Waking | Um jogo que te analisa e mexe com seu psicológico

A mente humana é um local extremamente complicado e o que sabemos sobre psicologia não chega a arranhar os mistérios ocultos dentro de cada um de nós. Apesar de tudo, muitas obras nos mais variados tipos de mídia acabam explorando essa complexidade, e Waking é um desses. Um jogo não recomendado para pessoas com histórico de depressão e outros problemas relacionados à saúde mental exatamente por ter potencial para tocar profundamente as lembranças mais sombrias da pessoa.

A história te coloca pra interpretar você mesmo no futuro, em coma, lutando para sobreviver e isso te faz mergulhar nos momentos mais marcantes de sua vida e a simbologia toda por trás dela, a influência que suas escolhas tiveram no seu jeito de ser, suas dores mais profundas e os seus desejos acumulados.

Sem dúvidas esse é um jogo estranho, existem algumas obras que conseguem marcar as pessoas por tocar em assuntos bem específicos, como Actual Sunlight e sua ligação com a depressão e Hellblade e sua ligação com a Esquizofrenia. No entanto o que temos aqui é mais uma experiência pessoal, então acaba se assemelhando mais a obras como Kids, que qualquer pessoa pode jogar e se identificar diretamente com o protagonista.

Nesse caso aqui o protagonista é você, com o seu nome, sua altura e um tipo corporal que poderia ser o seu. O personagem é completamente coberto, usa capuz e não é possível ver seu rosto. Isso é proposital para que qualquer pessoa se identifique e possa se colocar no lugar do personagem apresentado. Parece uma versão da história de Phantom Trigger em que o protagonista é realmente você.

Esse jogo é bem estranho, ele é algo bem onírico, com um visual sombrio pra caramba e opções de jogar tanto como uma maneira tranquila no estilo Walking Simulator, quanto como Soulslike, que sinceramente eu não senti chegar nem perto de algo que seja desse gênero, pois acabou parecendo suave demais.

Acredito que a ideia acabou sendo ambiciosa demais para o orçamento do jogo. Ele poderia ser bem melhor se tirassem o combate, isso porque a parte de analisar a pessoa é um conceito bem interessante que acho que deviam ter focado nele. Mas para não tornar monótono, acabaram adicionando a opção de pancadaria.

Isso poderia ter dado certo, mas vemos que mesmo estúdios veteranos como a Ninja Theory, mostraram que isso pode ser complicado. Vemos isso em Hellblade que acho que é o que Waking poderia ser se o orçamento fosse um pouco maior. Mas acaba passando muito daquela sensação de que é um combate meio bobo.

Me lembrou de alguns jogos brasileiros psicológicos como Toren e Distortions, especialmente esse último, que também apresenta um conceito bem profundo envolvendo beleza e dor, mas que você sente que poderia ser algo inesquecível se tivesse um investimento maior da coisa, se a mecânica fosse melhor elaborada.

Em Waking, você anda por ambientes surreais e os objetivos são no geral chegar a um ponto, matar um inimigo ou resolver algum puzzle fácil. E é aí que acaba sendo o problema, pois ao invés de causar aquela satisfação, você sente que fez isso apenas para passar pra próxima parte. Por outro lado a narrativa é tão bacana, que foi um desperdício não terem focado nela e te fazer perder tempo com um combate que parece de jogos indie bem básicos.

A parte de análise é interessante pra caramba, o jogo te faz pergunta em certos momentos e te coloca uma série de opções. Na medida em que você escolhe, ele se adapta a aquilo, e isso torna a experiência muito pessoal. Tem algumas técnicas bem interessantes, como quando ele pede pra você fechar os olhos e começa a descrever sobre um animal de estimação que você já teve. Essa parte em especial pode tocar profundamente muita gente.

Graficamente o jogo não me agradou muito. Achei o design poluído demais e sei bem que é pra ser algo focado em trevas, nebulosidade e tal, mas acho que tem muitos jogos sombrios que conseguem ser bonitos. Gostei do visual exótico de alguns personagens, mas no geral achei um jogo com uma atmosfera pesadona no sentido de desagradável, tem ambientes surreais que são fantástico, mas você acaba não notando muito de tão poluído que é. Eu sei que nas imagens que coloquei tudo parece super fantástico, mas essas são as partes que criaturas aparecem, a maioria dos lugares são só um monte de cenários despedaçados, é meio vazio.

Enfim, Waking é um jogo que recomendo jogar sozinho, deve ser constrangedor jogar em live, pois pode tocar em assuntos que a pessoa não queira compartilhar. É uma experiência tranquila para momentos de calmaria. Não gostei tanto quanto gostaria, mas tem seu mérito pela ousadia. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na loja direta, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

Postar um comentário

0 Comentários