Watch Dogs Legion | Controle todos os habitantes de Londres

Fechando a trilogia, Watch_Dogs Legion veio com uma ideia extremamente grandiosa e ambiciosa. Mas obviamente, algo tão grande acabou gerando uma certa desconfiança, especialmente graças aos problemas de lançamento de Watch_Dogs 1, porém para muitos teve o benefício da dúvida por causa do magnífico trabalho apresentado em Watch_Dogs 2, e claro que eu não podia deixar de experimentar para ver se a coisa estava boa mesmo!

Dessa vez a história abandona os Estados Unidos e vai para a Europa, em que alguém arma para a Dedsec, alguém ou algum grupo conhecido como Zero Day, que explode vários lugares da cidade de uma só vez e faz parecer que foi o grupo de hackers. Isso faz com que o governo autorize que um grupo militar privado chamado Albion tome conta da cidade e gere um clima frequentemente tenso. Agora o Deadsec com ajuda de uma versão modificada do assistente virtual Bagley, tenta conseguir novos agentes e descobrir quem fez isso.

Assumo que a princípio, não gostei da proposta de Legion, isso porque na hora que falaram sobre isso de controlar qualquer cidadão de Londres, já deu pra sentir que é claro que tinha alguma coisa aí né? Afinal de contas não era possível que ela conseguisse pegar a cidade inteira. Sendo assim, o que imaginei é que colocaram uma limitação cabulosa de personagens que você poderia escolher, ou era uma legião de personagens mudos genéricos igual a Far Cry 5, mas no fim das contas acabei me surpreendendo.

Acredito que a Ubisoft se empolgou com o que fez em Assassin's Creed Odyssey, onde gravou uma dublagem masculina e outra feminina e também teve que fazer inúmeras dublagens para personagens se referirem a você como "ele" ou "ela". Isso porque aqui ela fez o mesmo, mas não apenas com dois personagens, mas sim com uma penca!
Você começa com um agente de uma lista que é oferecida e ele deve localizar o próximo. À medida em que você vai avançando, novos vão sendo adicionados. Existem os agentes únicos, com habilidades especiais e os genéricos que podem ser qualquer pessoa de Londres, incluindo inimigos. Acho que só não dá pra pegar mesmo os chefes do mal, de resto, se você estiver em uma missão, gostar das habilidades de um inimigo que está te caçando, é possível salvar ele na lista e partir em uma missão para recrutá-lo.
 
Os agentes únicos me impressionaram muito, pois existem vários e você pode trocar na hora que quiser e ele vai continuar a história, conversando, dando opiniões, fazendo piadinhas. É realmente um personagem vivo e mostra que o trabalho de dublagem foi cabuloso, até mesmo porque por exemplo quando você muda de agente, ele vai se comunicar com o que você escolheu, então teve dublagem pra tudo quanto é tipo de coisa.
 
Mas o que torna os agentes únicos diferenciados é que cada um deles tem suas habilidades próprias. Alguns são mais habilidosos com certas coisas, outros não. Você pode ser um agente com uniforme que pode se infiltrar nos lugares, pode ser alguém que tenha habilidades de combate avançadas, pode ser alguém que desapareça na multidão ou consiga hipnotizar pessoas ou fazer drones traírem sua equipe, entre várias outras coisas.

Com essas habilidades acaba sendo fácil ter seus agentes favoritos e que você ache mais adequados para determinados tipos de missões, o que naturalmente também acaba te fazendo querer trocar de personagem em determinados momentos. Se você for mais do tipo que dirige, atira e luta, terá personagens focados nisso, assim como os do stealth que desaparecem fácil na multidão ou os que ganham bônus durante os hacks.
Os agentes genéricos também tem suas habilidades próprias, a diferença é que normalmente elas são mais comuns, porém tem alguns que conseguem se destacar bastante com suas habilidades e assim aquela opção de xeretar a vida dos outros que existe desde o primeiro jogo aqui é muito mais útil, pois já aparece a lista de habilidades.

Outra coisa bem bacana é que também existe a lista de desvantagens, algumas podem ser verdadeiros desafios para o que você estiver tentando fazer. Por exemplo, se você pega um idoso que não consegue correr, pode ser realmente bizarro entrar em um dos torneios de lutas ilegais que rolam pela cidade (apesar de idosos também terem seus golpes que dão dano).

Quanto a seguir a história com os agentes genéricos, achei curioso como não basta chegar e pegar. A pessoa vai ter um problema, só que essa pessoa também terá uma dublagem. Ou seja, você pode ver um qualquer na rua, apertar em iniciar recrutamento, e a pessoa vai contar toda uma historinha com um problema que você precisará resolver, depois disso o agente é seu.

Acho insano isso porque penso na quantidade de dubladores que devem ter contratado. Por outro lado, esses agentes não são tão interativos quanto os únicos e durante missões principais, eles podem confirmar e negar coisas, mas não falam detalhes precisos como os agentes únicos, por outro lado é possível substituem eles por outros agentes que conversam com você, evitando assim que você só fique no "Aham..." enquanto o Bagley fala com você.
Existe também uma lista de habilidades pra você destravar, algumas têm níveis diferentes, então você pode investir mais pontos para conseguir efeitos mais poderosos, enquanto outras são apenas um único efeito mesmo. Achei bastante limitada a quantidade, infelizmente, porém você pode combinar elas com habilidades já existente de agentes únicos e assim ter uma experiência um tanto diferenciada.

Dessa vez algumas habilidades são muito mais cyberpunk que o normal, mas Watch Dogs sempre foi meio assim né? Se você parar pra pensar, em 2014 o primeiro jogo era um tanto exagerado com aquela cidade em que você controlava tudo, mas hoje o conceito de internet das coisas está muito bem aplicado em diversas cidades do mundo.

Então acho que a franquia sempre teve esse arzinho de futurístico, mas dessa vez a coisa tá pré-cyberpunk mesmo. Tem drones na cidade inteira o tempo todo e você nem tem seu drone pessoal porque é mais fácil só hackear um deles, e todo mundo tem também um implante ocular que os deixa conectado à rede e assim é possível hackear os olhos e ficar invisível pra eles ou deixar algum corpo invisível. Talvez tenham ido além demais do nosso mundo, mas é bem divertido de qualquer forma.

As perseguições do jogo são meio desanimadoras, lembro que antes era um inferno fugir dos policiais, eles iam até o fim atrás de você, mas nesse aqui, você faz o caos, anda um pouquinho e já perderam você de vista, não tem muita graça. Talvez tenham feito isso porque no lançamento o jogo estava com complicações ao andar de carro, com quedas de fps muito altas. Joguei no primeiro dia, mas em pouco tempo isso ficou bem melhor com um patch. Mas sei lá, realmente não entendo e com um mundo tão vivo seria bem legal ver inimigos implacáveis.
Os gráficos estão muito bonitos, pelas imagens achei bem parecido com o visual do segundo jogo, mas ao entrar, nas primeiras vez eu até tomava um susto com a coisa realmente bem feita. Talvez não sejam as texturas em si, mas o mundo tão detalhado. Não é aquele tipo de jogo em mundo aberto que você vê coisas se repetindo, cada local da cidade é absurdamente detalhado cheio de bandeiras, hologramas, drones, muita gente e diversos objetos dos mais variados tipos.

O vestuário do jogo é limitadíssimo e chega a ser bizarro isso, pois é realmente pouco demais e isso acaba não empolgando muito ficar parando em lojas de roupas a não ser para modificar o visual inicial do seu agente, pois dá pra facilmente conferir logo o que você quer, equipar e depois provavelmente não achar nada demais.

Achei muito legal o lance das máscaras que os personagens usam e sim, sei que já usavam a bandana nos jogos anteriores, mas aqui são máscaras e algumas dão um toque fantástico no estilo dos personagens, o que faz você lamentar ainda mais o fato de não ter peças o bastante para fazer algumas combinações loucas.

As atividades presentes são bem legais. Acho que Watch Dogs é um jogo que você tem que focar mais nas missões principais para não ficar repetitivos, mas é bacana por exemplo as lutas ilegais, que você pode destravar um agente novo, o que dá aquele toque a mais, assim como outras coisinhas como entrega de cargas, atirar dardos, fazer embaixadinhas, etc... Acredito que utilizado de forma aleatória, dão um ótimo toque à coisa.
A história me agradou, inclusive gostei demais das missões alternativas com suas próprias histórias que te levam para outros lados além da missão principal que é investigar o Zero Day. Então se você quiser entrar no outro submundo de missões, vai enfrentar o Clã Kelley, que é uma gangue que faz coisas bizarríssimas na cidade e as missões do grupo hacker 404.

Aliás, achei a história de Legion um tanto pesada em alguns aspectos, o tráfico de humanos é mostrado com um clima pesado e a experiência apresentada que usa seres humanos tem uma atmosfera um tanto bizarra, achei até mesmo meio inadequada a coisa. Vi que algumas pessoas não gostaram da história, mas me agradou. Claro, eu prefiro a do 1 com aquele estilo noir e tal, mas ainda assim não achei fraca a condução de Legion. Talvez se a pessoa focar nas missões principais como eu, consiga usufruir mais.

Enfim, achei o jogo divertido pra caramba, sem uma inovação muito grande em relação aos anteriores e meio pesado e com problemas na otimização, o que pode frustrar um pouco quem joga no PC, mas no geral foi um jogo que me agradou e que acho que vale a pena. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na loja direta, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

Postar um comentário

0 Comentários