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Hajime no Ippo: Um dos mangás mais vendidos da história e vencedor de grandes prêmios

O mangá Hajime no Ippo (はじめの一歩) foi criado pelo japonês Joji Morikawa (Detalhe que no Ocidente, muitos tacaram o nome George Morikawa, sim GEORGE, afinal se soa parecido, então vai ser esse mesmo né? kkkkkkk), nascido em Tóquio em 1966. Antes de ficar conhecido por colocar seus personagens para apanhar dentro de um ringue, Morikawa trabalhou como assistente de Shuichi Shigeno, autor de Initial D, e teve Tetsuya Chiba, de Ashita no Joe, entre suas influências. A obra começou na revista Weekly Shōnen Magazine, da Kodansha, em 1989.

A história acompanha Ippo Makunouchi, um estudante tímido que sofre bullying e passa boa parte da vida sem saber exatamente o que significa ser forte. Sua rotina muda quando conhece o boxeador profissional Mamoru Takamura. O encontro desperta seu interesse pelo esporte e leva o garoto ao Ginásio Kamogawa, onde começa sua formação como lutador. E é aí que a coisa começa a ficar interessante, porque descobrir o que significa ser forte envolve muito mais do que simplesmente saber dar porrada.

Embora a premissa tenha elementos conhecidos dos mangás de esporte, Hajime no Ippo se diferencia pela forma como transforma o treinamento e as lutas em partes importantes da história. Ippo não começa como um prodígio fodãozão que simplesmente descobre um talento escondido e sai distribuindo nocaute porque ele é cabuloso e pronto. Ele precisa aprender postura, movimentação, resistência e golpes, além de entender como cada adversário funciona. Isso aproxima a obra de outros clássicos esportivos, como Ashita no Joe, mas com uma abordagem mais longa e cheia de personagens recorrentes.

O boxe também não serve apenas como cenário para as lutas de Ippo. Takamura, Aoki, Kimura, Miyata e outros integrantes do Ginásio Kamogawa possuem suas próprias histórias, objetivos e estilos de luta. Por isso, muitos confrontos conseguem funcionar mesmo quando Ippo não está no centro deles. A rivalidade com Ichirō Miyata, por exemplo, estabelece desde cedo uma relação que influencia boa parte da trajetória do protagonista. Afinal, em Hajime no Ippo, aparentemente até respirar no mesmo lugar que outro boxeador pode virar motivo para uma rivalidade de décadas.

É daquelas obras que tem variam entre drama e comédia. O ambiente do ginásio pode apresentar treinamento pesado, derrotas e momentos bastante emocionais, mas também existe espaço para as brincadeiras envolvendo os boxeadores. Takamura, principalmente, costuma levar o lado mais absurdo do humor da série, criando um contraste direto com a seriedade das lutas. O sujeito consegue ser um monstro dentro do ringue e, fora dele, parecer alguém que deveria estar sendo supervisionado por um adulto. Essa mistura ajuda a diferenciar Hajime no Ippo de obras esportivas que mantêm um tom mais sério durante quase toda a narrativa.

Não sendo surpresa pra ninguém, ganhou um anime produzido pelo estúdio Madhouse. A primeira série, exibida entre 2000 e 2002,  e foi grande pra cacete, pois teve 76 episódios!!! Sendo seguida por produções como Hajime no Ippo: New Challenger e Hajime no Ippo: Rising. O material animado também inclui um filme e um OVA, fazendo com que a franquia tenha uma presença considerável fora dos mangás. Para quem prefere assistir aos socos em vez de ler centenas de páginas sobre preparação para os socos, existe material de sobra.
 
Acho que não dá pra dizer que é muita surpresa que ele ia aparecer em algum lugar de destaque. E assim rolou! Hajime no Ippo venceu o 15º Kodansha Manga Award na categoria shōnen em 1991, apenas alguns anos depois do início da publicação. Décadas depois, recebeu também um prêmio especial no 43º Kodansha Manga Award, em 2019. A série ultrapassou a marca de CEM MILHÕES de cópias em circulação em 2023 (eu não consigo nem imaginar como algo vende tanto assim), colocando a criação de Morikawa entre os mangás mais vendidos da história. Nada mal para uma história que começou com um garoto tímido descobrindo que talvez o melhor caminho para entender a força fosse tomar umas pancadas.

A longevidade é uma das características mais impressionantes de Hajime no Ippo. A publicação iniciada em 1989 atravessou décadas e passou MUIIITO dos 100 volumes, mantendo a história centrada no boxe e no desenvolvimento de seus personagens. O tamanho também explica por que a obra durante muito tempo foi vista como difícil de publicar no Brasil, afinal, quem seria louco o suficiente né? Vai que não fizesse sucesso aqui. No entanto, a Editora MPEG passou a publicar o mangá brasileiro em formato 2 em 1, dando aquela acelerada marota com volumes bem mais grosso que o normal e tornando Hajime no Ippo oficialmente disponível em português no país.
 
Bom, chega de papo! É basicamente isso, Hajime no Ippo é daqueles mangás que não focam em um mundo mágico super exagerado, mas conta com uma mistura variada de ação, drama e comédia. Ou seja, é algo pra mexer com as emoções, pra ser tranquilo, gostoso de ler. Não foca em um tema muito apelativo, mas talvez seja exatamente essa sensação mais pé no chão, que mistura o suave de os momentos com o intenso de outros, que fez vender mais que banana. É uma boa escolha para fãs de boxe e de obras como Ashita no Joe, especialmente para quem não se incomoda com uma série extremamente longa e quer acompanhar uma carreira esportiva construída passo a passo.
 
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