Blair Witch | Jogo maravilhoso que foi uma verdadeira surpresa!

Alguns de vocês devem saber que eu sou maravilhado com A Bruxa de Blair, e na real, acho que qualquer um que gosta de histórias sobre bruxaria fica encantado facilmente, afinal de contas nele é contado uma história de uma maneira mais séria, sem aparecer uma velha em uma vassoura ou qualquer outro clichê, mas sim envolvendo algo pesadão. E o jogo de 2019 foi uma surpresa pra provavelmente todo mundo.


A história se passa em 1996, quando um garoto de 9 anos de idade, habitante da cidade de Burkittsville, desaparece. A polícia começa uma busca e o ex-policial chamado Ellis decide que talvez seja bom ajudar, pois tem um cão farejador. No entanto à medida em que entra na floresta, coisas estranhas começam a acontecer.

Esse jogo definitivamente foi uma surpresa absurda, afinal de contas esse é o tipo de franquia que é complicado se adaptar para jogo, ainda mais tantos anos depois. Quero dizer, não é uma surpresa quando franquias épicas como Harry Potter, Senhor Dos Anéis e Star Wars recebem anúncios, isso porque são máquinas de fazer dinheiro e têm um público monstruoso. Apesar de Bruxa de Blair não ser underground, ele é um mockumentary, portanto um filme de nicho e que nem todo mundo suporta.

Mas de repente na E3 de 2019 chegou a Bloober Team, criadora de Layers of Fear, anunciou e já marcou o lançamento para poucos meses depois. Além disso surpreendeu com o visual fantástico apresentado  e atmosfera pesadona, parecendo ser um jogo bastante diferenciado, o que é mais surpreendente ainda, afinal de contas dá pra ver no jogo do sexta-feira 13 que quando uma obra dessas sai, é devido ao amor dos fãs, mas falta orçamento. Mas esse a coisa foi diferente!

Porém, vamos por partes né? Afinal de contas, embora a maioria das pessoas só saiba da existência do filme de 1999, a verdade é que um folclore cinematográfico foi criado e há muito mais. Inclusive o próprio mundo dos jogos não foi explorado pela primeira apenas vinte anos depois. Na época do filme original tivemos o lançamento do jogo Rustin Parr, que deu origem a uma trilogia de jogos da Bruxa de Blair.

A verdade é que também foi uma grande surpresa ver esses jogos sendo lançados na época, ainda mais três de uma vez, porém duas décadas depois conseguiram surpreender novamente com mais um lançamento, isso porque naquela época ao menos tinha a desculpa de que é porque o filme estava sendo falado. E não dá pra contar muito com o filme de 2016 né? Aliás, quem sabe não tenha sido ele que empolgou a desenvolvedora a fazer o jogo?

Mas bom... Além do primeiro filme, a produção lançou a mitologia da Bruxa de Blair, que apresentava uma penca de elementos extras, como a história de um sanatório, o relato do julgamento de um homem que foi usado pela bruxa e sequestrava crianças, o pavor das pessoas do vilarejo de Blair com a bruxa da floresta, essas coisas.

E o jogo absorve bastante dessa mitologia, se você ler ela antes, certamente irá identificar elementos quando jogar. Por exemplo, tem um momento em que você ouve uma entrevista em um rádio, e a apresentadora fala com um cara que é obcecado por um documentário em preto e branco. Logo se percebe que ele está falando do documentário que você pode ver partes se for ver a mitologia.

Também senti uma certa inspiração de A Bruxa de Blair 2, em que há um bom foco na manipulação de vídeos, coisa que vemos claramente na mecânica do jogo, se tornando algo essencial. E apesar de não ser um filme maravilhoso, ele tem certos aspectos interessantes, e foram exatamente eles que foram pegos para colocarem no jogo.

Normalmente esse tipo de jogo é bem previsível, você entra em um lugar, tem o capetão, você tem que fugir. É natural se imaginar isso para algo que tenha a fórmula de Mockumentary, especialmente algo baseado no filme que lançou a moda. Então acho que se eu não tivesse visto trailer, mas apenas um aviso de que teria um jogo, rapidamente pensaria em uma versão de Slender: The Arrival com melhores gráficos.

E a coisa piora ainda mais com o fato de que o ambiente é uma floresta né? Afinal de contas a variação de elementos acaba sendo naturalmente baixa. No entanto acho que a equipe pensou exatamente isso e quis fazer um diferencial, e se eles não pareciam tão inspirados em Layers of Fear 2, talvez tenha sido porque colocaram tudo na Bruxa de Blair, que saiu fantástico demais!

Um dos maiores diferenciais é a presença do cachorro Bullet, que te acompanha por toda a jornada e que faz parte da mecânica. Você dá ordens pra ele, fazendo-o localizar coisas pra você, seja itens, seja a direção que precisam ir. Mas ele também tem medo e reações próprias às coisas, então vocês se ajudam durante a jornada.

Por exemplo, Bullet tem medo das urucubacas que vocês encontram pelo caminho, e assim você precisa quebrá-las. Ele também se comporta como um cachorro normal, então às vezes faz coisas engraçadas como se tacar no chão e começa a arrastar as costas nas folhas, corre na sua frente, o que às vezes dá um nervoso. Você precisa controlá-lo, chamar quando necessário, dar bronca, pedir pra ficar perto de você.

Diferente do que se é de esperar, os combates estão presentes no jogo, é usada a fórmula que vemos em jogos como Alone in the Dark: The New Nightmare e Alan Wake, que é o combate com luz.E aqui temos seres que de repente começam a vagar ao redor dos personagens. Bullet late e mira na direção, você usa a lanterna para afastá-los.

Ter um fone de ouvido realmente faz a diferença, pois esses momentos são frenéticos. As criaturas são quase invisíveis, e Bullet fica muito nervoso, latindo para todos os lados, é fácil se perder. Então poder ouvir onde o monstro está é de grande ajuda, pois fica mais simples ter uma noção e procurar. Naturalmente fica mais assustador também.

Também tem a mecânica de itens usados, o rádio, que você pode tentar entrar em contato com o resto da equipe de buscas e trocar informações, e o celular, que o sinal vai e volta e você pode entrar em contato com sua ex-esposa, ler mensagens (algumas bem bizarras) e até mesmo jogar joguinhos clássicos de celular.

Aliás, é bem fantástico terem adaptado em 1996, lembrando que os jovens do filme original desaparecem em 1994 e um ano depois a polícia acha as gravações. E enquanto você ouve os policiais conversando, é possível ouvir detalhes sobre o que pensam do lugar e como alguns acreditam que é amaldiçoado.
A narrativa também é muito bacana. Por mais que seu companheiro seja só um cachorro, a possibilidade de se comunicar com outros personagens faz com que tudo pareça muito mais fluído. Você não é um personagem mudo. A voz de Ellis é ouvida o tempo todo, e assim você vai descobrindo o passado dele.

Eu gostei também muito de como a jogabilidade varia, é cheio de puzzles para serem resolvidos, e o jogo brinca com você, de repente você está no meio da noite, em um ambiente super tenso e aí do nada, se vê no meio do dia, com o som tranquilo da floresta. Até a mecânica de enfrentar inimigos dá uma variada às vezes.

Com as fitas que você encontra é possível manipular a realidade, se tem uma árvore caída no meio do seu caminho e você tem uma fita mostrando ela caindo, basta voltar para o momento em que ainda está em pé e pausar, depois disso a árvore vai desaparecer do seu caminho e você poderá passar. O mesmo serve para objetos que não estavam em um lugar a aparecem se você deixar a fita no momento certo.

Os gráficos estão surreais, bonitos mesmo! Uma das coisas que acho mais difícil de ver bonitas em jogos são árvores. É só ver jogos como Ghost Recon Wildlands, que tem gráficos maravilhosos, mas as árvores parecem ter um monte de papel pendurado que são as folhas. Já em Blair Witch tem momentos que o visual tá fotorealista.

Enfim, jogo super bacana, uma bela surpresinha e que pode entreter bastante aqueles que procuram por um terror diferenciado. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na steam, às vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

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