Halloween: The Game é um jogo de terror assimétrico baseado no clássico filme de 1978, colocando Michael Myers em uma caçada pelas ruas de Haddonfield, enquanto outros jogadores tentam sobreviver à noite de Dia das Bruxas. Desenvolvido pela IllFonic e distribuído pela Gun Interactive (Sim, a mesma dupla do jogo de Sexta-Feira 13), o jogo permite assumir tanto o papel do assassino quanto o de moradores que precisam escapar, proteger outras pessoas e encontrar uma maneira de enfrentar o perigo. A proposta combina perseguição, furtividade e sobrevivência, com uma campanha solo que recria os acontecimentos do longa sob a perspectiva do próprio Michael Myers.
Assumo que me empolguei de imediato assim que o jogo foi anunciado. Isso porque acho Friday the 13th: The Game um dos jogos mais injustiçados já lançados. Especialmente porque o que não falta são pessoas que nunca jogaram e simplesmente o taxam como "cópia de DBD", sendo que ele tem mecânicas muito mais robustas, com um baita leque de possibilidades, e todo mundo que vi jogar pra valer, gargalhava nas partidas. Um clima completamente diferente de DBD, que qualquer live que você entra, o povo vai tá se esculhambando e culpando o outro por coisas bobas.
A IllFonic é uma desenvolvedora independente dos Estados Unidos, fundada em 2007, com estúdios no Colorado e em Washington. O estúdio já trabalhou com outras franquias conhecidas do terror, incluindo Friday the 13th: The Game, Predator: Hunting Grounds e Killer Klowns from Outer Space: The Game. O que obviamente dá pra notar o padrão adotado. se especializou em jogos de terror assimétricos que usam filmes de horror clássicos. Enquanto a Gun Interactive também foi produtora do jogo do Massacre da Serra Elétrica.
Em Halloween, a equipe volta ao formato de terror assimétrico, mas com uma diferença importante: a ambientação não serve apenas como cenário para uma disputa entre jogadores, pois a presença dos moradores de Haddonfield também faz parte da dinâmica das partidas. E isso foi uma baita de uma surpresa pra mim. Afinal, eu tava esperando um Friday the 13th: The Game na cidade, mas com todo mundo dormindo como se tivesse dopado enquanto a gritaria e chacina rola lá fora.
Aqui, no entanto, a coisa é muito mais agitada, com a presença de moradores (que são NPCs), policiais, e até cachorros! Você deve achar pessoas em suas casas, carros ou simplesmente passeando pela rua, e convencê-las de que tem um psicopata fazendo a festa. Existe uma barra que vai carregando e você precisa fazer mini-jogos pra ser convincente. Tipo digitar uma sequência de números ou apertar o mouse na hora certa. Se conseguir, pode pedir pra ela fazer algo como se esconder, seguir você (pra te ajudar), fugir ou chamar ajuda.
Michael, por sua vez, tem uma lista de tarefas com uma penca de traquinagens que ele deve fazer no lugar, e isso inclui eliminar alguns desses moradores. Quanto mais sapequinha o Myers for, maior será a pontuação dele. Ou seja, não é simplesmente pegar os jogadores, ele mesmo tem suas coisas pra fazer enquanto dá o rolê sangrento pelo lugar. Naturalmente, tem coisas que vimos no Sexta-Feira 13, como cortar a energia e a linha de telefone de um lugar, ou usar poderes como virar um espectro sombrio pra se movimentar rapidamente pelo mapa e aparecer de surpresa.
As partidas multiplayer suportam cinco jogadores ao mesmo tempo, o jogo coloca um deles no controle de Michael Myers contra até quatro outros jogadores, que assumem o papel de Heróis de Haddonfield. Como o assassino, é possível perseguir moradores, usar a furtividade para se aproximar sem ser percebido e aproveitar habilidades especiais para espalhar o medo. Michael não precisa simplesmente correr atrás de todo mundo, já que observar os arredores e escolher o momento de atacar faz parte da caçada. Inclusive, observar já é uma habilidade. Quanto mais tempo você olha algum jogador sem atacar, mais desvantagens aplica nele.
Os personagens podem usar armas e objetos comuns para ganhar tempo, além de chamar a polícia e reforçar as patrulhas do bairro, inclusive vira uma LOUCURA o tanto de policial que você pode chamar pro lugar. Tem vezes que a rua lota! Combinado com a possibilidade possível comandar e equipar NPCs, criando oportunidades para enfrentar o assassino ou fugir, o caos se estabelece frequentemente. Essa interação com os habitantes diferencia a proposta de outros jogos do gênero, como Dead by Daylight, em que a dinâmica gira principalmente em torno dos sobreviventes e do assassino.
A ambientação se passa em Haddonfield, durante a noite de Halloween de 1978, com cenários que recriam o universo do filme original. As casas, ruas e áreas residenciais fazem parte de um sandbox de terror, no qual os encontros podem se desenrolar de maneiras diferentes conforme as ações dos jogadores e dos personagens controlados pelo computador. O game traz mortes específicas do Michael Myers, além de habilidades que ajudam a reproduzir a perseguição implacável que marca o personagem. Eu achei chatinho ter que digitar números pras execuções, mas pra quem é bom nisso, imagino que seja tranquilo.
O jogo utiliza a Unreal Engine 5 e os gráficos são mais ou menos. Levando em consideração os absurdos que esse motor gráfico consegue apresentar, o que temos aqui é algo que não é feio, são cenários LOTADOS de itens pra você vasculhar, ambientes pra se esconder e tal. Mas não é também um grande destaque ou um jogo que gera screenshots absurdas pelo realismo. Creio que a beleza fica muito mais pela quantidade de elementos visuais juntos.
Também é um daqueles jogos com a sensação de serem bugadinhos, o que pode irritar uma galera! Porém, parte disso não é pela imprecisão em si, mas sim pelo fato de que tanto o serial killer quanto as vítimas contam com fichas de atributos que variam dependendo do personagem escolhido, e dependendo das cartas presentes. Isso porque você tem um baralho que monta com cartas que compra com a pontuação feita em partidas. Isso gera efeitos como Michael apertar o botão de te pegar, e simplesmente não conseguir, porque você tem vantagens. Pra alguns jogadores isso pode parecer só que o jogo é bugado mesmo e não estão conseguindo pegar.
Porém, de fato, acho que a desenvolvedora poderia ter feito isso de um jeito melhor. Ao invés de só aparecer o movimento de pegar, e não conseguindo como se o jogo fosse impreciso, daria pra ter colocado algo mais real, como ele pegar, só que a vítima conseguir se soltar mais facilmente do que outros jogadores sem esses atributos.
Para quem prefere jogar sozinho, Halloween: The Game também conta com o Modo Massacre, uma campanha que permite acompanhar os eventos da noite de terror pelos olhos de Michael Myers. A modalidade tem uma história própria e oferece outra forma de explorar a proposta, sem depender de partidas contra outros jogadores. É um detalhe relevante para fãs da franquia que querem controlar o assassino sem precisar entrar diretamente no multiplayer. E também serve como tutorial.
Inclusive, me impressionou, porque pensei que o modo singleplayer seria uma ou duas fases. Mas são cinco fases até que bastante grandes pra quem está aprendendo a jogar e que cobrem os acontecimentos que rolam durante o primeiro filme da saga. Como é pela visão do Michael, você tem algumas coisas inéditas, como a fuga da instituição psiquiátrica, que no filme apenas aparece os personagens chegando e vendo todos os pacientes do lado de fora.
Enfim, Halloween: The Game tem elementos que podem agradar tanto aos fãs de Michael Myers que querem viver o papel do assassino quanto a quem curte terror assimétrico, perseguições e partidas cooperativas com amigos. A campanha solo também abre espaço para quem prefere explorar Haddonfield sem depender do multiplayer. É um jogo que me faz dar muitas gargalhadas, e isso é o que acho mais maravilhoso. Não é um desespero nu e cru, é algo que gera situações atrapalhadas e hilárias. No entanto, não acho que é um jogo pra todo mundo, mas se você sente que vai gostar, pode ser que curta bastante. Agora se a única coisa que te atrai é o nome do filme, mas você jamais jogaria isso se não fosse pelo título, talvez não seja mesmo pra você. O jogo foi lançado para PC (Steam), PlayStation 5 e Xbox Series X/S.
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