Floresta Maldita | Horror que explora a floresta japonesa do suicídio

Quando fiz a matéria sobre Death Mark, acabei citando a floresta japonesa conhecida pela quantidade surreal de suicídios, Aokigahara, o que por sua vez me fez lembrar do filme Floresta Maldita, que um amigo meu sempre falou muito mal, mas sempre tive vontade de ver e aproveitando o climinha de explorar elementos da cultura japonesa, fui procurar na Netflix, o que para minha alegria, tinha lá! Decidi dar uma conferida e é hora da análise!



A história apresenta Jess Price, uma americana que foi fazer intercâmbio no Japão, no entanto acabou desaparecendo. As investigações indicaram que ela foi vista pela última vez saindo da trilha da floresta Aokigahara, e entrando na mata. Isso provocou o desespero de sua irmã Sara, que pegou o voo para o país, onde começou a investigar.

Antes de tudo, tenho que dizer que acho uma pena terem escrachado na tradução brasileira mais uma vez. O original "The Forest" resolveram tacar um MALDITA no meio para dar cara de filme trash. O filme é de 2016, portanto já dentro da era da informação. Não é como se ainda vivêssemos na era da locadora em que as pessoas tinham que entender que era filme de terror já pelo título. Mas ok né? O que importa é o conteúdo.

Desde que vi o trailer desse filme, me interessei. Não é que eu imaginei que iria ser genial, porém logo pensei no potencial da coisa pela ousadia de gravarem no Japão. Apesar de que poucas cenas realmente foram lá (A da escola, do restaurante e do aeroporto), normalmente produções costumam focar em seus países exatamente pela dificuldade de locação e simulação de ambientes em estúdio. Então explorarem um cenário diferente assim me atraiu muito.

Esse ambiente inclusive logo me fez pensar em um outro filme que parece demais ter sido uma inspiração, o clássico O Grito, que foi o segundo filme de horror baseado na cultura japonesa a explodir no meio ocidental na primeira parte da década de 2000, fenômeno que foi iniciado por O Chamado.

No entanto Floresta Maldita tem mais a ver com o primeiro citado porque não ocidentalizou a coisa, como O Chamado fez. Eu lembro que ao assistir O Grito pela primeira vez, eu não gostei do filme, mas achei super admirável se passar no Japão. Era um ambiente inteiro diferente e só a personagem americana que dava o toque ocidental, o que é bem legal ao meu ver, afinal se a protagonista também fosse japonesa, era melhor assistir um filme japonês logo né? Haha.

Apesar de tudo, Floresta Maldita apenas teve potencial para se tornar um terceiro filme destaque com a atmosfera de horror japonês, pois no fim das contas parece não ter de fato evoluído a coisa e acabou se tornando apenas mais um filme que usa o gênero, mas que não teve o estouro. Isso porque O Chamado se destacou com sua investigação super robusta e atmosférica. O Grito se destacou com sua bizarrice e elegância da produção, agora Floresta Maldita parece tentar ser O Grito, mas não ter clima pesado e nem bizarrice suficiente, enquanto a parte investigativa puxa u pouco de O Chamado, mas não causa aquela sensação de você descobrir e se surpreender junto com a protagonista.

Você nota que existe uma tentativa de ser um filme estiloso e até certo ponto é sim, no entanto a produção parece não ter achado um meio termo. Por um lado é bacana o filme não ser cheio de sustos sem parar, por outro, as cenas parecem não ser genuinamente estilosas, mas uma tentativa de ser e em alguns momentos tem até umas recaídas para a tosqueira.

Por exemplo, assim que a protagonista chega no Japão e está em um táxi, do nada pula um velho japonês com cara de louco na janela fazendo um "AAAAAHHAHAHAHA!". E aí você pensa "Pra que?". Na real, o que estavam tentando fazer? Dizer "Uhhh é assustador, seja bem vindo à loucura!"? Simplesmente desnecessário, não adicionada nada, não tem a ver com a história, parece só uma tentativa sem de susto sem sentido.

E ao invés de explorarem cultura japonesa de uma forma mais séria, parece que simplesmente inventaram algumas coisas estranhas, como quando uma velha fala "Ah, achamos o corpo da sua irmã!", e age numa boa, tranquila, animada! É como se estivesse prestes a entregar um brinde pra irmã. Não existe respeito algum e isso acaba tirando a credibilidade da cena, deixando claro que fizeram ela pra tentar fazer o público ficar abismado "Nossa! Acharam a irmã dela! E olha só, a velha não tá nem aí! QUE DUMAL!".

As cenas investigativas por sua vez não tem profundidade. Na verdade boa parte são da personagem paradinha lá conversando sobre o passado. Tem inclusive uma história do suicídio dos pais que eles colocam, mas que fica meio à parte da história principal. Dá sim uma profundidade à mais na coisa, mas meio que não tem uma ligação muito convincente com a história principal da busca pela irmã.

Eu sei, desci o cacete no filme! Mas a verdade é que em meio a tanto filme de terror que vi, esse é bem decente. Eu só estou esculachando porque ele tinha potencial para ser uma pequena obra prima do terror. Não precisava ser apenas mais um filme de terror, poderia ser um clássico se tivessem trabalhado um pouco mais a coisa. Porém não achei horrível como meu amigo repetiu tantas vezes.

Ele é um filme que tem até alguns pequenos momentos interessantes, e a fotografia é bem decente também. Achei bacana a sensação de viagem pelo Japão, apesar da maioria do tempo ser na floresta, os caras se esforçaram. Fizeram uma cena em cidade aberta, que foi feita em estúdio, mas que está bem convincente, e com um retoque aqui e ali, a sensação é de que está mesmo no Japão. A propósito, a própria floresta não é a Aokigahara verdadeira, e sim em uma floresta da Serbia, mas quem é que ia saber né? Hahaha.

Enfim, achei um bom filme pra passar o tempo, não foi um belo de um tédio, só que eu esperava um pouco mais da coisa. Em comparação a terror geral, acho que vale a pena sim já que a maioria é uma desgraça, mas observando a coisa de uma forma mais profunda, é fácil notar que é uma obra quqe tinha potencial para muito mais.

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