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Alone in the Dark: The New Nightmare | Survlval horror que revitalizou franquia no PS1

Eu lembro que quando esse jogo saiu em 2001 eu me apaixonei plenamente, acho que foi a primeira vez que tive algum contato com a série Alone in the Dark, se eu cheguei a ver os anteriores antes disso eu não lembro, mas a lembrança mais antiga é desse e se tornou uma das minhas séries de jogos de terror favorita.

Eu não sei bem o que foi que me fez gostar tanto desse jogo, não era simplesmente achar legal, eu lembro que era fascinado, eu ficava horas na internet procurando informações sobre e até mesmo montei um site falando dele, procurava pessoas que conheciam Alone in the Dark para conversar sobre o assunto, enfim era algo que me fazia sentir algo incrível.

Porém, tinha um problema: eu não tinha um computador que era capaz de rodar esse jogo e isso me frustrava demais, eu só podia pesquisar. Porém, eu gostava tanto desse jogo que fiz algo um tanto inusitado para poder jogar, uahahahaha. Comprei ele para PlayStation (embora eu não tivesse um) e joguei no emulador kkkkkkkkkkk, se não me engano eu tinha um controle bem bizarro para PC que não funcionava direito, aí configurei os botões mais constantes para serem usados nele (como correr e atirar), enquanto o resto (mapa, ligar a lanterna, etc.) era usado no teclado kkkkk. 
 
Na época, eu pensei algo do tipo "Caracas eu posso jogar jogos de Playstation sem ter um! Que lindo!" e era demais mesmo, afinal aquele videogame estava no topo na época e minha mãe não pretendia me dar um de maneira alguma. Hoje em dia, emuladores são as coisas mais comuns que se tem, mas naquela época eu me senti realmente underground, eu estava rodando o videogame mais popular do momento como uma gambiarra.
Claro que os gráficos não ficavam lindos como os de Playstation, mas, bom, o que importava é que eu estava me divertindo com aquilo e isso já era lindo demais. A versão para computador era infinitamente mais luxuosa, além de ter gráficos bem mais bonitos que a versão de Playstation, ainda era dublada. Eu ficava babando com a beleza da caixa quando via na loja e aquele símbolo de "Jogo em português". Na época, as caixas ainda eram aquelas de papelão que vinham com um manual grossão e um monte de coisas dentro. Não tinha começado a moda das caixinhas pequenas de DVD não, portanto era algo bem fabuloso mesmo.

Quanto ao jogo, uma coisa que na época era complicado era achar informações mais concretas, portanto o que "descobri" e pensei por muitos anos era que em cada jogo da série Edward Carnby era um tipo de reencarnação do jogo anterior e não tinham ligação, porém isso é errado, a verdade é que a trilogia original mostra o mesmo personagem, no entanto como só joguei pra valer o primeiro e o The New Nightmare(Esse é o quarto jogo) e os personagens eram completamente diferentes tanto quanto a época (O primeiro se passa nos anos 20 e o quarto em 2001) eu acreditei que o segundo e o terceiro também eram diferentes, mas isso é bem errado. A verdade é que The New Nightmare é um Reboot da série, portanto ele não tem ligação alguma.
A história se desenvolve quando Charles Fiske, amigo de Edward Carnby, morre em um lugar chamado "Ilha das Sombras". O detetive descobre que isso tem alguma coisa a ver com tábuas com antigas escritas indígenas. Ao mesmo tempo, a professora arqueóloga Aline Cedrac é enviada para o lugar para analisar as tábuas, porém, quando chegam ao lugar, o avião é atacado por uma criatura, fazendo com que os dois saltem de paraquedas e caiam em lugares diferentes.

O jogo puxa muito da trilogia original, para começar o fato de ser uma casa misteriosa para ser investigada por um homem ou uma mulher, como no primeiro Alone in the Dark, depois o amigo de Carnby é assassinado e ele vai até o lugar conferir, como em Alone in the Dark 2, e por fim há todo esse negócio de índios ligado à história, como em Alone in the Dark 3
 
No entanto, não acho que é algo que deva ser levado como cópia ou falta de originalidade em si, mas sim como o fato de que, sendo um reboot, certas ideias são pegas da história original e reagrupadas. Apesar disso, uma coisa que não vi na época, mas que atualmente, como fiquei mais crítico com as coisas, é que a história do jogo é até legal, mas a forma como ela é conduzida é um pouco vazia. 
O que quero dizer é que a história principal que você vai descobrindo é muito legal de se ver, você vai pegando aos poucos, lendo jornais, assistindo vídeos, pegando informações e vai juntando e descobrindo tudo, no entanto, quando se trata dos diálogos entre os personagens, nossa, é uma desgraça. Os personagens parecem completamente sem saber o que falar, fazem umas piadinhas infames e têm todo um teatrinho na conversa, tipo charme de namoradinhos, se fazendo de difícil por um segundo e no outro já se mostram completamente contrários ao que disseram, é bem trash kkkkkkkkkkk.

O jogo mostra duas histórias e eu acho isso fodão demais porque ao contrário do primeiro jogo, esse realmente mostra duas histórias, você até passa por caminhos iguais no entanto com objetivos completamente diferentes e você interage com o outro personagem por um rádio constantemente, às vezes tem que fazer algo pra ajudar o outro, daí se você for jogar a história com o outro, verá a versão contrária da situação, mostrando ele sendo ajudado e não ajudando, é bem legal isso, os caras trabalharam bem. Também há apresentações em CG próprias para cada personagem, diálogos e tudo mais, são realmente duas histórias.
O jogo segue o padrão de terror antigo quanto à jogabilidade, ou seja, se você for se virar para um lado, você tem que segurar o botão para o personagem girar e depois apertar o direcional para cima, para ele ir para aquele lado, também pega ângulos desagradáveis para você não ver o que tem ali, apenas ouvir o som da criatura. Há um monte de enigmas que têm que ser decifrados e todo aquele estilinho e terror em geral. Para salvar, você precisa pegar medalhões, não pode salvar na hora que quiser, se você não tiver um medalhão para isso, portanto economizar é bom, o mesmo com os kits médicos e munição, tudo é limitado.

Em 2013, eu joguei de novo, só que com a Aline Cedrac. Quando zerei a primeira vez em 2001 foi com o Edward Carnby e me senti muito tranquilo. Anos depois, comecei a jogar com a personagem feminina e fiquei impressionado em como eu NÃO conseguia passar da primeira parte porque tinha monstros. Fiquei pensando: "Caracas, como isso? Pô, eu zerei isso quando era um pirralho e agora eu não consigo passar daqui? Eu fiquei tão ruim em jogos?".
No entanto, mais para frente, parei para pensar bem e, de certo ponto, pode até ser que sim, que eu tenha ficado mole com o tempo e as facilidades do terror atual, porém levando em conta o tanto que eu era viciado nesse jogo na época, se eu não zerei com a Aline, não deve ter sido por falta de vontade, mas sim porque eu não devo ter conseguido também. Portanto, acredito que com o Edward Carnby seja como se fosse a versão normal do jogo e com a Aline Cedrac a difícil, isso porque no jogo você não começa com uma arma como o Carnby, mas sim com uma lanterna e só, isso dá um baita de um desespero quando vêm aqueles capetões para cima e só resta fugir.

O jogo tem uma série de detalhes ligados à luz e sombra, por exemplo, tem coisas que você só pode ver no escuro, outras só surgem quando há luz. Tem algumas criaturas que fogem da luz quando você liga a lanterna, e que morrem quando você liga a luz de uma sala, enquanto tem outras que são completamente invulneráveis a isso.

Enfim, quando retornei a esse game foi um baita de um prazer finalmente jogar a versão dublada desse jogo e zerar, me senti muito bem mesmo, é um dos jogos de que tenho orgulho de ter ido até o fim. Naturalmente, ficou no meu coração e sempre acabo lembrando dele. Se alguém estiver procurando um jogo com padrão antigo, está aí uma opção.