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Copenhagen Cowboy | Série psicodélica ambientada no submundo da Dinamarca

Se você é apaixonado pela estranheza intensa que vemos no aclamado universo de Twin Peaks, hoje vou falar sobre uma série que diversas vezes me passou uma sensação de esquisitice semelhante. Essa série apresenta um ambiente naturalmente atraente, o submundo. Já o vimos ser explorado das mais variadas formas, indo desde bizarríssimas como em Cidade das Lápides, até o universo do crime com elementos sobrenaturais, como a polêmica Wanted, que Hollywood teve medo de adaptar. E essa obra aqui aborda exatamente esse tema, bandidos e algo além da realidade, porém algo voltado para o público adulto e não mais uma história de super-heróis.

A história é ambientada em Copenhaga (ou Copenhague), a capital da Dinamarca. Uma garota chamada Miu foi comprada por uma família de criminosos. A sua dona acredita plenamente que trata-se de uma bruxa capaz de dar sorte e realizar desejos em troca de dinheiro. Enquanto isso, garotas de programa são mantidas por seu irmão, sendo leiloadas noite após noite. Até que sua dona passa a não acreditar mais que tem uma força do bem em suas mãos.
Apesar de eu já conhecer a série, o que me empolgou para ir atrás, foi ter assistido O Guerreiro Silencioso, filme medieval viking do gênero Espada e Feitiçaria do diretor Nicolas Winding Refn. Esse é o diretor do tão idolatrado Drive, e que mostrou ter muita tendência a colocar fortes significados filosóficos em suas histórias, não sendo apenas o que está sendo apresentado para o público, mas também com uma simbologia nas entrelinhas. E assim, decidi assistir sua série da Netflix.
 
Antes de tudo, saiba que essa é uma daquelas séries estranhas com toque psicológico. Pelo trailer, eu imaginei que seria algo semelhante a Kill Bill, já que apresentava um submundo de bandidos estranhos com uma personagem vestida em um visual que parece um uniforme. No fim das contas, não é algo que tenha semelhanças grandes à obra do Quentin Tarantino, mas de certa forma até que pode ter traços. 
Então é como se fosse Kill Bill sem ter tanta coisa esculhambada, mas sim algo mais focado no público adulto, apresentando elementos super estranhos, como combates usando artes marciais e vilões excêntricos, mas não a ponto de ter elementos de filme trash e se tornar cômico em certas partes, como vemos frequentemente em Kill Bill.

A verdade é que o que me lembrou mesmo com uma frequência absurda, foi a série Twin Peaks, o que me foi uma verdadeira surpresa. Isso porque apesar de se passar em Copenhagen, é algo que passa absurdamente a sensação de cidadezinha. Tanto que quando eu falei para meu amigo que aquilo ali era acapital da Dinamarca, ele tomou um susto, porque parece um ambiente rural em algum local bem isolado onde ricos vão para terem acesso a prostíbulos (que é proibido lá).
Mas o que parece é que é que trata-se de algum bairro mais pobre da cidade, e também mais vazio. Sempre tem aquele clima de ser uma cidadezinha. Um lugar sempre com pouca gente na rua, mas com estabelecimentos criminosos, incluindo a máfia chinesa e gangues locais. Inclusive quando a personagem vai para outro ponto da cidade com prédios altos, a sensação é que ela viajou, mas é o mesmo lugar.

E a semelhança com Twin Peaks vem da esquisitice aleatória que aparece. Como um personagem olhando para uma parede com desenhos de flores e do nada uma moça aparecendo toda pintada de flores. Ou mesmo os efeitos de som estranhos e até mesmo bobos durante os combates. É claro que pra cada coisa tem uma simbologia, mas esse formato esquisito nesse nível é algo que parece ter fortemente a assinatura de Twin Peaks de um jeito que poucas séries como Happy Town conseguiram absorver. Consequentemente acaba tendo um pouco de Hemlock Grove presente.
Essa ambientação parece ser mais uma prova de que os próprios americanos já cansaram de obras ambientadas lá. Isso porque enquanto antes os diretores internacionais se esforçavam para as coisas serem o mais americanas possíveis, ambientadas lá e com tudo que indicasse que fosse algo nacional, chegou a um ponto que esse público passou a desejar ver algo diferente, que não se passasse em Nova Iorque ou uma cidadezinha padrão no interior dos EUA.

Vimos uma explosão de obras ambientadas no mundo todo, com empresas de streaming investindo dinheiro para produções locais. Isso faz ser possível entregar obras diferenciadas e sem pagar tanto. Lembrando que Sense8 foi cancelada pela Netflix por ser muito caro fazer gravações ao redor do globo. E aqui temos algo produzido pela "byNWR Originals", um estúdio independente do Nicolas Winding Refn na própria Dinamarca. Isso faz não ser necessário mover rios de dinheiro pra levar atores e uma equipe inteira, além da burocracia infernal.
O resultado foi bem natural e achei uma beleza mostrar um país da Europa em uma ambientação decadente. Isso tira também o estigma que se tem de que a Europa é perfeita e sem problemas, e que não tem criminalidade por lá. Aqui temos uma ambientação misteriosa e uma vida decadente para alguns personagens. Pessoas afundadas no mundo do crime, e ao mesmo tempo uma trama sobrenatural discreta.

E por falar em sobrenatural, tá aí um elemento que é muito interessante. Digo isso porque é apresentado no geral de forma discreta. Sendo assim, embora comentem que a protagonista é bruxa e você veja o jeito esquisito dela agir, não é aquela coisa exagerada. Inclusive você pode acabar levantando dúvidas sobre ela ser mesmo algo ou ser simplesmente o que todo mundo fala e acredita, mas que não significa ser real. Só assistindo pra saber!
A protagonista, Miu, segue o padrão tão comum nas obras do Nicolas Winding Refn, que pode ser algo do agrado ou não das pessoas que forem assistir. Então os diálogos com ela são sempre um tanto inquietantes. Isso porque fazem perguntas e ela só não responde ou demora um bocado até sair. Sempre são em poucas palavras também. Por outro lado, curiosamente foi a protagonista mais falante que vi desse diretor, já que às vezes até iniciar conversa ela inicia. Porém ainda é muito calada.

Assim como em Drive, esse seriado também assume uma estética psicodélica. Sendo assim, você vai ver um clima de neon bem constante. Ambientes noturnos e escuros, mas frequentemente com a presença de uma iluminação de cor extremamente forte, dando aquele contraste e visual bastante psicodélico.Eu acho essa estética bastante bonita, e também é muito impregnada à obra, portanto desde pôsteres até cenas isoladas, é fácil identificar esse padrão.

Enfim, essa é uma daquelas séries bem estranhas, mas muito rapidinhas também. Então é bem perfeita para maratonar e devorar os seis episódios da temporada de forma bem tranquila. Não digo que é pra todo mundo, especialmente porque carrega um nível de estranheza que muita gente provavelmente vai ficar incomodada. Porém se você acha tranquilo coisas sem respostas claras e gosta de obras cheias de entrelinhas, é uma opção que recomendo muito. Mas e aí, gostam de coisas desse jeito? Não deixem de conferir o que tem de novidade hoje no Blog Nerd Maldito.

Sobre Nicolas Winding Refn

O mundo do cinema é vasto e diversificado, repleto de cineastas talentosos que deixaram suas marcas únicas e inovadoras. Entre esses nomes, destaca-se Nicolas Winding Refn, um diretor dinamarquês conhecido por sua abordagem distinta e estilizada à narrativa visual. Refn não apenas cria filmes; ele constrói experiências cinematográficas que transcendem o convencional e desafiam as normas, levando os espectadores a explorar os recantos mais profundos da mente humana e da sociedade.

Nicolas Winding Refn nasceu em Copenhague, Dinamarca, em 29 de setembro de 1970. Desde jovem, ele demonstrou interesse no mundo do cinema e, ao longo dos anos, aprimorou suas habilidades técnicas e narrativas. Sua jornada como cineasta é marcada por uma busca constante pela autenticidade e pela expressão individual. Desde seu primeiro filme, "Pusher" (1996), até suas obras mais recentes, como "The Neon Demon" (2016) e "Too Old to Die Young" (2019), Refn desafia os limites previsíveis do cinema.

Uma das características mais marcantes do trabalho de Nicolas Winding Refn é sua estilização visual única. Cada cena, cada enquadramento e cada paleta de cores são escolhidos meticulosamente para transmitir emoções e atmosferas específicas. A estética de Refn muitas vezes inclui composições simétricas, iluminação ousada e uma abordagem deliberada à cor, resultando em imagens que mais se assemelham a obras de arte em movimento do que simples quadros em uma tela.

Ao longo de sua filmografia, Refn mergulha na psicologia humana e na exploração da violência. Seus personagens muitas vezes enfrentam situações extremas que os forçam a confrontar seus medos, desejos e demônios internos. A violência em seus filmes não é apresentada de maneira gratuita, mas como uma parte intrínseca da narrativa, uma força que molda e revela as complexidades dos personagens.

A parceria notável entre Nicolas Winding Refn e o ator Ryan Gosling resultou em uma das colaborações mais aclamadas do cinema contemporâneo. Filmes como "Drive" (2011) e "Only God Forgives" (2013) demonstram a química única entre diretor e ator, explorando personagens taciturnos em mundos sombrios e repletos de perigo. A colaboração ilustra a capacidade de Refn de extrair performances excepcionais e de mergulhar profundamente na mente de seus personagens.

Refn é conhecido por sua disposição em desafiar as convenções cinematográficas. Seus filmes frequentemente dividem a opinião dos críticos e do público, provocando discussões acaloradas sobre sua abordagem estética e narrativa. No entanto, é exatamente essa disposição de romper com o comum que faz de Refn um diretor tão intrigante. Ele se recusa a se acomodar em fórmulas previsíveis e, em vez disso, busca constantemente novas maneiras de contar histórias e envolver o público.

Nicolas Winding Refn é muito mais do que um diretor de cinema; ele é um visionário que redefiniu os limites do que é possível na sétima arte. Sua estilização visual única, exploração profunda da psicologia humana e disposição de desafiar as normas tornam seus filmes experiências cinematográficas cativantes e inesquecíveis. Refn continua a inspirar cineastas e espectadores a olharem além do óbvio, a abraçarem a complexidade e a abraçarem a beleza inerente às narrativas visualmente ricas e emocionalmente intensas. Seu legado perdurará, continuando a influenciar as gerações futuras de cineastas e a expandir os horizontes do cinema moderno."

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