A Noite dos Mortos-Vivos é uma daquelas obras que ajudaram a transformar os zumbis naquilo que a cultura pop conhece hoje. O filme dirigido por George Romero em 1968 colocou mortos-vivos famintos por carne humana no centro do terror e ajudou a estabelecer uma porrada de elementos que acabaram virando padrão no gênero. A DarkSide Books reuniu essa história em uma edição comemorativa de 50 anos que tem uma característica capaz de fazer qualquer colecionador parar e olhar duas vezes para o livro. Tem um buraco atravessando ele inteiro. Sim, um buraco de verdade. Porque aparentemente alguém olhou para um livro de zumbis e pensou que estava faltando uma bala atravessando a cabeça.
A ideia é transformar a própria edição em uma espécie de vítima de ataque zumbi. O furo atravessa todas as páginas e tem mais ou menos a grossura de um lápis, criando um detalhe completamente fora do padrão para um livro. Na capa, ele aparece exatamente no meio da testa de um zumbi, como se o sujeito tivesse levado um tiro e decidido continuar posando para a sessão de fotos. É uma solução extremamente simples na teoria, mas que dá à edição uma aparência que dificilmente seria confundida com qualquer outra versão de A Noite dos Mortos-Vivos.
O adblock bloqueia links de afiliados da Amazon como os desse post, então se não estiver aparecendo, é só desativar o adblock.
A ideia é transformar a própria edição em uma espécie de vítima de ataque zumbi. O furo atravessa todas as páginas e tem mais ou menos a grossura de um lápis, criando um detalhe completamente fora do padrão para um livro. Na capa, ele aparece exatamente no meio da testa de um zumbi, como se o sujeito tivesse levado um tiro e decidido continuar posando para a sessão de fotos. É uma solução extremamente simples na teoria, mas que dá à edição uma aparência que dificilmente seria confundida com qualquer outra versão de A Noite dos Mortos-Vivos.
E o negócio fica ainda mais divertido quando o livro é aberto. Como o buraco continua no mesmo lugar em todas as páginas, ele acaba interagindo com as ilustrações de maneiras diferentes. Em uma página pode parecer que atravessou a cabeça de um personagem, em outra pode cair sobre algum objeto e, em uma composição de duas páginas, pode aparecer exatamente na região das pupilas de um rosto dividido entre os dois lados do livro. O resultado é aquele tipo de detalhe que faz você folhear as páginas não apenas para saber o que acontece na história, mas para descobrir qual será a próxima vítima do tiro.
Isso também transforma a leitura em uma pequena brincadeira visual. Você abre uma página e imediatamente começa a procurar o buraco para descobrir o que ele acertou. Será que atravessou uma imagem no lugar perfeito? Vai aparecer entre duas palavras? Vai cair em cima de uma ilustração? E quando ele aparece sobre um elemento visual importante, dá aquela sensação de que alguém planejou a cena inteira ao redor da perfuração. É um livro que praticamente criou seu próprio caça ao tesouro, só que o tesouro é descobrir onde diabos foi parar o rombo da bala.
Pensando na produção, dá até para imaginar o nível de dor de cabeça que isso deve ter causado. Fazer um furo atravessar 256 páginas parece uma ideia muito simples até alguém lembrar que existem palavras, imagens, margens, ilustrações e tudo mais no caminho. Não dá para simplesmente meter a broca no livro e torcer para não arrancar metade de uma frase. Cada página precisa funcionar com aquele buraco exatamente naquela posição, o que faz a própria diagramação virar uma espécie de campo minado editorial. Um erro pequeno e você pode acabar com uma frase levando um tiro no meio da testa.
E o mais engraçado é que esse detalhe não serve apenas para deixar a edição bonita na estante. Como o furo tem tamanho suficiente para permitir que alguma coisa fina seja colocada através dele, existe até espaço para brincar com a própria apresentação do livro. Um lápis atravessado, por exemplo, pode transformar a capa em um zumbi que levou um negócio espetado na cabeça. É um daqueles objetos que naturalmente chama atenção quando fica exposto junto de outros livros de terror, porque ninguém olha para uma estante e pensa que aquele exemplar resolveu literalmente chegar baleado.
Por dentro, a edição reúne as histórias de John Russo relacionadas ao universo criado com George Romero. O livro apresenta A Noite dos Mortos-Vivos e A Volta dos Mortos-Vivos no mesmo volume, formando uma experiência diferente da simples reprodução do roteiro do filme. A publicação brasileira tem 256 páginas, capa dura e tradução de Lucas Magdiel, além das ilustrações exclusivas de Danilo Beyruth, artista conhecido por trabalhos como Bando de Dois e Astronauta.
A participação de John Russo também ajuda a entender por que esse livro tem uma ligação tão direta com o clássico de 1968. Russo foi roteirista de A Noite dos Mortos-Vivos ao lado de Romero e também aparece no próprio filme em uma pequena participação como zumbi. A carreira dele ainda inclui trabalhos como Midnight e The Return of the Living Dead, além de livros sobre cinema e produção cinematográfica.
O filme de Romero mudou bastante a imagem que o público tinha dos mortos-vivos. Em vez de simplesmente reproduzir aquela ideia mais ligada às histórias de vodu e às antigas produções de terror, A Noite dos Mortos-Vivos colocou criaturas que avançavam sobre os vivos em busca de carne humana. A transformação foi tão marcante que várias características associadas aos zumbis modernos acabaram se tornando parte permanente da cultura pop. A própria ideia de destruir o cérebro como maneira de lidar com essas criaturas virou uma das regras mais conhecidas do gênero.
Também existe uma camada social e política muito forte na obra original. O filme surgiu em um período de enormes tensões nos Estados Unidos e colocou Duane Jones como protagonista, uma escolha especialmente marcante para o cinema americano daquele período. A Noite dos Mortos-Vivos conseguiu fazer o terror funcionar como terror mesmo enquanto carregava comentários sobre medo, violência, conflito e comportamento humano. Só que tudo isso acontece enquanto tem um monte de cadáver querendo comer gente, então ninguém precisa transformar a sessão de cinema em uma palestra de três horas.
A edição da DarkSide funciona tanto como livro quanto como objeto de coleção. O conteúdo recupera uma história fundamental para o gênero zumbi, enquanto o projeto gráfico trata o próprio volume como parte da brincadeira. A capa dura, as ilustrações de Danilo Beyruth e, principalmente, o furo atravessando cada página fazem com que a edição tenha uma personalidade própria. É difícil imaginar uma forma mais literal de pegar um livro chamado A Noite dos Mortos-Vivos e fazer parecer que ele passou a noite inteira cercado por eles.
Isso também transforma a leitura em uma pequena brincadeira visual. Você abre uma página e imediatamente começa a procurar o buraco para descobrir o que ele acertou. Será que atravessou uma imagem no lugar perfeito? Vai aparecer entre duas palavras? Vai cair em cima de uma ilustração? E quando ele aparece sobre um elemento visual importante, dá aquela sensação de que alguém planejou a cena inteira ao redor da perfuração. É um livro que praticamente criou seu próprio caça ao tesouro, só que o tesouro é descobrir onde diabos foi parar o rombo da bala.
Pensando na produção, dá até para imaginar o nível de dor de cabeça que isso deve ter causado. Fazer um furo atravessar 256 páginas parece uma ideia muito simples até alguém lembrar que existem palavras, imagens, margens, ilustrações e tudo mais no caminho. Não dá para simplesmente meter a broca no livro e torcer para não arrancar metade de uma frase. Cada página precisa funcionar com aquele buraco exatamente naquela posição, o que faz a própria diagramação virar uma espécie de campo minado editorial. Um erro pequeno e você pode acabar com uma frase levando um tiro no meio da testa.
E o mais engraçado é que esse detalhe não serve apenas para deixar a edição bonita na estante. Como o furo tem tamanho suficiente para permitir que alguma coisa fina seja colocada através dele, existe até espaço para brincar com a própria apresentação do livro. Um lápis atravessado, por exemplo, pode transformar a capa em um zumbi que levou um negócio espetado na cabeça. É um daqueles objetos que naturalmente chama atenção quando fica exposto junto de outros livros de terror, porque ninguém olha para uma estante e pensa que aquele exemplar resolveu literalmente chegar baleado.
Por dentro, a edição reúne as histórias de John Russo relacionadas ao universo criado com George Romero. O livro apresenta A Noite dos Mortos-Vivos e A Volta dos Mortos-Vivos no mesmo volume, formando uma experiência diferente da simples reprodução do roteiro do filme. A publicação brasileira tem 256 páginas, capa dura e tradução de Lucas Magdiel, além das ilustrações exclusivas de Danilo Beyruth, artista conhecido por trabalhos como Bando de Dois e Astronauta.
A participação de John Russo também ajuda a entender por que esse livro tem uma ligação tão direta com o clássico de 1968. Russo foi roteirista de A Noite dos Mortos-Vivos ao lado de Romero e também aparece no próprio filme em uma pequena participação como zumbi. A carreira dele ainda inclui trabalhos como Midnight e The Return of the Living Dead, além de livros sobre cinema e produção cinematográfica.
O filme de Romero mudou bastante a imagem que o público tinha dos mortos-vivos. Em vez de simplesmente reproduzir aquela ideia mais ligada às histórias de vodu e às antigas produções de terror, A Noite dos Mortos-Vivos colocou criaturas que avançavam sobre os vivos em busca de carne humana. A transformação foi tão marcante que várias características associadas aos zumbis modernos acabaram se tornando parte permanente da cultura pop. A própria ideia de destruir o cérebro como maneira de lidar com essas criaturas virou uma das regras mais conhecidas do gênero.
Também existe uma camada social e política muito forte na obra original. O filme surgiu em um período de enormes tensões nos Estados Unidos e colocou Duane Jones como protagonista, uma escolha especialmente marcante para o cinema americano daquele período. A Noite dos Mortos-Vivos conseguiu fazer o terror funcionar como terror mesmo enquanto carregava comentários sobre medo, violência, conflito e comportamento humano. Só que tudo isso acontece enquanto tem um monte de cadáver querendo comer gente, então ninguém precisa transformar a sessão de cinema em uma palestra de três horas.
A edição da DarkSide funciona tanto como livro quanto como objeto de coleção. O conteúdo recupera uma história fundamental para o gênero zumbi, enquanto o projeto gráfico trata o próprio volume como parte da brincadeira. A capa dura, as ilustrações de Danilo Beyruth e, principalmente, o furo atravessando cada página fazem com que a edição tenha uma personalidade própria. É difícil imaginar uma forma mais literal de pegar um livro chamado A Noite dos Mortos-Vivos e fazer parecer que ele passou a noite inteira cercado por eles.
Esse é o tipo de edição que consegue transformar uma característica física do livro em parte da experiência de ter o objeto. O conteúdo continua sendo o clássico de George Romero e John Russo, mas o exemplar brasileiro é pra dar inveja em gringo, já que ganhou uma identidade própria que combina com a história até na estante. E convenhamos, poucos livros conseguem ter uma apresentação que chama tanto a atenção.
O adblock bloqueia links de afiliados da Amazon como os desse post, então se não estiver aparecendo, é só desativar o adblock.
Veja mais coisas interessantes aqui. E tem conteúdo exclusivo nas redes sociais:




