Mutant Year Zero: Road to Eden | Seja um pato falante nesse jogo atmosférico!

Esse é um jogo que quando foi anunciado, a princípio impressionou por seu universo, porém logo conseguiu dividir opiniões. Isso porque apesar de  ter um universo maravilhoso, a jogabilidade não é para todos os gostos, e como o vídeo era em CG, o primeiro pensamento era sobre um controle mais direto dos personagens. Apesar disso, pra quem gosta do gênero, pode ser só alegria, isso sem contar nos fãs, já que trata-se de uma adaptação de uma franquia de livros de RPG.



A história se passa em um pós-apocalíptico em que tudo está dominado por vegetação, com vestígios da civilização humana, mas além disso o mundo está lotado de monstros devoradores de carne. Por outro lado os poucos humanos que sobraram, se escondem, e há um novo tipo de espécie conhecida como "Mutante", por se tratar de animais humanoides.

Como dito, esse é um jogo é baseado em uma franquia de RPG de mesa, que começou originalmente em 1984 com o livro básico "Mutant", mas que com o passar dos anos foi sendo alterado, e várias edições novas lançadas, até que em 2014 veio Mutant Year Zero, que ganhou um público próprio e diretamente dele veio esse jogo aqui.

O que mais chamou a atenção no trailer de apresentação ao mundo, foi o fato de ter animais antropomórficos vestidos e armados, mas em um mundo sombrio, com um porco rabugento e um pato desleixado, além de uma garota. Certamente muitos lembraram de Beyond Good and Evil, e a ideia de um jogo em primeira ou terceira pessoa (com visão traseira) foi imediata, mas ao ser revelado que seria algo isométrico e com combate de estratégia tática, não animou tanto a todos.

Não vou mentir, assumo que eu gostaria também que fosse um jogo em que você controla um dos personagens, seria legal ver aquele mundo mais de perto, e sentir a tensão do trailer. A ideia de explorar um mundo pós-humano e ter medo do que pode surgir, me pareceu muito atraente mesmo. No entanto eu gosto de muitos jogos táticos, como Shadowrun Returns, Dungeon Dashers e Wasteland 2.

Sendo assim, não havia motivos para eu não dar uma conferida. O mais engraçado é que no fim das contas algo que me surpreendeu, foi a história do jogo, que eu já sabia que era intrigante, mas pensei que no fim das contas ia ficar como plano de fundo, mas a equipe soube apresentar a coisa de uma forma interessante o bastante pra prender a atenção.

Você controla o personagem diretamente no W, A, S, D, podendo variar entre os três e os dois que sobram, ficam seguindo o jogador, a não ser que você dê uma ordem para que eles parem. Isso por si só já deu uma variada, visto que normalmente esse tipo de jogo tem controles diretamente no mouse, via cliques constantes, mas aqui você pode até girar a câmera. Você pode coletar sucata e descobrir lugares.

Por outro lado, esse controle livre da coisa, faz com que seja mais fácil atingir extremos dos mapas, e assim você note que são meio limitados, pequenos. Ao encontrar inimigos e se aproximar o suficiente, você vê um círculo ao redor dele que indica a área de detecção. Se estiver com a lanterna ligada, esse círculo aumenta, se desligar, diminui, achei bacana demais a forma que colocaram isso.

Quanto ao combate ser tático e a exploração aberta, isso é meio semelhante ao que fizeram em Divinity Original Sin 2, não tão engenhoso já que aquele é cooperativo, mas semelhante. Você pode apenas entrar na linha de detecção de um inimigo, mas pode aproveitar pra fazer emboscadas, seguir um e então ativar o modo combate com todo mundo na posição certa, ganhando vantagens.

O jogo apresenta também alguns elementos de jogabilidade que dão uma variada e lembra por exemplo Hellsign, com um mapa onde você pode escolher locais que quer ir, uma base onde é possível comprar coisas, pegar missões e melhorar equipamento. Da base você pode ir diretamente para áreas já destravadas, mas quando está em uma, pode ir a pé entre uma e outra enquanto coleta sucata e investiga coisas novas.

A história sem sombra de dúvidas é a coisa que mais gostei no jogo, pois vão explicando o que aconteceu e criando uma bela de uma atmosfera gostosa. Você não sabe porque é um pato falante, e aparentemente nem eles. Todos são tão perdidos quanto e tem algumas coisas que você sabe mais que os protagonistas, o que gera um toque de humor muito bom.

Por exemplo, tem uma hora que acham um toca fitas e um deles diz "NÃO TOCA ISSO! ISSO É UMA BOMBA! OS HUMANOS CHAMAVAM DE 'CAIXA BUM', APERTE QUALQUER UM DESSES BOTÕES E VOCÊ VERÁ O BUM!", ou em outro momento que acham uma casinha de playground e um diz "Cacete! Pessoas realmenteeeeee pequenas moravam aqui!".

Visualmente o jogo é bem decente, ele não é fenomenal, mas dá pra disfarçar bem a coisa com os ambientes escuros, e existe um charme no fato da vegetação engolir tudo e você encontrar objetos humanos consumidos por ervas. O design dos personagens também é um elemento que acaba servindo pra evitar parecer muito genérico.

Enfim, é um jogo bom, porém para as pessoas certas e no momento certo. Não existe uma inovação muito grande, mas pra quem está no clima de uma estratégia tática, essa é uma ótima forma de conseguir algo com uma história intrigante. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na steam, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

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