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domingo, 25 de setembro de 2016

A maravilhosa trilha sonora de Silent Hill

Eu estava planejando fazer essa matéria há muitos anos, mas nunca tinha me empolgado o suficiente e não queria escrever desanimado. Agora que finalmente resolvi criá-la, percebi o quanto poderia ficar um texto grande e se esquecesse algo, acabaria perdendo a oportunidade de falar sobre certos aspectos, portanto decidi fazer só uma matéria base e depois escrever textos dedicados especialmente a cada jogo da franquia Silent Hill.



A música desse jogo sempre me chamou a atenção e definitivamente a considero uma das melhores trilha sonoras que já ouvi em jogos. Dá pra sentir o carinho imenso e como elas conseguem trabalhar em sincronia perfeita com as sensações causadas pelo jogo. E todos nós sabemos o poder que isso tem, gerando assim aquelas trilhas sonoras inesquecíveis.

Uma coisa engraçada é que nomes fortes em jogos costumam ser os roteiristas e os designers. Em trailers aparecem os nomes deles no começo pra fazer o povo gritar. No caso de Silent Hill o nome que conseguiu esse destaque foi o compositor, e assim Akira Yamaoka é o homem por trás dessa essência maravilhosa.

Seu primeiro trabalho em jogos foi para o jogo de 1991, SmartBall (Ou Jerry Boy em alguns lugares), quando ele tinha apenas 23 anos. Mas não achem que Silent Hill foi seu primeiro jogo de sucesso não, ele foi compositor no clássico do Super Nintendo, International Super Star Soccer, e também foi programador de ritmos em Castlevania Symphony of the Night.

E finalmente em 1999 veio o primeiro Silent Hill, algo que inicialmente era visto como uma mera tentativa de copiar o sucesso de Resident Evil, o que não deixa de ser verdade, o jogo era uma resposta. a Konami queria seu próprio Resident e conseguiu com louvor, pois Silent Hill seguiu seu próprio caminho com uma identidade bem própria.

As músicas do jogo combinam tanto exatamente porque elas não foram compostas por qualquer pessoa e utilizadas ali, mas sim porque foram compostas exclusivamente para Silent Hill, além disso Akira foi responsável também por todos os efeitos sonoros, sendo que alguns deles se misturam com a música e aí foi inevitável uma sincronia perfeita na coisa.

Chega a ser irônico um trabalho sonoro tão maravilhoso contrastar com uma das piores dublagens que já vi na vida. A dublagem de Silent Hill 1 coloca arquivos de vozes separadas, ou seja toca a fala de um personagem, daí dá uma pausa e então vem a voz do outro personagem como resposta, a coisa é feita assim, em arquivos separados, é só a bagaceira.

Por outro lado em relação à música, é simplesmente algo mágico. Silent Hill tem essa essência que mistura o bizarro e o maravilhoso. E você sente facilmente isso, tem vezes em que você parece estar no meio de um sonho, e em contraste há momentos que parece um verdadeiro pesadelo. Mas bom, pra quem não conhece, antes de tudo ouçam a música de abertura do jogo:

Apesar dessa ser uma música mais melódica, ela consegue apresentar de forma maravilhosa o terror de Silent Hill. Poderia ser uma música pesadona do mal, como se é normal ver em obras de terror. Mas ao invés disso há uma música suave com tom de mistério e facilmente encaixa bem esse tipo de terror como algo charmoso, algo mais sério e não focado apenas em cenas do mal. Mostra bem o terror psicológico que é Silent Hill e não mera gritaria de gente sendo atacada.

Notem que a música começa com um som estranho, que pode ser inclusive meio desagradável, não sei dizer de que instrumento esse som trêmulo é, mas soa bastante misterioso apesar de ser bem agitado. Mas em meio a esse som incômodo tem a parte do fundo extremamente melódica, isso mostra bem esse contraste entre a beleza e o bizarro que se vê constantemente no jogo.

As músicas da franquia variam entre coisas maravilhosas usando violão, piano e sons horríveis com barulho de metal batendo e gemidos macabros de monstros. Aliás, quem já jogou Silent Hill. O mais engraçado é que muitas vezes você nem percebe a mudança, enquanto vaga por Silent Hill você vai notando que a coisa vai ficando mais pesada e mais e mais... Ou de repente você vai entrando em um ambiente maravilhoso e calmo.

Uma boa demonstração de como a coisa tem um contraste imenso são as músicas Not Tomorrow 1 e 2. Normalmente quando bandas criam músicas e numeram elas, tem uma melodia parecida. Aqui no entanto essa numeração é mais para demonstrar os dois lados de Silent Hill. Afinal é o mesmo lugar visto com olhos diferentes, como personagens que veem a mesma coisa e alguns veem algo maravilhoso enquanto outros veem uma coisa extremamente macabra, confiram:

Forte o contraste né? O mais incrível é que na maioria das vezes você nem nota o quanto a coisa mudou, quando menos espera tudo está diferente. O negócio é que em Silent Hill há dois "universos" o normal com toda aquela névoa e a dimensão alternativa, essa apresenta muito metal enferrujado e sangue.

Enquanto você está no ambiente normal, vez ou outra pode encontrar um personagem e essas conversas costumam ser bastante filosóficas e estranhas. As pessoas agem como se nada tivesse acontecendo, como se estivessem vendo um outro ambiente e embora às vezes haja discussões, boa parte são cenas agradáveis e calmas.

Esses momentos são quase sempre acompanhados de uma trilha sonora linda, bate aquele climinha agradável e a conversa estranha deixa a coisa ainda mais intensa. Particularmente me agradam bastante as apresentadas em Silent Hill 2, onde tem personagens como Maria, uma personagem que é idêntica à mulher do protagonista, mas ele vê que é outra pessoa e as conversas são sempre "Afinal quem é você?".

Por outro lado, a realidade alternativa causa uma sensação bizarra de repulsa. Quem jogou algum jogo da franquia, sabe do que estou falando. Embora nos últimos jogos se tornou comum essa realidade aparecer diante dos seus olhos, nos clássicos a coisa acontecia com calma, de repente tudo ia ficando mais sombrio, pedaços de metal surgindo no cenário, você ia andando e a coisa ficando mais macabra a cada porta que entrava.

Uma coisa legal é que inicialmente é meio imperceptível e a música acompanha exatamente o ritmo do lugar. Então no começo é suave, e de repente se torna insuportável, é uma música que sufoca, sons de batidas de metal bem altos TUM TUM TUM TUM, e novos efeitos entrando no meio, criaturas gritando, coisas se arrastando. Tudo o que você quer nesses momentos é sair logo dali.

Algo muito fantástico é que ao contrário da mudança delicada entre o ambiente normal e o bizarro, a mudança do bizarro para o maravilhoso costuma ser brusca. Então é bem frequente você tá se sentindo em um verdadeiro pesadelo, gritos, criaturas aparecendo e de repente quando finalmente consegue entrar na abertura que te tira daquele lugar, tudo fica suave, vem aquela música calma, tudo bem harmônico.

O jogo tenta te acalmar de uma vez e depois as coisas vão ficando tranquilas por um tempo até ficarem normais novamente, o que dura um tempo e aí aos poucos novamente você vai entrando nas trevas sem perceber. Esse ritmo é realmente muito bom e os efeitos sonoros seguindo tudo é perfeito pra caramba.

Em Silent Hill 2 também foi introduzido um toque mais agitado a certas músicas, porém aquele tipo de agitação com um certo toque melancólico ao fundo, algo meio estranho. Em Silent Hill 3 com a entrada de Mary Elizabeth McGlynn e Joe Romersa para dar voz às músicas, essa essência conseguiu ser transmitida melhor, é algo que é cantado agitado, mas tem uma letra melancólica assim como, se você parar pra prestar atenção, a própria melodia carrega um certo toque triste, confira:

Akira trabalhou na Konami até 2009 e todos os jogos de Silent Hill até então tiveram suas composições. Mas mesmo depois que ele saiu, boa parte das músicas em outros títulos imitavam seu estilo. Bom, e basicamente é isso, no Brasil se encontra vários jogos da franquia a venda bastante barato, infelizmente com a partida da Konami para o mercado mobile, a franquia acabou ficando meio abandonada. Depois vou escrever matérias detalhadas sobre a trilha sonora de cada jogo da franquia.

2 comentários:

Saitama - sama disse...

Ah, como eu amo essa franquia.
Ainda estou em depressão porque cancelaram o Silent Hill do Kojima, tinha até o Junji Ito envolvido.
T-T

Jhonn R'lyeh #ContenteTV disse...

Agora deu vontade de ouvir Room of Angel <3