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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Candle Cove | Série de terror que me surpreendeu demais!

Eu já tinha falado aqui sobre a série Channel Zero, em que cada temporada faz a adaptação de uma creepypasta, no entanto achei mais adequado criar uma postagem para falar de cada temporada, e essa aqui será sobre a primeira, Candle Cove, que é baseada naquela série de relatos macabros que surgiu na internet.


A série se passa em dois períodos, 1988 e 2016. Na história é apresentado Mike Painter, que teve uma infância traumática na cidade em que cresceu no fim dos anos 80, com uma série de assassinatos brutais de crianças. Ao crescer ele se torna um psicólogo infantil para entender melhor traumas, porém quando retorna à cidade natal, coisas estranhas passam a acontecer e um misterioso programa chamado Candle Cove parece ter alguma ligação.

Tá aí uma temporada que quando terminei estava sem fala, pois são tantas coisas boas presentes, que eu logo soube que não podia fazer uma matéria chamada Channel Zero: Candle Cove, que é a forma que essa temporada é chamada, mas sim uma para explicar o que é Channel Zero e uma matéria só para Candle Cove.

Antes de tudo já saiba que se você espera dessa série algo no mesmo estilo de filmes de terror como Ouija, e outras tosqueiras com uma gritaria louca, grupos de jovens que vão sendo mortos e sustos baratos. Esqueça! Ela não é nada disso, e é uma imensa surpresa, porque convenhamos né? É uma série que o foco são creepypastas, ninguém ia condenar ela se usasse terror barato.

Ao invés disso o que temos aqui é um suspense pesadão, extremamente sólido, e que não fica apelando pra tosqueiras. Então é aquele tipo de obra lenta, que as coisas vão acontecendo bem aos poucos, tem foco na investigação e no mistério, não nos sustos. Se você gosta de coisas mais voltadas pro lado intrigante que pra caras e bocas de gente morrendo, certamente vai se interessar.

A ideia de por flashbacks nos anos 80 é bem fantástica, aliás tem um climinha de It: Uma Obra Prima do Medo, pois mostra os personagens crianças lidando com uma força sobrenatural inexplicável, e as partes em 2016 mostra todos eles adultos, novamente presenciando uma coisa semelhante ao acontecido, e também em uma cidade pequena.

A fotografia dessa temporada é LINDA, aquele clima de interior, sempre com uma ventania constante acontecendo, as roupas dos personagens não são descoladas, mesmo em 2016. É sempre algo bem modesto, que no fim das contas acaba passando uma atmosfera de algo antigo, me lembrou bastante a fotografia de True Detective.

Aliás, chega até ser bizarro comparar a fotografia de uma obra da Syfy com uma série da HBO né? Mas nesse caso aqui, a coisa é sem noção, simplesmente surreal. Talvez como só tenha 6 episódios, os caras tenham pego toda a grana que iam gastar nos outros e investiram em qualidade geral, pois são 6 episódios que tem cara de temporada grande, com uma baita história, sem enrolação.

Agora sem sombra de dúvidas a coisa que mais me passou uma sensação semelhante foi Bright Falls, teve um momento em que eu cheguei a parar de assistis a série pra ir procurar se tinha sido algo dirigido pelo mesmo cara ou tinha alguém da equipe. Não consegui achar, mas a coisa é muito parecida, até certos ângulos de câmera.

O som da série também tem algo peculiar, quase que constantemente há cenas muito silenciosas em que o personagem está fazendo coisas como entrando em um lugar e observando, ou olhando desenhos estranhos feitos por crianças. E nesses momentos fica um som fantasmagórico ao fundo, como se fosse um instrumento de sopro constante, porém abafado, é difícil explicar (Assista o trailer ali embaixo que você vai ouvir o que estou falando).

Esse tipo de som já foi usado em várias obras, mas em Candle Cove é bem frequente, e isso somado à fotografia maravilhosa e vento batendo o tempo todo em momentos ao ar livre geram cenas espetaculares como uma em que o personagem está andando ao lado de um monte de árvores com aquela ventania batendo e esse som discreto abafado. Passa aquela sensação de que existe algo de amaldiçoado no ar.

Outra coisa que surpreende muito são as situações difíceis presentes. Um dos maiores problemas de séries é colocar situações que se resolvem milagrosamente, ou que sempre tem uma saída. Aquelas coisinhas que você sabe exatamente o que vai acontecer, tipo um personagem está prestes a morrer, há todo um draminha, mas você sabe que na última hora alguém vai salvar. Ou um problema que surge e no fim do episódio tudo volta ao normal.

Bom, em Candle Cove você sente a agonia dos personagens, pois as situações são pesadas, se um personagem se torna suspeito de algo, as coisas não vão se resolver como mágica e se auto-responder. Bate aquela sensação desagradável de "Nossa, ele tá muito ferrado!", e algumas das situações vão se complicando cada vez mais.

Além disso personagens podem morrer de verdade em Candle Cove, portanto se tiver a ceninha dramática do "Oh, se alguém não aparecer nesse último segundo pra me salvar eu vou morrer!", já pode se preparar porque ela pode realmente morrer ali. Os caras quiseram criar uma coisa robusta de verdade, sem um mar de clichês chatos.

E por falar nos personagens, que atuação espetacular viu! Tanto os atores mirins, quanto os adultos. Aquilo não é a nível da Syfy não. Só teve UM único ator que achei uma desgraça, que é o cara que explica à mãe de Mike, o que é Candle Cove. Parece até que a Syfy exigiu "Não, tem que ter ao menos alguém que deixe nossa marca!", e tacou um ator que é de dar vergonha.

Inclusive nessa cena o contraste é gritante, pois a mãe do Mike é a atriz mais fodona dessa série. Nossa, é incrível, que mulher que sabe atuar! Na hora eu não reconheci ela e fiquei tentando lembrar onde já a tinha visto, pois era familiar demais. Depois vi que era a Marnie, de True Blood, mas certamente todo mundo conhece ela mais por ter interpretado a tia Petúnia em Harry Potter.

Porém cada vez que ela aparece na série, rouba acena por completo. Dá até pra sentir a energia, ainda mais pelo fato de que ela é uma daquelas mães fodonas que vemos em poucas obras como Erased e Terminator: The Sarah Connor Chronicles. Portanto é uma baita de uma mulher forte, que não fica parada não, vai atrás do que quer.

A série tem certos momentos que são pesados demais, um tanto grotescos, ainda mais pelo fato de envolver crianças pode causar um desconforto imenso em muita gente. Acho que o melhor exemplo é um em que tem uma briga de crianças e uma segura os dedos da outra e os torce, quebrando, com aquele som horrível e um grito que dá uma baita agonia.

Obviamente tem elementos sobrenaturais na trama e também o seu terror próprio, mas é aquela coisa discreta, em cenas escuras. Por exemplo um personagem olhando para um lugar e quando a cena muda, você nota que lá tem uma criatura. Tem outra cena que o personagem vai andando e a câmera em cima do ombro dele, com folhas batendo nela, mas você podendo ver alguém lá na frente. Dá aquela vontade de saber logo quem é ou o que você tá observando, mas os ângulos propositalmente dificultam a maioria das vezes.

Enfim, tá aí uma série que achei boa demais! No entanto aviso mais uma vez, ela não é o terror padrão com gritaria, monstro pulando na tela e cenas que todo mundo prevê, é algo com um clima parado e investigativo. Se você não gosta desse tipo de coisa, simplesmente passe longe porque essa vai desagradar.


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