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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Everybody's Gone to the Rapture - Esse me impressionou!

Bom, um jogo que eu sinto que não aproveitei adequadamente foi Dear Esther, um jogo com uma atmosfera fantástica que eu não consegui sentir de verdade porque tava pensando na jogabilidade. O resultado foi que tive expectativa imensa de algo que não era o foco do jogo e deixei de lado o principal que é a história. Ainda assim eu mesmo percebi que vacilei quanto a isso, mas o que passou, passou...


Porém Dear Esther é um jogo indie, e acaba se limitando um pouco em questão de público, a coisa muda demais quando se trata de um (inicialmente)exclusivo para Playstation 4 bancado por nada menos do que a SONY. Todos os olhos estavam virados para ele e acredito que a expectativa matou a diversão de uma quantidade monstruosa de pessoas. Parece que uma multidão sentiu exatamente o que senti no outro jogo, só que as pessoas são impetuosas e estão pouco se lixando se tem outro quesito bom, pois como a expectativa era pra outra coisa, simplesmente classificaram como um lixo.

Lembro que a primeira vez que vi um vídeo de Everybody's Gone to the Rapture, eu saquei imediatamente qual era a do jogo e me apaixonei um bocado. Apesar disso a logo do PS4 já me fez nem procurar mais nada sobre pois eu sabia que não jogaria tão cedo aquilo então não teria motivo para ficar me torturando.

Então imagina a minha surpresa ao ver o lançamento dele na steam? E pior, lançado pela própria SONY? E não estou falando de qualquer joguinho não, a empresa investiu pesado, tendo dublagem em 9 línguas inclusive português do Brasil. O que me veio em mente imediatamente foi a ideia de que o jogo foi considerado tão ruim que foi lançado para PC, porque convenhamos é bizarro a SONY abrir mão de um exclusivo e ela mesmo ser a distribuidora no computador. É esquisito demais abrir o jogo e ver a logo da SONY, dá a sensação de que você tá abrindo um jogo de console.

Mas bom, vamos lá! Esse é um jogo do estilo "simulador de andar", então o que você tem que esperar aqui não é uma jogabilidade incrível, mas uma história. Basicamente esse é um livro interativo e é assim que jogos desse estilo são, como The Park, 9.03m e The Moon Silver, nesse tipo de jogo você tem que se concentrar completamente na história pois basicamente você vaga por ambientes e vai ouvindo a história ser contada e lendo coisas que dão dicas do que aconteceu no lugar.

E esse sem dúvidas foi um dos melhores que já joguei! Eu sabia do que se tratava, estava preparado pra experiência e a coisa é bem impressionante. Criaram um ambiente com exatamente o que esse tipo de jogo tem que mostrar de melhor, uma boa história. Aqui o foco é definitivamente o mistério, aquele tipo de conto que você fica muito intrigado pra saber o que diabos aconteceu ali!

Uma coisa que sinto é que muito foi sugado da série LOST, com uma cidadezinha nos anos 80 com casinhas brancas, uma igreja onde seus cidadãos se reúnem e decidem coisas da comunidade, fofocas, um parque para as crianças brincarem e um experimento envolvendo cientistas, algo desconhecido e um ser misterioso com sons assustadores voando pelo lugar, mas ao invés de ser como a fumaça preta de LOST é algo feito de luz.

Algo engraçado é que demorou um pouco pra eu perceber que estava nos anos 80, foi ouvindo as gravações que comecei a notar os carros abandonados, os gravadores antigos, os computadores daqueles pequenos com teclado colado no monitor. Mas a sensação foi fantástica, isso porque eu não tinha lido sobre o jogo, e fazia muito tempo que tinha visto o trailer, sendo assim pensava que era algo moderno.

A história é sobre dois cientistas em um observatório construído nesse lugar, os moradores sempre os trataram com desconfiança e um dia esses cientistas encontram algo no espaço e entram em contato com uma "coisa". E é aí que o negócio fica estranho e você tem que ir vagando pelas casas e aos poucos vão sendo reveladas informações, são coisas como "As pessoas estão desaparecendo" e "O governo colocou a cidade em quarentena" ou ainda "Não podemos deixar ela fugir da cidade!".

Esse negócio de todo mundo ter desaparecido me fez rapidamente pensar na série The Leftovers e obviamente em um tema que adoro demais! O arrebatamento, e aliás eu não sabia o que"Rapture" significava e foi uma imensa surpresa quando fui dar uma pesquisada e descobri que a tradução do jogo é algo do tipo "Todo mundo se foi para o Arrebatamento".

Claro que esse tema é algo que intriga muita gente, e já gerou muito conteúdo sobre, como a sombria saga de livros "Deixados para Trás", mas com a história apresentada aqui você sente rapidamente que o Arrebatamento é mais simbólico, pois envolve cientistas e uma pesquisa, um contato com um ser misterioso que fez a cidade inteira sangrar pelo nariz e desaparecer. Então o que será ele? De onde veio?

O ambiente é gigantesco e o gráfico é maravilhoso, no começo eu pensava que era só uma cidadezinha rápida de se andar mesmo, mas logo percebi que aquela era apenas uma parte do povoado, mas você pode ir a vários lugares como fazendas, estações de trem, tem muitos ambientes mesmo. E é tudo tão lindo, as vezes você está em uma área alta e pode ver no horizonte detalhes como um imenso moinho girando.
Eu gostei bastante da dublagem em português, especialmente um jogo desse tipo é muito é muito legal ficar atento a qualquer detalhe, você sente que tem coisas escondidas, quem não lembra dos espíritos de Dear Esther? E ouvir as pessoas falando em nossa língua é maravilhoso. Existem sim certas falhas na dublagem mas é tudo dentro do limite do aceitável, muita gente acha que dublagem em inglês é perfeita, o que é uma enorme mentira e também há falhas. No caso desse jogo as falhas da dublagem brasileira são no mesmo nível, apenas pequenos detalhes. Mas infelizmente a tradução não se estende a certas escritas que você encontra, porém se seu inglês é mediano estará perfeito.

E a trilha sonora então? Linda demais! Os cânticos de coral de igreja que as vezes surge e de repente ela te surpreende em certos pontos, por exemplo cada área do jogo é equivalente a capítulos e cada um tem o nome de um personagem, no caso do Frank começa uma música espetacular e bate aquela sensação de paz imensa enquanto você vai entrando na nova área. Aliás efeitos de som em geral são incríveis, os sussurros que saem de dentro da luz que vaga pelo lugar, os números misteriosos que podem ser ouvidos saindo de qualquer aparelho eletrônico, entre outras coisas.

Mas infelizmente o jogo tem suas coisas irritantes, é exatamente esse ambiente gigantesco que torna árduo andar, você anda lento, MUITO LENTO, e o ambiente é todo aberto, então as vezes você vê uma casinha láááá no meio de um imenso gramado, e você vai até lá pra descobrir que não tem NADA, legal né? E assim tem que voltar tudo na mesma velocidade. Isso pode ser tão frustrante que os mais apressados podem desistir nos primeiros minutos de jogo.

Outra coisa é a otimização do jogo, comigo foi tranquilo e joguei realmente bem, no entanto vi inúmeras pessoas que jogaram na configuração máxima reclamando sobre o quanto o jogo tá dando probleminhas e tendo quedas de FPS, além de coisas piores como o jogo dar erro e fechar de vez. Joguei no médio e os piores problemas que enfrentei quanto a isso foi no começo da partida as texturas estarem em baixo resolução e o jogo dar pau quanto eu mexia em lençóis, mas em geral deu pra aguentar, porém se você é bem exigente nisso, pode ser realmente irritante.

Enfim, esse é um jogo pro público certo, no quesito história estilosa ele é espetacular! Já no quesito jogabilidade, é exatamente o que se espera de um jogo do gênero, então se você REALMENTE tiver procurando um simulador de andar e exigir algo mais movimentado, recomendo plenamente que vá para The Vanishing of Ethan Carter. Resumindo, você vai jogar? Então jogue vendo o que esse jogo realmente é, um conto interativo. Sempre vale a pena dar uma conferida no preço que o jogo está na G2A pois varia mas costumam baratear mais que na steam e aceitam boleto bancário.


Um comentário:

alex5432 disse...

Recomendo que jogue Mind : The path to Thalamus. Ótimo jogo, nas tags dele também tem simulador de andar, embora o no jogo tenha realmente alguns puzzles, mas o negocio é a história mesmo.

Dica: Jogue num dia chuvoso!