui. Essa é a versão de 20 anos:


4 comentários:

Vitu disse...

Tio Sky, não sei se já jogou/gostava dos jogos da falecida Maxis, mas eu realmente gostaria de uma análise do Simcopter *--- * Pra mim foi um jogo maravilhoso demais, principalmente pela "autonomia" da cidade em relação ao jogador, e como é um jogo simples, mas satisfatório de jogar! ^^

Vitu disse...

Tio Sky, não sei se já jogou/gostava dos jogos da falecida Maxis, mas eu realmente gostaria de uma análise do Simcopter *--- * Pra mim foi um jogo maravilhoso demais, principalmente pela "autonomia" da cidade em relação ao jogador, e como é um jogo simples, mas satisfatório de jogar! ^^

Iscai NM disse...

Não joguei não cara, talvez depois eu dê uma conferida, mas depende muito de ânimo mesmo, tem coisas que levam muitos anos pra eu finalmente resolver falar sobre uahahaha. Mas obrigado pela dica. *-*

Vitu disse...

Valeu! *u*