Porém, ele surpreendeu de vez quando apresentou a sua nova funcionalidade, emular jogos de Nintendo Wii, isso no meio da sétima geração. Era algo fora do normal, afinal de contas mal se podia emular o Playstation 2 direito ainda e já se podia emular o Nintendo Wii? Foi um verdadeiro passo monstruoso. Claro, o Wii foi o console mais fraco (em relação a hardware) daquela geração, porém isso nada tem a ver, pois o próprio NullDC (emulador de Dreamcast), ainda não era bom o suficiente naquela época, enquanto o Flycast nem existia! E o hardware do Dreamcast era bem mais antigo que o do Wii.
Uma outra curiosidade sobre o Dolphin, é que dependendo do computador que ele rodar, os gráficos ficam superiores até mesmo ao do próprio Nintendo Wii, é uma baita coisa impressionante de se ver, um jogo emulado e melhor que no próprio console. Isso se deve à superioridade do hardware que faz pesar bem menos alguns jogos.
E assim se formou um emulador realmente luxuoso, que evoluía constantemente e que depois ganhou suporte a Android e iOS (só algumas versões e na base da gambiarra, pois perdeu o suporte com o tempo)! Um verdadeiro espetáculo jogar Game Cube em uma telinha pequena, e podendo assim ser colocado ao lado de outros emuladores fantásticos que rodam no smartphone como o PPSSPP (emulador de PSP) e o fabuloso Reicast (Emulador de Dreamcast).
Emuladores da Nintendo
A história dos emuladores de consoles da Nintendo acompanha praticamente toda a evolução dos videogames. Sempre que um novo aparelho fazia sucesso, não demorava muito para aparecerem programadores curiosos tentando entender como aquele hardware funcionava. O objetivo variava bastante. Alguns queriam estudar a tecnologia, outros desejavam preservar jogos antigos e muitos simplesmente sonhavam em rodar aqueles clássicos no computador. Ao longo das décadas, essa relação entre a Nintendo e a comunidade de emulação acabou se tornando uma das mais conhecidas do mundo dos games.
Tudo começou com o Nintendo Entertainment System, o famoso NES, lançado em 1983 no Japão como Family Computer, ou Famicom, e em 1985 na América do Norte. O console ajudou a recuperar o mercado de videogames depois da grande crise de 1983 e apresentou jogos que marcaram gerações, como Super Mario Bros., The Legend of Zelda, Metroid, Kid Icarus, Mega Man, Castlevania, Duck Hunt, Excitebike e Kirby's Adventure. Com tantos títulos históricos, era natural que surgisse o interesse em preservar essa biblioteca. Um dos primeiros emuladores de destaque foi o Pasofami, voltado para computadores japoneses, seguido por nomes que se tornaram muito conhecidos, como Nesticle, iNES, FCE Ultra e, mais tarde, Mesen, que buscou uma reprodução extremamente fiel do funcionamento do console.
Em 1989 a Nintendo lançou o Game Boy, outro enorme sucesso que colocou os videogames portáteis em um novo patamar. Tetris virou uma verdadeira febre, enquanto Pokémon Red e Pokémon Blue transformaram a franquia em um fenômeno mundial. Vieram também jogos como The Legend of Zelda: Link's Awakening, Super Mario Land, Donkey Kong, Wario Land e Kirby's Dream Land. Assim como aconteceu com o NES, surgiram emuladores capazes de reproduzir o portátil nos computadores. Entre os mais conhecidos estão Virtual GameBoy, KiGB, BGB, SameBoy e Gambatte, que ganharam fama pela boa compatibilidade e pela precisão na execução dos jogos.
Na década de 1990 a Nintendo apresentou o Super Nintendo, ou Super Famicom no Japão. Lançado em 1990 no mercado japonês e em 1991 na América do Norte, o console reuniu alguns dos jogos mais celebrados de todos os tempos. Super Mario World, Super Metroid, The Legend of Zelda: A Link to the Past, Donkey Kong Country, Chrono Trigger, Final Fantasy VI, Secret of Mana, Super Mario Kart, Star Fox e EarthBound continuam sendo lembrados até hoje. O sucesso do aparelho impulsionou uma nova geração de emuladores. ZSNES virou praticamente um símbolo da emulação durante muitos anos, enquanto Snes9x conquistou fama pela compatibilidade. Depois surgiu o bsnes, criado por Near, que mais tarde passou a se chamar ares e ficou conhecido por reproduzir o hardware com um nível impressionante de fidelidade.
Em 1996 chegou o Nintendo 64, um console que mudou bastante a forma como os jogadores enxergavam os mundos em três dimensões. Super Mario 64, The Legend of Zelda: Ocarina of Time, The Legend of Zelda: Majora's Mask, GoldenEye 007, Banjo-Kazooie, Perfect Dark, Mario Kart 64, Paper Mario e Star Fox 64 ajudaram a consolidar sua fama. Emular esse console era um desafio muito maior por causa de sua arquitetura. Mesmo assim apareceram projetos importantes como UltraHLE, Project64, 1964, Mupen64 e Mupen64Plus. O UltraHLE chamou atenção porque mostrou que era possível rodar jogos do Nintendo 64 em computadores comuns quando muita gente acreditava que isso ainda demoraria bastante.
Enquanto isso, o Game Boy Color e depois o Game Boy Advance ampliaram ainda mais a biblioteca portátil da Nintendo. Pokémon Gold, Pokémon Silver, Pokémon Crystal, The Legend of Zelda: Oracle of Ages, Oracle of Seasons, Metroid Fusion, Metroid Zero Mission, Castlevania: Aria of Sorrow, Golden Sun, Fire Emblem e Advance Wars fortaleceram essas plataformas. Os emuladores acompanharam esse crescimento. VisualBoyAdvance se tornou um dos nomes mais conhecidos do gênero, enquanto mGBA ganhou espaço por oferecer maior precisão e desenvolvimento constante. Muitos jogadores passaram anos utilizando esses programas para revisitar aventuras clássicas em computadores e até em outros dispositivos.
Em 2001 a Nintendo lançou o GameCube, seguido pelo Nintendo DS em 2004 e pelo Wii em 2006. Essa fase trouxe uma quantidade enorme de jogos memoráveis, incluindo Super Smash Bros. Melee, Metroid Prime, The Legend of Zelda: The Wind Waker, Resident Evil 4, Animal Crossing, Luigi's Mansion, Mario Kart: Double Dash!!, New Super Mario Bros., Mario Kart DS, Pokémon Diamond, Pokémon Pearl, The Legend of Zelda: Phantom Hourglass, Brain Age, Wii Sports, Super Mario Galaxy, The Legend of Zelda: Twilight Princess, Xenoblade Chronicles, Mario Kart Wii e Super Smash Bros. Brawl. Para o GameCube e o Wii surgiu o Dolphin, que acabou se tornando um dos emuladores mais famosos do mundo. O projeto evoluiu bastante ao longo dos anos, oferecendo melhorias gráficas, resolução mais alta, suporte a controles modernos e diversas opções que nem existiam no hardware original. Já o Nintendo DS ganhou emuladores conhecidos como DeSmuME, melonDS e NO$GBA.
Quando o Nintendo 3DS apareceu em 2011, muitos acreditavam que a emulação demoraria bastante para alcançar o novo portátil. Mesmo assim, a comunidade conseguiu desenvolver projetos importantes como Citra, que chamou atenção por permitir resolução superior à do console, melhorias gráficas e diversos recursos extras. Jogos como The Legend of Zelda: A Link Between Worlds, Pokémon X, Pokémon Y, Fire Emblem Awakening, Animal Crossing: New Leaf, Kid Icarus: Uprising, Luigi's Mansion: Dark Moon, Super Mario 3D Land e Monster Hunter 4 Ultimate ajudaram a tornar o portátil extremamente popular entre jogadores do mundo inteiro.
Em 2012 chegou o Wii U, um console que não repetiu o sucesso comercial de seus antecessores, mas reuniu uma coleção muito respeitada. Mario Kart 8, Super Mario 3D World, Splatoon, Pikmin 3, Bayonetta 2, Xenoblade Chronicles X e The Legend of Zelda: Breath of the Wild ganharam destaque. Para esse aparelho surgiu o Cemu, considerado um dos projetos mais impressionantes da história da emulação. Muitos jogadores ficaram surpresos ao ver jogos do Wii U funcionando em computadores com gráficos aprimorados, taxas de quadros maiores e tempos de carregamento reduzidos.
O Nintendo Switch, lançado em 2017, tornou a discussão sobre emulação ainda mais intensa. O híbrido conquistou enorme sucesso com jogos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild, Super Mario Odyssey, Animal Crossing: New Horizons, Mario Kart 8 Deluxe, Super Smash Bros. Ultimate, Metroid Dread, Luigi's Mansion 3, Fire Emblem: Three Houses, Pokémon Scarlet, Pokémon Violet e The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom. Ao mesmo tempo apareceram projetos como Yuzu, Ryujinx e Skyline, mostrando que a comunidade continuava interessada em estudar o funcionamento do hardware. O avanço desses emuladores gerou debates sobre preservação, acesso aos jogos e pirataria, temas que acompanham a emulação desde seus primeiros anos.
As disputas entre a Nintendo e os fãs nunca ficaram restritas aos emuladores em si. A empresa também tomou medidas contra sites de ROMs, projetos criados por fãs, modificações de jogos e distribuições consideradas ilegais. Casos envolvendo LoveROMs e LoveRETRO chamaram bastante atenção, assim como a remoção do Yuzu após um acordo judicial. O Citra também encerrou seu desenvolvimento oficial na mesma época. Em outros momentos, a Nintendo pediu a retirada de vídeos, mods, fangames e ferramentas que utilizavam propriedades intelectuais da empresa sem autorização. Essas decisões sempre dividiram opiniões. Enquanto alguns defendem o direito da empresa de proteger suas marcas, outros argumentam que a preservação de jogos antigos depende da comunidade, especialmente quando determinados títulos deixam de ser vendidos oficialmente.
Mesmo com tantas discussões, os emuladores continuam fazendo parte da história dos consoles da Nintendo. Eles ajudam pesquisadores, desenvolvedores, colecionadores e jogadores interessados em entender como diferentes gerações de hardware funcionavam. Também permitem estudar detalhes técnicos, comparar versões, criar traduções feitas por fãs, desenvolver mods, registrar curiosidades e manter viva a memória de jogos que marcaram época. A cada novo console lançado pela Nintendo, a curiosidade da comunidade reaparece, mostrando que a evolução dos videogames e da emulação caminham lado a lado desde os tempos do Famicom até as plataformas mais modernas.







