Musashi vs Cthulhu | Cultura japonesa e toque Lovecraftiano em jogo brasileiro

Quando se fala de cultura japonesa, sem sombra de dúvidas o samurai Musashi é uma das mais faladas figuras, aparecendo em vários filmes, jogos, animes, séries, etc... Inclusive é a figura central de uma das obras literárias mais famosas do Japão. Porém, provando que sua fama atravessou fronteiras, Musashi vs Cthulhu é um jogo brasileiro que faz uma mistura completamente inusitada.

A história se passa durante o Japão Feudal, quando um poderoso samurai surge, no entanto a sua forma e determinação iluminam seu espírito, que acaba se tornando como um guia para outras dimensões e os seres que lá vivem passam a persegui-lo insaciavelmente. E assim Musashi se torna a única barreira que protege o fino véu da realidade.

Fiquei sabendo desse jogo na última hora e foi uma bela de uma surpresa, afinal de contas sou completamente apaixonado pela atmosfera dos Mitos de Cthulhu e naturalmente de obras em geral ligadas a H.P. Lovecraft. E essa mistura esquisita que logo faz pensar em outras obras loucas como Tesla Vs Lovecraft e a coisa ficou ainda mais empolgante quando vi que era um jogo brasileiro.

Eu sei exatamente o que algumas pessoas vão dizer "Nossa, jogo brasileiro que não é sobre o Saci! Que falta de patriotismo!". Mas a real é que a maioria das nações não escrevem sobre suas próprias culturas. Vocês não acham mesmo que Dark Souls é em um universo que remete ao Japão Feudal né? Ou creem que Prince of Persia é na França? Então não é lá uma prática única do Brasil. Pra falar a verdade acho que a maioria dos jogos usa cultura diferente da desenvolvedora. Veja Max Payne, por exemplo que é uma baita história nova-iorquina pura e que é finlandês o jogo.

Temos sim alguns jogos que focam em coisas mais ligadas com o Brasil, tipo Aritana ou Zueirama, assim como temos universos únicos tipo Toren e Distortions, e portanto acho que é claro que também acaba sobrando espaço para jogos que estão mais ligados a culturas de outros países, tipo Painters Guild, Star Vikings e Sword Legacy Omen.

E sempre tivemos essa forte ligação com a cultura japonesa, talvez tenha sido algo que nasceu nos anos 90 com a falecida rede manchete de televisão trazendo animes e Tokusatsu pra cá. E quando olhamos para jogos, sugamos demais disso, e Musashi vs Cthulhu acaba se encaixando nesse grupo que é cheio de obras nacionais interessantes, com óbvia influência oriental, tipo Blade & Bones, Oniken e Chroma Squad.

Ao dar uma espiada rápida, pensei que esse jogo seria um beat 'em up, mais pelo visual em si, no entanto quando fui testar, notei que a coisa é bem mais simplória. O foco é em uma jogabilidade um pouco diferenciada, me lembrou Too Many Ninjas, porém na medida em que você vai avançando, dá pra notar que existe um toque a mais de complexidade.

Aqui você não anda com o personagem, ao invés disso o foco é puramente na defesa dele. Inimigos aparecem da esquerda e direita com pontos fracos que podem estar em cima, no meio ou embaixo, e é preciso apontar a espada para acertar esses pontos fracos ou você simplesmente não vai conseguir matá-los.

Existe um tempo certo para se fazer acertos e é até possível errar e não ser penalizado, porém não é algo certo. O negócio é, quando o inimigo se aproxima o suficiente para você acertar, é preciso escolher imediatamente o ponto fraco dele, se você mira no meio e for em cima, seu personagem fica exposto por um breve momento, talvez você consiga se recuperar antes que ele te acerte, mas o mais provável é que ele te bata.

Ao ser acertado, seu personagem lança um tipo de áurea ao redor dele que afasta os inimigos por um instante para te dar tempo para respirar, mas seja acertado demais e você morre. Como os inimigos vem aos montes dos dois lados, a coisa vai ficando bastante frenética e é assim que você começa a se atrapalhar.

Quando você começa a matar inimigos demais, novos vão aparecendo e a jogabilidade começa a se modificar, aparecerão inimigos com pontos que precisam de duas estocadas, pontos em locais diferentes do corpo ou mesmo inimigos que se movem para o outro lado assim que são atacados e você precisa rapidamente se adaptar.

Joguei no controle de Xbox One e no começo achei bem confusa a configuração, pois você usa os três botões do lado esquerdo e três botões do lado direito para simbolizar os três pontos de cada lado. Só que é bem esquisito apertar teclas pra cima, esquerda e baixo indicando os três pontos da esquerda e Y, B e A indicando os três pontos da direita, ainda bem que fiz o tutorial, haha.

Visualmente o jogo é bastante maravilhoso, um design robusto com um toque meio sombrio e diversos tipos de criaturas. Como não é muito aberto eu acho que acabaram tendo tempo para dedicar bastante aos monstros e não ficar parecendo genérico, inclusive esse foi o motivo de eu achar que parecia um beat 'em up, pois parecia muito que ele ia andar por esse ambiente e descer o cacete ele até anda, mas é levado pelos ataques que você dá e não por comandos.

Enfim, esse não é um jogo para todo mundo, com certeza, o negócio é que ele é simples demais, e se você estiver procurando por algo que tenha alguma profundidade lovecraftiana a mais, talvez não seja a melhor escolha. Por outro lado, não há dúvidas de que é um ótimo passatempo e para algumas pessoas pode se tornar um verdadeiro vício para tentarem conseguir pontos a mais. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na loja direta, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

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