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Zombi | Um sombrio roguelike simulador de apocalipse zumbi esquecido da Ubisoft

Para quem não sabe, Zombi U foi inicialmente lançado como um jogo exclusivo para Nintendo Wii U, tendo como grande atração a sua mecânica que usava como elemento principal o controle daquele console, fazendo o jogador ter que constantemente usá-lo como se fosse um acessório real do personagem, e tornando assim as coisas incríveis. Tanto pelo nome quanto pelo controle feito especialmente para o Wii U, o jogo parecia ser impossível para outras plataformas, porém com o fim do contrato de exclusividade a Ubisoft decidiu lançá-lo para Xbox One, Playstation 4 e PC, algo que chamou muito a atenção e despertou a curiosidade.
 
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A história se passa durante o apocalipse zumbi em Londres, para quem assistiu os filmes da incrível franquia Extermínio certamente vai se sentir em casa ao poder controlar o personagem por esse ambiente. Mas a trama não tem foco no seu personagem e sim em algo misterioso envolvendo um homem que se autointitula "O Estrategista" e diz que já sabia que esse acontecimento ocorreria, portanto estava preparado.

Então aqui você é só mais um que acabou parando no meio de todo esse caos e enquanto fugia,  ouviu uma voz saindo de um fone em um prédio. E assim passa a ser guiado por essa voz que te filma constantemente e dá dicas sobre como sobreviver, o que você tem que fazer, além de vários outros detalhes.

Tenho que assumir que a primeira vez que vi Zombi U, olhei bem torto, achei esse nome horroroso e forçado demais, porém achei sim legais os controles só que como eu não pensava em ter um Wii U, não foi algo que fui muito atrás. E assim veio a grande surpresa com o lançamento dele para outras plataformas, se tornando assim apenas "Zombi", o que deu uma certa sensação de que o nome tinha sido cortado ao meio.

A jogabilidade é realmente bem legal, um jogo charmoso. É verdade que não é algo assim que se pode chamar de um jogo inovador sobre mortos vivos (não em um console que não seja o Wii U), mas ainda assim é aquele tipo de jogo gostoso de se aproveitar, passar o tempo. Uma atmosfera pesada, porém não algo de fazer você cuspir o coração pra fora, como o medonho Monstrum, algo mais pra um jogo que você se sente inquieto, porém capaz.

Esse é um daqueles títulos que faz uma boa simulação da vida de sobrevivente como o imersivo Project Zomboid e o gigantesco State of Decay. No entanto enquanto o primeiro jogo citado está mais para jogo em cidade pequena e o segundo tem mais um clima de sobrevivência na área rural, esse aqui fica voltado para um clima urbano e noturno, existe uma tensão a mais na coisa.

Você vive em um abrigo onde tem sua cama e coisas guardadas, além de eletricidade que é gerada graças a preparação do Estrategista, no entanto ainda é preciso conseguir suprimentos e eles estão espalhados pela cidade, para isso você precisa constantemente sair e procurar por coisas, vasculhar áreas e ir além cada vez mais, abrir caminhos e se preparar para o pior.

Você conta com um aparelho especial que te permite fazer uma série de coisas como escanear a área em busca de elementos coisas interessantes que podem ser marcadas, hackear determinados aparelhos eletrônicos e usar um radar que é capaz de detectar algumas coisas. Esse aparelho é uma adaptação do controle do Wii U e se você sabe da existência dele ou até mesmo jogou a versão original do jogo, acaba sendo inevitável não fazer comparações e pensar em como deve ser incrível a liberdade.

🧟‍♂️Resident Evil Marhawa Desire é raro e faz fãs entrarem no tapa pra ter
 
O negócio é que existem tantas coisas oferecidas por esse tablet e imaginar que você realmente aponta ele para os lugares em busca de coisas e constantemente o consulta, acaba tornando uma experiência imersiva que é retirada em outros consoles. Toda aquela sensação de você realmente estar com aquilo na mão e poder olhar pra ele e consultá-lo não está aqui.

O Estrategista é outro elemento interessante do jogo, como o cara se preparou para os acontecimentos, você vai descobrindo aos poucos quem ele é e o motivo de saber que aconteceria, além de que ele te observa o tempo todo, te dá informações e guia, é fantástica essa sensação, as coisas que ele pode fazer e como podem te surpreender. Li que no Wii U a voz dele não sai da TV, mas sim do controle, então imaginem que fantástico?

Um outro detalhe interessante e exatamente o que deixa a sensação de ser um sobrevivente realmente como um simulador é o fato de que se o seu personagem morrer, acabou. Um novo personagem é gerado e você precisa começar com ele, e pode inclusive achar o corpo do seu personagem antigo transformado em zumbi, e se matá-lo é possível pegar suas coisas de volta.

Graficamente o jogo é legal, mas não é exatamente o que se pode dizer que é uma maravilha. O gráfico é básico voltado para o lado bonito. Daquele tipo que você não para pra admirar as coisas nem nada, mas também não se incomoda, algo neutro, o típico "bonitinho" que para a maioria é o suficiente, mas que para uns poucos que exigem mais da coisa pode acabar sendo um ponto fraco do jogo.

Enfim, Zombi é um jogo bem legal para se passar o tempo, ele é divertido, tem seus elementos e seus momentos. Mas se forem jogar e tiverem a oportunidade de jogar a versão do Wii U, recomendo demais, a experiência pode dar um salto de um jogo legal para um jogo espetacular! Mas mesmo assim pode gerar muita diversão em qualquer versão, então fica essa dica, confira se ele roda em seu PC.
 
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Sobre games de zumbis

Os zumbis fazem parte da cultura pop há muitas décadas e passaram por várias transformações ao longo do tempo. Muito antes de dominarem os videogames, eles já apareciam em filmes, livros e histórias em quadrinhos. Um dos maiores marcos aconteceu em 1968, com o lançamento de Night of the Living Dead, de George A. Romero, que ajudou a definir a imagem do morto-vivo moderno. Depois vieram clássicos como Dawn of the Dead, Day of the Dead e muitas outras produções que fizeram o tema crescer cada vez mais.

Quando os videogames começaram a evoluir, era apenas uma questão de tempo até que os zumbis encontrassem espaço nesse novo tipo de entretenimento. Nos primeiros anos, as limitações do hardware faziam com que os inimigos fossem representados de maneira simples, mas ainda assim o conceito de enfrentar mortos-vivos já despertava curiosidade. Jogos de ação, aventura e até arcade começaram a usar criaturas inspiradas em filmes de terror, criando experiências que misturavam tensão e diversão.

Durante os anos 80, alguns títulos passaram a explorar esse universo de forma mais direta. Zombie Zombie, lançado em 1984, é lembrado como um dos primeiros jogos focados no tema. Pouco depois apareceram produções como Zombi, da Ubisoft, baseado no filme Dawn of the Dead, além de experiências em computadores como ZX Spectrum, Commodore 64, Amiga e Atari ST. Mesmo com gráficos simples, essas obras mostravam que o terror podia funcionar muito bem em um videogame.

A década de 90 foi um divisor de águas para os jogos de zumbi. Em 1996, a Capcom lançou Resident Evil, dirigido por Shinji Mikami, um jogo que praticamente definiu o gênero conhecido como survival horror. A mansão da S.T.A.R.S., os experimentos da Umbrella Corporation, os laboratórios secretos e criaturas como Hunters, Cerberus, Lickers e Tyrants transformaram a série em uma referência mundial. Depois vieram Resident Evil 2, Resident Evil 3: Nemesis, Resident Evil Code: Veronica, Resident Evil Zero e muitos outros capítulos que expandiram esse universo.

Enquanto isso, outras franquias também apostavam nos mortos-vivos. The House of the Dead, da Sega, levou os zumbis para os fliperamas com muita ação usando pistolas de luz. O sucesso foi tão grande que recebeu continuações, versões para consoles e até adaptações para o cinema. Outro nome importante foi CarnEvil, arcade conhecido pelo clima de parque de diversões macabro, além de jogos como Night Slashers, que misturavam beat 'em up com monstros clássicos do terror.

No começo dos anos 2000, o gênero passou a explorar mundos maiores e histórias mais elaboradas. A série Silent Hill até apresentava monstros de outro tipo, mas ajudou a fortalecer o interesse por jogos de terror. Ao mesmo tempo surgiram títulos como The Suffering, ObsCure, Cold Fear, Stubbs the Zombie in Rebel Without a Pulse e Land of the Dead: Road to Fiddler's Green. Cada um oferecia uma visão diferente sobre o apocalipse zumbi, variando entre terror psicológico, humor e ação intensa.

Em 2004, Resident Evil 4 revolucionou a forma de jogar ao trazer uma câmera posicionada sobre o ombro do personagem. Embora seus inimigos fossem os Ganados, e não exatamente zumbis tradicionais, o jogo influenciou praticamente toda a indústria. Muitos títulos passaram a seguir esse estilo de câmera e combate, mostrando como o tema continuava evoluindo sem abandonar suas raízes.

Outra franquia extremamente importante surgiu em 2006 com Dead Rising. Produzido pela Capcom, o jogo colocou milhares de zumbis ao mesmo tempo na tela, aproveitando o poder do Xbox 360. O jornalista Frank West enfrentava hordas enormes dentro de um shopping, utilizando praticamente qualquer objeto como arma. Bancos, tacos de beisebol, motosserras, cadeiras, panelas e brinquedos podiam virar ferramentas de sobrevivência. Depois vieram Dead Rising 2, Dead Rising 3 e Dead Rising 4.

A Valve também deixou sua marca com Left 4 Dead e Left 4 Dead 2. Em vez de focar apenas no terror, os jogos apostavam na cooperação entre quatro sobreviventes enquanto enfrentavam hordas gigantescas de infectados. O sistema chamado Director fazia cada partida acontecer de forma diferente, mudando a quantidade de inimigos, os itens disponíveis e até o ritmo da aventura. Personagens especiais como Tank, Witch, Hunter, Smoker, Boomer, Charger, Jockey e Spitter ficaram famosos entre os jogadores.

Com o crescimento dos jogos online, surgiram experiências voltadas para sobrevivência em mapas abertos. DayZ, inicialmente um mod de ARMA 2, tornou-se um fenômeno ao colocar jogadores para disputar recursos enquanto enfrentavam infectados. Logo apareceram títulos como Project Zomboid, State of Decay, State of Decay 2, 7 Days to Die, Survivalist, Dead State, How to Survive e muitos outros que misturavam construção de base, fome, sede, doenças e administração de recursos.

O sucesso dos jogos independentes também trouxe novas ideias. Project Zomboid chamou atenção pelo enorme nível de detalhes na sobrevivência. O jogador precisa cuidar da alimentação, do sono, da saúde mental, dos ferimentos e até do barulho que faz ao explorar casas abandonadas. Já Death Road to Canada misturou humor com elementos de RPG, enquanto Organ Trail transformou a clássica jornada de The Oregon Trail em uma aventura cheia de mortos-vivos.

Nem todo jogo de zumbi busca assustar. Plants vs. Zombies, lançado pela PopCap Games, transformou o tema em um divertido jogo de estratégia. Em vez de soldados ou sobreviventes armados, quem defendia a casa eram plantas como Peashooter, Sunflower, Wall-nut, Cherry Bomb e Repeater. O enorme sucesso fez nascer continuações como Plants vs. Zombies 2 e a série Plants vs. Zombies: Garden Warfare, que levou o universo para batalhas em terceira pessoa.

Os zumbis também apareceram em diversos modos extras dentro de franquias famosas. A série Call of Duty conquistou milhões de jogadores com o modo Zombies, iniciado em Call of Duty: World at War. Depois ele voltou em títulos como Black Ops, Black Ops II, Black Ops III, Black Ops 4, Black Ops Cold War, Vanguard e outros capítulos. O modo ganhou mapas elaborados, armas especiais, Easter Eggs, personagens marcantes e uma história própria que virou praticamente outra franquia dentro da série.

Outra adaptação importante veio da televisão. The Walking Dead, baseado nos quadrinhos de Robert Kirkman, ganhou jogos da Telltale Games que ficaram conhecidos pelo foco nas escolhas do jogador e pelo relacionamento entre Lee Everett e Clementine. A franquia também recebeu jogos como The Walking Dead: Survival Instinct, The Walking Dead: Saints & Sinners em realidade virtual e outras produções inspiradas nesse universo.

Filmes também deram origem a adaptações. A série World War Z recebeu um jogo focado em hordas gigantescas de zumbis que escalam paredes e invadem cidades em grandes quantidades. Já Evil Dead: The Game trouxe personagens clássicos da franquia criada por Sam Raimi, misturando cooperação e confronto entre sobreviventes e criaturas demoníacas.

Nem sempre os inimigos são chamados de zumbis. Em Dying Light, os infectados dividem espaço com criaturas extremamente rápidas durante a noite, incentivando o uso de parkour. Em Days Gone, os Freakers formam enormes hordas que podem perseguir o jogador por longas distâncias. Já em The Last of Us, da Naughty Dog, os infectados surgem por causa do fungo Cordyceps, criando Clickers, Runners, Bloaters, Shamblers e outras variações. Apesar das diferenças na origem das criaturas, muitos jogadores enxergam essas obras como parte da grande tradição dos jogos de zumbi.

Existem ainda experiências focadas em tiro puro, como Zombie Army Trilogy, Zombie Army 4: Dead War, Killing Floor, Killing Floor 2, No More Room in Hell, Dead Island, Dead Island 2, Back 4 Blood, Arizona Sunshine, Into the Radius e vários jogos para realidade virtual. Outros misturam elementos de RPG, crafting, exploração, furtividade e mundo aberto, mostrando como o tema consegue funcionar em praticamente qualquer gênero.

Até franquias que normalmente não são de terror já fizeram suas próprias versões envolvendo mortos-vivos. Séries como Red Dead Redemption, com a expansão Undead Nightmare, provaram que o tema combina até com o Velho Oeste. Jogos como Minecraft incluem zumbis entre seus inimigos mais conhecidos, enquanto títulos de estratégia, ação e sobrevivência continuam usando essas criaturas de maneiras diferentes.

Os jogos de zumbi permanecem populares porque conseguem reunir muitos elementos que agradam diferentes tipos de jogadores. Há espaço para terror, ação, exploração, sobrevivência, construção de bases, cooperação, mundo aberto, RPG, furtividade e narrativa. Cada nova geração de consoles e computadores encontra formas diferentes de representar o apocalipse, seja com gráficos mais detalhados, inteligência artificial mais avançada ou mapas muito maiores.

Essa variedade explica por que o tema atravessa tantas gerações sem perder força. Dos primeiros computadores aos consoles modernos, dos fliperamas aos jogos independentes, dos survival horror clássicos aos grandes mundos abertos, os mortos-vivos continuam inspirando aventuras memoráveis. Seja enfrentando um único corredor escuro em Resident Evil, escapando de uma horda em Left 4 Dead, administrando recursos em Project Zomboid ou explorando cidades devastadas em Dying Light e Days Gone, os jogos de zumbi seguem ocupando um lugar especial na história dos videogames.