The Witcher | Aclamada série de fantasia sombria da Netflix

Tá aí uma série que achei meio engraçado realmente sair do papel. Vocês já devem ter visto milhares de coisas da cultura pop que um dia saiu a notícia "Vai virar série", e depois de três anos "Vai virar série", e nunca passa disso. Eu pensei que seria a mesma coisa com  The Witcher, adaptação da franquia de livros de fantasia sombria. No entanto a coisa foi relativamente rápida, a Netflix anunciou, deu pra ver notícias do andamento da coisa, alguns escândalos, mas no fim saiu certinho, e é hora da análise.

A história se passa em um universo de Dark Fantasy onde múltiplos tipos de criaturas vivem juntos, desde seres mágicos a monstros gigantes. É apresentado a história de três personagens, o caçador de monstros Geralt de Rivia, que faz serviços pagos e vaga sem rumo, a jovem princesa Cirilla, que viu seu mundo desabar após um ataque e parte em busca de Geralt para atender o último pedido de sua avó antes de falecer e a feiticeira Yennefer de Vangerberg, que se tornou o que é sem pedir e tem uma insaciável busca por poder.

Apesar da maioria das pessoas conhecer a franquia por causa de The Witcher 3, que foi o jogo que fez a coisa estourar de verdade para o povão, a coisa começou bem antes, e não estou falando de The Witcher 1, mas sim de 1986 quando os contos do bruxão começaram a aparecer, e antes dos jogos tiveram outros tipos de adaptação de The Witcher. Inclusive essa não é a primeira série, em 2002 tivemos Wiedźmin.

Durante a produção algumas informações meio controversas foram liberadas, e claro as críticas foram extremamente pesadas. Existe um certo preconceito com adaptações da Netflix especialmente por causa de obras como Death Note. Além disso muita gente ficou irada por ser baseado nos contos originais ao invés dos jogos da CD Projekt Red.

Por exemplo a empresa procurou atrizes negras para interpretar Ciri, e isso causou a ira de muita gente, enquanto outros defendiam a ideia, no fim das contas inclusive acabou gerando um mod de pele negra pra personagem em The Witcher 3. Outra polêmica também relacionada a ela quase foi a protagonista ao invés de Geralt.

Também tiveram fãs dos jogos descendo o cacete por causa das roupas e itens do personagem, por não serem iguais ao jogo. Naturalmente rolou a defesa de que como era algo baseado nos livros, tinham liberdade criativa para fazer do jeito que bem entendessem. Mas alguns fãs dizem que o problema é que já se tinha uma base visual da coisa, portanto modificar era desnecessário.

Sinceramente, no geral achei a gritaria bem desnecessária, eu não peguei muito partido de nada não. Parecia uma ideia interessante a série e eu apenas esperei pra ver no que dava. Não me incomodou a base serem os livros, assim como não me incomodaria se tivessem se baseado nos jogos. Sendo assim, assisti de mente aberta.

Naturalmente uma série medieval cara pra caramba acabou gerando uma comparação natural com Game of Thrones, pois é o tipo de obra que acabou tendo poucos concorrentes exatamente pela ousadia de um orçamento caro assim. A maioria das obras medievais saem com aquele visualzinho meio "Eles estão fantasiados, né?" e com um clima mais "aventura pra família assistir no domingão", tipo Merlin. Agora séries medievais como Camelot são raras. E GOT deixou um legado que esperava o momento de uma série que cobrisse esse buraco.

E The Witcher pareceu ser algo do tipo, porém acaba não tendo uma trama tão profunda exatamente porque o modelo original da coisa segue o estilo Sword and Sorcery, que é aquele tipo de história de um herói solitário em um mundo misterioso onde se depara com desafios. E naturalmente isso acaba puxando para o lado de episódios com o formato "Aventura do dia", porém acaba não sendo no estilo Merlin também, mas sim algo híbrido.

A história varia entre os três personagens, sendo que normalmente Geralt tem foco com algum lugar novo. Já as cenas de Ciri, sinceramente eu achei bem cansativas, com a primeira temporada inteira mostrando ela fugindo. E, na minha opinião as cenas de Yennefer foram as melhores, pois pareceu uma história que se desenvolveu melhor.

Por outro lado acho que os três poderiam ter um pouco mais de carisma. Geralt até que tem uma desculpa, já que o personagem é pra ser um experimento que dizem não ter emoções. A Yennefer tem uma ótima história e é bacana a ideia de que o passado injusto dela não a tornou uma coitada, muito pelo contrário, porém fica aquele climinha de "Quero mostrar que sou uma gata rebelde!" ao invés de uma essência própria. Parece muito mais que a história dela carrega a personagem do que a personagem faz a história ser interessante. Já a Ciri, nossa... As cenas dela na primeira te mporada eu rezava pra acabar porque eram todas iguais.

Um detalhe super interessante, mas que pode confundir demais as pessoas na primeira temporada é a forma que as linhas temporais são apresentadas. Não é uma série que cada episódio é continuação do outro, ao invés disso você tem que ficar atento para entender o momento em que as coisas estão acontecendo e encaixar no local certo.

A série é um pouco mais digerível que Game of Thrones, tem menor foco em trama política, e a própria fotografia usada tem um aspecto mais caloroso, com cores mais fortes, o que tira parte da atmosfera sombria e acinzentada que séries mais maduras costumam ter. No entanto isso não quer dizer que também seja uma série família, apenas é um pouco mais leve.

Sendo assim, aqui temos brutalidade desnecessária, injustiça, o "herói" não liga nem um pouquinho em cobrar caro pra fazer seus serviços, há nudismo, palavreado chulo. Enfim, é uma série que definitivamente não é pra assistir com a criançada não, mas o clima de fantasia sombria é também bastante amenizado por certos aspectos.

Achei a trama boa, podia ter sido um pouco mais profunda, poderiam ter algumas mortes de personagens principais pra dar uma apimentada, mas considerei pouquíssimos os vacilos que desmerecem a coisa. O único que realmente achei uma tosqueira total foi um beijo do Geralt com a Yennefer no meio do combate enquanto ele solta uma magia, bem ao estilo "Vem cá gata, vamos nos beijar nesse momento inoportuno e ao mesmo tempo solto poderes, sou demais, não acha?". Eu e meu amigo tivemos uma crise de riso quando isso aconteceu e só conseguimos parar bem depois que a cena de ação inteira passou, pois era simplesmente tosco demais que não tinha explicação pra uma coisa assim acontecer.

O visual geral é bastante bonito, os efeitos especiais variam um pouco. Não chegaram a me impressionar, a maioria é bem decente, porém tem vezes que a coisa passa aquela sensação rápida de CGI, não do tipo horroroso, mas que te dá aquele certo incômodo da coisa ser obviamente falsa. Graças a isso não dá pra dizer que é impecável.

O mesmo serve para os cenários, em Game of Thrones vemos uma penca de cenários falsos feitos por computador, e aqui temos muito disso também, porém enquanto lá a coisa é super natural (Talvez pela fotografia acinzentada), em The Witcher alguns dos ambientes surreais te fazem perceber rapidamente onde começa o fundo verde e isso causa certo incômodo.

Enfim, achei uma série muito boa, não me deixou completamente viciado, porém me deixou bem satisfeito. Cada episódio foi gostoso de assistir, um ótimo passatempo. Talvez seja um pouco difícil para alguns se acostumarem com o rosto do Henry Cavill como Geralt porque ele deixou uma forte marca em O Homem de Aço, mas acho que ficou muito adequado. Recomendo!

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