The Boys Diabolical | Spinoff animado com violência descontrolada

Uma das maiores surpresas bem sucedidas da Prime Video, foi a adaptação da revista em quadrinhos The Boys, que apresentou uma proposta muito bem aceita em um tempo onde o mundo estava superlotado de Marvel e heróis padrões bondosos de coração surrealmente puro. A ideia de heróis com desejos humanos simplesmente encantou muita gente e não demorou para a Amazon não apenas renovar, mas expandir o universo e assim surgiu "The Boys Presents: Diabolical".

A proposta apresentada é uma antologia de animações algo semelhante ao que temos em Love, Death and Robots em que cada história é diferente com um diretor, roteirista e estilo animado próprio. No entanto sempre apresenta o mesmo universo, o que o deixa mais parecido com Animatrix, que também apresenta algo de forma antológica, mas são todas histórias dentro do mesmo ambiente.
A princípio provavelmente o que mais te chamará a atenção na série, é a variação de traços. Especialmente porque o primeiro episódio usa um visual claramente inspirado no estúdio Hanna-Barbera, que que é aquele responsável por uma tonelada de animações clássicas como Tom e Jerry, Scooby-Doo, Flintstones e outros com esse estilo meio anos 60. Além de ter só uma ou duas falas, focando mais na correria e trapalhada. O que te faz pensar sobre o que vai vir depois e logo cada um se mostra com estilo visual e narrativo bem diferente mesmo.
 
Talvez esse ponto te faça ficar meio preocupado sobre gostar ou não do próximo episódio. Digo isso porque em Love, Death and Robots, não existe ligação entre as obras, então se for algo completamente diferente, é só ignorar, mas aqui temos algo preso no mesmo mundo, e a expectativa de ver algo no mundo de The Boys já gera algo pra se esperar, e se a animação distorce muito isso, talvez não te agrade.
No entanto, pelo o que vi, apesar de ter uns episódios-chave que a maioria gostou, realmente tem uns que alguns odiaram e outros amaram. Por exemplo, vi uma lista mostrando do pior para o melhor, e o que o cara colocou como melhor, foi exatamente o que mais detestei. Portanto as exigências de cada um pode ser bem diferentes. Talvez, devido à proposta, você exija que cada episódio tenha um toque muito diferente, talvez você queira violência, talvez você queira a bizarrice de The Boys.

Um elemento sempre presente, independente do quão fofa for a animação, é o gore. Eles focam muito nisso e parece que é todo mundo é um balão cheio de sangue, só esperando alguém chegar com uma agulha. A presença de órgãos internos sendo expostos sempre está lá, e isso pode atrair ou causar repulsa, dependendo da pessoa.
Enquanto alguns episódios são realmente zoadíssimos, como uma menina que vira amiga de um cocô e parece um bagulho fetichista, com um visual extremamente fofinho e inadequado pra uma história tão bizarra, outros levam o drama ao extremo, como o episódio sobre um velho que está perdendo sua esposa e ele entra em total desespero, cruzando qualquer limite pra salvá-la.

Os episódios são muito curtinhos, então já aviso que é muito mais fácil maratonar logo do que ir assistindo aos poucos. Isso porque cada um tem uns 14 minutos e são somente 8. Sendo assim, é muito rápido tirar um tempinho pra ver logo tudo de uma vez. Mas claro, é com você... Talvez seja interessante também degustar aos poucos e ir vendo um por dia.
Algo muito bom, é que enquanto a série The Boys é focada em uma história, aqui existe a liberdade de exploração do universo. Sendo assim, podemos ver as possibilidades de coisas acontecendo no mundo, indo desde o que aconteceu com os super heróis que têm poderes completamente inúteis e sem sentido, até a reação do público em relação às experiências feitas.

Enfim, tá aí uma série interessante pra se dar uma olhada. Acaba sendo mais adequada para quem já assistiu a série principal, ou leu os quadrinhos. Inclusive a coisa é meio híbrida e tem um episódio que usam os personagens dos quadrinhos com o visual de lá mesmo e com um personagem que não aparece na série, o que mostra que foi uma adaptação em sintonia com a HQ do Garth Ennis. Dá pra assistir sem ser fã, mas certamente vai ser meio esquisito, não será como Frequência Kirlian, que é antológica também e não tem ligação com nada.

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