O polêmico beijo gay de animação infantil da Netflix

O tempo mudam, as coisas mudam, as regras mudam e às vezes algumas coisas que em outros momentos eram escândalos garantidos acabam simplesmente não sendo mais. E a homossexualidade sempre foi um tema badalado. Assim foi como The Sims se tornou um jogo exclusivo pra adultos na Rússia, por exemplo. Mas cada país tem sua evolução da coisa, e naturalmente o Brasil teve uma evolução gay da colônia à atualidade. A animação infantil, da Dreamworks, "Os 3 Lá Embaixo: Contos da Arcádia" (3Below) chocou muitos pais por apresentar um beijo gay.

A ideia de personagens gays sempre irritou muita gente. Quando personagens já conhecidos eram apresentados em versões gay, rolava uma imensa crítica dizendo que é forçação para agradar o público gay e que destroem personagens socando isso goela abaixo ao invés de criarem novos, é o caso do Lanterna Verde Gay. Por outro lado, quando apresentam algo novo como Dee Ay, o primeiro personagem gay de Resident Evil, há uma ira em cima por acusarem que é desnecessário um personagem ser gay e que só estão levantando bandeira pra forçar e agradar esse público.

Ou seja, a polêmica é garantida de um jeito ou de outro. É o tipo de coisa que basicamente faz o povo se manifestar rapidamente. No entanto, fora as irritações causadas e escândalos supérfluos, existe uma verdadeira luta por direitos e discussões políticas reais e sérias. Ou seja, não é apenas gritaria de internet. E com isso existem certas coisas que antes eram comuns, que de repente passaram a não fazer sentido.

Como vocês sabem, beijos hétero são completamente normais em animações. Obviamente nada libidinoso né? Apenas aqueles delicados e só. E se por lei, um casal gay tem direitos iguais, tipo poder visitar no hospital se rolar acidente e poder receber herança ao invés de ficar tudo pra família, algumas coisas começaram a não fazer sentido.

Bom, como vocês sabem, a Netflix sempre teve um pézinho em lances gay né? Só olhar Sense8 que você vê bem como eles gostam. No entanto no terceiro episódio da segunda temporada de "Os 3 Lá Embaixo: Contos da Arcádia" acontece uma cena em que duas adolescentes estão com medo porque tá rolando uma invasão alienígena e falam que vão morrer sem ter beijado ninguém e então se beijam.

A coisa chamou atenção quando uma mãe se manifestou nas redes sociais, pois estava assistindo inocentemente a cena com seu filhinho de quatro anos, afinal de contas a classificação era livre. E de repente viu isso acontecendo. A mulher ficou incomodada de algo assim ser exibido para uma criança tão nova e foi reclamar sobre a classificação ser livre.

A surpresa é que, diferente de outros tempos, não aconteceu algo do tipo a empresa se pronunciar com um pedido público de desculpas ou algo assim, muito pelo contrário. O Ministério da Justiça, que é responsável pelo sistema de classificação indicativa em nosso país disse o seguinte:  

"É importante compreender que a política pública da classificação indicativa foi construída, ao longo do tempo, com a adoção de critérios que não admitem qualquer juízo de valor, qualquer diferenciação entre raças, religião, posicionamento político ou orientação sexual. Ela se baseia, também, no entendimento de que a liberdade de expressão é um direito fundamental do homem, como preceito para garantir a manifestação de opiniões, ideias e pensamentos, sem retaliação ou censura, seja por parte de governos, órgãos privados ou públicos, ou outros indivíduos."

A Netflix por sua vez, também não se mostrou contra o conteúdo apresentado. Ao invés disso apenas explicou que os pais é que devem escolher o que os filhos devem assistir, pois esse conteúdo em especial não está fora dos padrões da classificação indicativa: "Acreditamos que o título está classificado de maneira apropriada e que os pais devem fazer as escolhas de entretenimento que considerarem adequadas para seus filhos".

Que coisa curiosa, né? E polêmico em sua própria natureza. Imagino que seja o tipo de coisa que deixe muita gente bastante revoltada, especialmente porque está dentro das regras. Acredito que no futuro veremos o surgimento de redes mais conservadoras para os pais que não quiserem que seus filhos vejam gays, pois como agora é algo que está dentro das regras, simplesmente não tem como os que se incomodam com isso terem um controle, e criar uma lei do tipo "Selo Sem Gay" seria mais polêmico ainda. Acho que a única saída para esses é criando uma rede inteira focada em algo dentro das normas cristãs.

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