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Banjo-Kazooie | Versão pra PC do game de Nintendo 64 com suporte a mods e melhorias!

Banjo-Kazooie é um daqueles jogos que parecem ter ficado presos em uma dimensão onde o tempo não passa. O urso Banjo, o passarinho Kazooie e a bruxa Gruntilda continuam lá, vivendo uma vida normal de desenho animado enquanto o resto do mundo já está rodando jogo em monitor ultrawide. Mas aí temos a delicinha do Banjo: Recompiled, um projeto que transforma Banjo-Kazooie em uma versão nativa para PC.

A ideia não é simplesmente colocar o jogo para funcionar em um emulador e mandar todo mundo embora. Banjo: Recompiled usa o N64: Recompiled para fazer uma recompilação estática do jogo, criando um port nativo para Windows, Linux e Mac. O projeto também usa o RT64 como motor de renderização, permitindo adaptar vários elementos do clássico para hardware moderno.

E aí começam as coisas que fazem o Banjo de 1998 olhar para o computador atual e perguntar por que diabos ele estava sofrendo tanto. O jogo pode funcionar em altas taxas de quadros, incluindo 60, 120, 144 Hz ou mais, sem transformar a física em uma máquina de produzir acidentes. O projeto separa a lógica do jogo da taxa de atualização, permitindo deixar a imagem muito mais suave.

Também existe suporte para widescreen, ultrawide e outras proporções de tela. Não é aquela velha gambiarra de esticar a imagem até o Banjo ficar parecendo um armário. Os efeitos gráficos foram adaptados para esses formatos, o HUD pode ser ajustado e até algumas cenas receberam alterações para funcionar melhor em 16:9.

Outro detalhe delicioso é a câmera. No Nintendo 64, você tinha os famosos botões C fazendo o trabalho da câmera, porque aparentemente controlar uma câmera com quatro botões separados era uma ideia perfeitamente aceitável. Banjo: Recompiled permite usar o segundo analógico para controlar a visão, deixando a movimentação muito mais parecida com o padrão dos jogos modernos.

O projeto também preserva vários efeitos gráficos originais do N64, incluindo transições e efeitos específicos de Banjo-Kazooie. O áudio também foi mantido com o processamento original, enquanto os tempos de algumas cenas foram ajustados para continuar sincronizados com os acontecimentos na tela. Ou seja, não é uma versão que simplesmente joga uma camada moderna por cima e manda o espírito do Nintendo 64 se virar.

Mas talvez a parte mais perigosa para a produtividade seja o suporte a mods. Banjo: Recompiled permite instalar modificações e pacotes de texturas, inclusive alterações que podem adicionar recursos e conteúdo completamente novos. A instalação foi pensada para ser simples, podendo ser feita pelo próprio menu ou arrastando os arquivos para o jogo. Existe até uma comunidade dedicada a mods e uma página no Thunderstore reunindo criações para o projeto.

Isso abre uma porta enorme para Banjo-Kazooie virar aquele tipo de jogo que você instala dizendo "vou só dar uma olhadinha" e, três horas depois, está pesquisando textura em 4K para uma placa de madeira que aparece durante aproximadamente quatro segundos. O jogo original continua sendo a base, mas a estrutura criada pelo projeto deixa espaço para uma quantidade bem maior de experiências feitas pela comunidade.

Outra vantagem é o carregamento praticamente instantâneo em hardware moderno. Salvamento, carregamento, pausas e transições de áreas deixam de depender das limitações de um cartucho de Nintendo 64. O projeto também busca reduzir o atraso dos controles, então Banjo e Kazooie respondem de maneira mais rápida aos comandos.

Banjo: Recompiled ainda não é um jogo distribuído com os arquivos originais de Banjo-Kazooie. O projeto não inclui os assets do jogo e exige uma cópia própria da versão norte-americana 1.0 para funcionar. O programa consegue carregar os dados diretamente dessa cópia, sem exigir aquele ritual de extração manual que costuma transformar uma brincadeira de cinco minutos em uma pequena graduação em arqueologia digital.

Também existe suporte para Linux e Steam Deck, além da versão para Windows e uma versão para Mac. Os requisitos gráficos são relativamente modestos para os padrões atuais, com suporte a APIs como Direct3D 12, Vulkan e Metal. Isso significa que a proposta não é exigir uma placa de vídeo monstruosa só para renderizar um urso de desenho animado correndo atrás de notas musicais.

Um ponto importante é que Banjo: Recompiled não nasceu de uma simples conversão baseada no código-fonte original. A técnica de recompilação estática permite criar o port sem depender de um código-fonte totalmente descompilado do jogo. O trabalho de engenharia reversa feito pelo projeto de decompilação de Banjo-Kazooie, porém, ajudou bastante no desenvolvimento e algumas partes desse trabalho são utilizadas no projeto.

O resultado é uma forma curiosamente moderna de revisitar um dos grandes jogos de plataforma do Nintendo 64. Banjo-Kazooie continua sendo o mesmo jogo de exploração, coletáveis, transformação em animais estranhos e diálogos com personagens que parecem ter tomado café demais, mas agora pode rodar como um programa nativo de PC, com alta taxa de quadros, telas largas, câmera no segundo analógico, carregamentos rápidos e suporte a mods.

Enquanto a Microsoft e a Rare continuam deixando os fãs de Banjo olhando para a porta na esperança de uma nova aventura, a comunidade foi lá e colocou o jogo clássico para funcionar de um jeito que o Nintendo 64 jamais imaginaria. Não é um Banjo-Kazooie novo, mas é uma maneira bastante caprichada de jogar o antigo sem precisar fingir que seu monitor moderno é uma televisão de tubo de 1998.

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