Glitchpunk - Imagine GTA 2 em um mundo Cyberpunk

Todo mundo sabe o quanto GTA é uma franquia que chama a atenção e sua fama vai além da diversão, tendo uma história extremamente polêmica, e naturalmente conseguiu inspirar outras obras. Porém muita gente acabou tendo contato apenas com as obras completamente em 3D, tendo a errada visão de que não rolou um sucesso absurdo antes, mas Glitchpunk é uma evidência que isso é errado, sendo completamente feito usando GTA 2 como base.
 
Na história você assume o papel de um androide caçador de recompensas de um futuro distópico que sofre com um defeito chamado "Glitch", que lhe dá a possibilidade de agir livremente contra sua programação. Ao chegar em uma nova cidade, chama a atenção rapidamente dos bandidos da cidade, mas ao ser questionado, não revela muitas informações e passa a ser conhecido como "Texas", sendo colocado para trabalhar no submundo e crescer.
O marketing desse jogo foi completamente feito em cima da ideia de que é um Grand Theft Auto 2 que se passa em um universo Cyberpunk. E acho que mesmo que não quisessem, não teria como negar qualquer coisa, pois vai muito além da inspiração. Esse é literalmente GTA 2 no futuro e não apenas algo inspirado, a mesma câmera, design extremamente semelhante, mesmos sons, movimentação, desafios. Se esse jogo tivesse sido lançado em 1999 e não em 2021, certamente iria rolar processo.

Se isso é bom ou ruim, depende dos olhos que veem. Eu gostei da ideia e sei que é um clone, mas convenhamos que para quem jogou algo muito antigo, homenagens se tem de montão, mas aquela atmosfera toda é algo um pouco mais difícil de se conseguir. Agora quando se tem algo tão familiar, a coisa muda e como o jogo da Rockstar é tão antigo que ficou gratuito, acredito que ela não ligou também.
Então para quem não conhece GTA 2, ele tem uma visão aérea e usa a técnica de jogos com visuais 2.5D, ou seja a coisa tem elementos em 2D, como os personagens vistos de cima, mas também tem elementos 3D como os prédios. Isso acaba gerando um imenso charme, com aquela sensação de que você está no topo deles e vendo às vezes a câmera passar do lado de uma parede ou mesmo ver o vulto de fios passando bem na frente da tela.

Naturalmente o visual é bem mais obscuro do que o de GTA, afinal de contas se passa em um futuro distópico. E com a quantidade de tempo que foi lançado depois, é possível também notar claramente um nível de detalhe maior, graças à evolução de placas gráficas. Os prédios são muito mais detalhados com painéis holográficos, ruas enfeitadas, etc.
Infelizmente, senti que mesmo com as diferenças, é bastante comum elas não se destacarem muito. Eu passava pelos locais e se parasse, conseguia observar esses detalhes, mas agora enquanto andava por aí, era difícil realmente sentir que estava passando por um lugar diferente. Não sei o que aconteceu, mas talvez seja o fato de ser tudo cinza e ferrado.

O seu personagem pode sair pela cidade em busca de trabalhos, que são encomendados por telefones públicos. Essa é mais uma evidência de que a coisa parece demais ter vindo do mundo dos mods, pois os personagens poderiam ter celulares ou algo assim. É claro que mesmo Neuromancer, que é a obra que inventou o gênero Cyberpunk, conta com telefones públicos, mas a diferença é que essa obra é de 1984 e o próprio autor diz que mudaria isso. 
 

Não é que seja errado ter qualquer tipo de mecânica, afinal de contas um futuro distópico pode se ter de tudo e dá pra encaixar qualquer coisa, mas é esse tipo de elemento que acaba mostrando que não é como se fosse uma obra independente com ideias próprias. A equipe claramente pegou GTA 2 e foi copiando  tudo o que tinha ali presente.

Os trabalhos no geral envolvem algo como matar alguém, levar um veículo até algum lugar e etc. Existem ainda alguns serviços de missões alternativas em que você deve matar uma certa quantidade de um determinado tipo de pessoas (Tipo 20 membros de um clã) usando um tipo de arma. Se conseguir localizar e matar essa galera, você recebe uma grana rechonchuda.
A maior inovação do jogo é o sistema de implantes colocados no personagem. Isso é bem fantástico e mistura elementos de modificação corporais com hacks. Sendo assim você pode sair correndo em altíssima velocidade para fugir da polícia e gangues, mas também pode fazer coisas no estilo Watch Dogs Legion e hackear pessoas.

Por exemplo, se você estiver sendo perseguido, pode apertar o botão de hack e ver a área de alcance que você tem acesso. Todos aqueles que estiverem dentro dessa área vão estar submetidos aos seus atques cibernéticos. É possível fazer coisas como transformar alguém em um psicopata por dez segundos e essa pessoa vai atacar aquele mais próximo, podendo ser até mesmo você.
Dirigir no jogo é uma verdadeira desgraça e eu senti que todos os carros parecem estar em cima de gelo, sendo que qualquer viradinha pode ser o verdadeiro caos. Tentar estacionar em um lugar certinho realmente pode ser uma bela de uma tarefa cansativa com os policiais metendo bala loucamente em você.

Enfim, Glitchpunk é um jogo que pode ser um bom passatempo para quem curte criar o caos, mas que acaba não inovando tudo, deixando a esperança de que atualizações tragam algo mais robusto ao jogo. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na loja direta, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

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