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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

South Park: A Fenda que Abunda Força

Tenho que assumir que fiquei surpreso quando soube que South Park: The Stick of Truth iria ter uma sequencia, digo isso porque a franquia South Park já teve vários jogos, porém sempre aquela coisa aleatória. Mas parece que a Ubisoft decidiu aproveitar bem os direitos ao invés de deixar no canto como a maioria das empresas. E chegou o momento da análise!



A história te coloca no papel de um novato que se mudou para South Park, e logo descobre que um grupo de crianças locais está brincando de super herói, e sem nem ao menos perceber, te colocam no meio da brincadeira, mas não demora muito até as coisas começarem a ficar cada vez mais sérias enquanto o crime é combatido.

Muitos de vocês devem saber que a dublagem de jogos no Brasil como algo padrão não é algo que sempre aconteceu, a coisa era meio aleatória e no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000 ela aparecia de forma catada e feita não pelas desenvolvedoras, mas pelas distribuidoras nacionais, e assim alguns jogos como Soul Reaver e Stronghold tinham dublagens.

Apesar de tudo as pessoas sabiam que existiam limites e alguns jogos tinham cara de "Nunca um jogo dessa franquia será dublado!", apesar de algumas surpresas surgirem como Alone in the Dark The New Nightmare, que mesmo tendo todos os jogos anteriores dublados, esse era uma nova geração de jogos e tinha cara de que jamais seria.

Graças a essa "regra não oficial" de coisas que dava pra sentir que não receberiam dublagem, tinham certas coisas que REALMENTE você via que nunca seriam dubladas. E uma delas era um jogo de South Park, afinal de contas pra quem não sabe, levou um século pra o desenho ser dublado em português, ou seja se nem o desenho era dublado, imagina um jogo?

Mas pior, imagina um jogo para video game? Porque as dublagens de jogos no geral eram pra PC e no fim dos anos 90 a pirataria dominava no Brasil, comprar um jogo pra console pelo dobro ou triplo de um salário mínimo da época era completamente fora da realidade, então sem chances de um jogo ser dublado.

Mas foi então que surgiu o falatório sobre o jogo para Nintendo 64 ser dublado! Aquilo era uma loucura, frequentemente falando disso. E claro que era super empolgante, quero dizer hoje em dia é normal todo jogo grande ser dublado, mas isso só se tornou um padrão pra grandes empresas em 2010, antes eram dublagens catadas aqui e ali. Sendo assim em 1998 isso era uma loucura!

Enquanto jogava o multiplayer com meus amigos era frequente conversarmos sobre o assunto, eram coisas do tipo "O que será que o Big Gay grita na versão dublagem? Gay Grandão?" uahahaha. Quando ganhei um PC e fui testar emulação, pensei que finalmente conseguiria, mas aí me deparei com outra realidade, a de que roms não eram feitas no Brasil, e assim nunca teriam uma cópia da versão nacional pra fazer a rom.

E assim o tempo passou e nunca vi a bendita versão dublada daquele jogo, pra falar a verdade hoje em dia eu nem sei se ela realmente existiu ou se era uma lenda urbana. Grupos de tradução deixaram o jogo em português, mas sem a dublagem. Quando South Park: The Stick of Truth foi lançado, só veio legendado, o que não foi uma surpresa apesar de ser da Ubisoft, que traduz tudo.

No entanto existiu um motivo, assim como não tinha dublagem, esse jogo também não tinha ligação com a Uplay na versão steam. E o motivo disso é que o jogo pertencia à THQ, mas ela faliu, daí a Ubisoft comprou ele já em fim de desenvolvimento, não tendo assim tempo, e somente por isso não foi dublado.

Mas com a vinda de South Park: The Fractured But Whole a empresa colocou a mesma dedicação que em outros jogos e já veio em nosso idioma, me permitindo finalmente poder ver um jogo dublado da franquia, e que aliás, foi um trabalho épico. Comecei a fazer uma stream dele na Twitch do Nerd Maldito, e frequentemente vi gente comentando sobre a dublagem, assim como eu mesmo citei várias vezes.

Aliás, o trabalho de tradução em geral ficou impressionante e eu já tinha notado antes do lançamento quando conseguiram fazer um trocadilho com o título em português com um sentido semelhante ao em inglês, algo que normalmente é difícil pra caramba. Mas ao ver o jogo e as possibilidades de fala, fiquei realmente surpreso em como se viraram.

A verdade é que esse não é o primeiro jogo da Ubisoft que me surpreendem com uma tradução difícil de fazer, ela já tinha contratado uma equipe extremamente competente quando fez Child of Light, e lá a coisa era do capeta já que a história era narrada em versinhos. Já aqui o desafio foi adaptar certas situações que dependem de suas escolhas, algo que tinha tudo pra dar errado já que é ligado diretamente ao jogo, e é normal em dublagens o povo nem saber do que se trata e aí sair algo sem sentido.

Aliás, algo curioso que vi alguém falando é sobre a dublagem do desenho em português ser mais esculachada do que a em inglês, eu já tinha ouvido falar sobre isso em Aqua Teen, da dublagem ter mais palavrões e essas coisas, mas foi uma surpresa quando vi comentarem isso de South Park, não sei se é verdade, mas fiquei atento e tudo indica que é mesmo.

Quando fui procurar a versão em inglês de um momento em que você finge ser uma stripper e tem que rebolar no colo de um coroa, mas fica peidando. Os comentários dele são coisas como "Nossa, você tá apodrecendo a sala VIP!", já em português são "Caralho gata! Seu cu tá podre!" kkkkkk. E também se você observar a legenda, às vezes dá pra notar alguns extras na dublagem, como quando uma garota fala "Ei, volta aqui!" na legenda mas na dublagem a fala é "Ei, volta aqui sua piranha!".

Mas bom, vamos falar agora sobre a jogabilidade né? Aqui temos um RPG em turnos, mas que apresenta a coisa de uma forma discreta, que pode agradar com mais facilidade aqueles que odeio jogos desse gênero. Mas no geral tem todo o sistema de criação e evolução de personagem, além de uso de equipamentos e itens.

Inicialmente você cria o visual, mas algo interessante nesse jogo é que você não preenche a ficha inteira de uma vez, pra falar a verdade demora bastante até preencher todos os atributos. Essa foi uma forma fenomenal de não deixar odiadores de RPG entediados. Então você vai em missões pra pegar uma característica nova e assim vai se acostumando.

O jogo te permite vagar livremente pelas ruas de South Park, não é um mundo aberto padrão, porém é um jogo aberto, que te deixa ir para qualquer canto, e aos poucos ir liberando mais áreas. O ambiente é composto por estabelecimentos comerciais, casas, parques, serviços públicos e outras coisas. Cada um deles tem coisas novas pra explorar.

Além das missões principais, existem as missões alternativas, que vão desde resolver problemas de alguém, até distribuir ou coletar certas coisas. Sendo assim você pode ir até um lugar e passar na frente de outra missão que valha a pena continuar, e assim sempre dá pra fazer aquela paradinha para dedicar a um outro assunto.

Existem também locais secretos para serem explorados, alguns você pode descobrir de imediato, mas outros você só vai ter acesso quando destravar certas habilidades ou aliados que possam te ajudar a ter acesso. E assim existe aquela sensação semelhante a jogos do gênero metroidvania, onde de repente você pode entrar em uma parte que antes não podia.

O sistema de combate do jogo é em turnos, mas você precisa andar com os personagens até quadrinhos que são divididos no chão. Se um quadrinho estiver ocupado, você simplesmente não pode colocar ele ali e tem que achar outro lugar. O alcance do ataque também vai variar dependendo da habilidade que você usar, às vezes é algo bem direto na frente do personagem, às vezes é à distância, às vezes é ataque em área e assim vai.

Algo fenomenal é que as falas não são repetitivas, e dependendo do que está rolando naquele combate em especial, os personagens vão fazer comentários diferentes, e não é apenas baseado em que inimigos enfrentam, é baseado no ambiente, nos ataques que foram dados, e tudo mais. Do começo ao fim você ouve coisas novas a cada combate, a quantidade de linhas do roteiro dessa bagaça deve ser astronômica.

O mesmo acontece dependendo das suas escolhas no jogo, como por exemplo você vai a um orientador da escola pra falar sobre gênero, eu escolhi "outro" na primeira vez que fui, e assim que saí da escola, adivinhem só? Chegou uma caminhonete cheia de caipiras dizendo que não queriam uma aberração assim na cidade deles e iam descer o cacete em mim pra eu virar homem kkkkkkk. Então dependendo das escolhas as coisas realmente mudam e as falas se tornam diferentes.

Aliás, as situações do jogo em geral são hilárias, super bizarras e algumas eu nem sei como tiveram coragem de colocar. Quero dizer, tudo bem que é South Park, mas é também um jogo da Ubisoft né? Então normalmente empresas gelam ao ligar certas coisas a seu nome. No caso aqui rolam coisas como padres pedófilos em um quarto escuro e invadir a casa de pessoas negras pra bater nelas e prendê-las, pois a polícia disse que são terroristas invadindo o lugar.

Visualmente o jogo é maravilhoso, realmente parece um episódio do desenho, e exatamente por ser 2D pode acabar dando um susto nas pessoas quando veem os requisitos mínimos, por outro lado quando se pensa que é um monte de imagens em alta definição rodando o tempo todo e tendo que ficar liso, é onde se começa a entender que é preciso de um processamento melhor pra fazer isso o tempo todo sem travar.

Enfim, ótimo jogo, acho que vale a pena pra dar boas gargalhadas, coisas novas acontecem com uma frequência e naturalidade enorme, cheio de possibilidades que mudam e piadas de humor negro que apresentam ótimas críticas sociais. Então fica aí essa dica de jogo!


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