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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Fictorum | Aqui você é um mago fodão fora de controle

Jogos em que tem magos como o simpático Arcuz e o inesquecível Dink Smallwood,  geralmente te colocam no papel de um personagem que começa fraco e aos poucos vai ficando poderoso. Mas Fictorum é um dos poucos jogos que faz diferente, e aqui você já começa como um mago com poder destrutivo completamente absurdo e sai devastando vilas inteiras.




Como a era medieval é inspiradora, não é mesmo? Desde construções como o Monteriggioni, até sua arte peculiar que inspirou obras como o esquisitíssimo Incredipede, e assim ficamos encantados quando vemos obras apresentando esse universo, seja em versões padrões tipo Epic Citadel, ou em obras que força a entrada elementos modernos no passado, como armas de fogo. É só ver Shade: A Vingança dos Anjos, ou o clássico da blizzard Blackthorne.

E Fictorum é uma obra que reflete bem esse nosso fascínio, mais especificamente por fantasia medieval, com a presença de seres e itens mágicos, além de uma história épica. No caso desse é mais para um ambiente de Dark Fantasy, já que não é exatamente o que se pode chamar de um mundo perfeitinho ameaçado.

A história desse jogo é um pouco complicada, não é aquela coisa padrão de um reino medieval onde as trevas chegaram e o herói é enviado para destruir. Nesse quesito a desenvolvedora fez algo muito mais profundo e detalhado, que mostra um baita desenvolvimento até chegar o momento onde você controla o personagem.

Mas vamos lá! Nesse universo existem ordens mágicas que lutam pelo domínio de todas as escolas de magia, até que surge um poder misterioso chamado Fictorum, que tem potencial para superar todas as escolas. No entanto isso gera pânico, fazendo com que a guerra pare e todas se juntem para destruir Fictorum.

Quando quase estão para ser destruídos, magos de elite da ordem Fictorum se unem e invocam algo chamado de "O cataclismo", que faz surgir uma nuvem de morte que cobre a terra inteira. O objetivo era matar todo mundo, mas as ordens se reúnem nas mais altas montanhas onde a nuvem não chega e passam a viver lá. 

O mundo parece composto de pequenas ilhas, que são topos de montanhas, e estruturas com portais são criadas para se teletransportarem de forma segura para outras comunidades. Com o tempo, a humanidade conseguiu prosperar e viver em paz, mas a ordem Fictorum ainda vivia isolada, também em paz, até que um novo mal estava por vir, destruindo seu lar.

Eles tentaram avisar as outras ordens, mas havia sido criado algo chamado de a inquisição, que funciona exatamente como a inquisição da igreja, mas ao invés de caçar bruxas, caçavam membros da ordem Fictorum. E nesse segundo evento, o resto da ordem foi morrendo um a um, mesmo os mais sábios e antigos que tentaram se comunicar.

Você assume o papel do último, que acaba caindo para a morte no abismo, mas não morre. Ao invés disso sofre horrendos ferimentos e vê todo o horror que se esconde embaixo da névoa. E quando finalmente consegue emergir, decide que não quer mais argumentar ou avisar do que está por vir. Você mesmo vai destruir tudo.

Como podem ver, existe toda uma história de fundo e um mundo bem construído, achei bacana demais isso, pois é normal as pessoas serem preguiçosas na hora de criar tramas medievais. As vezes são bem criativas como em Gemcraft ou simplesmente viciante como em Crush the Castle 2, mas história mesmo não há muito esforço na maioria das vezes.

Por outro lado, Fictorum tem o problema da história ir muito além disso e ser apresentada em formato texto. Acaba inclusive sendo um contraste, pois creio que quem vai comprar um jogo desses, normalmente tá muito mais empolgado com destruição do que com história. Sendo assim imagina após cada fase aparecer uma página ou mais de um livro pra você ler?

Não que ler seja um problema, mas você tá tão no clima de ir destruir o próximo lugar, que é meio cansativo essas pausas né? Especialmente porque parte da mecânica desse jogo é de interpretação de personagem, onde você escolhe o que vai fazer depois, tipo livros jogos. E dependendo da sua escolha pode aparecer outro textão.

A coisa funciona assim, você tem o mapa que mostra a grande névoa, os topos de montanha e onde você está naquele momento, e esse ponto é ligado a outros que você escolhe onde quer ir, quando você vai, aparece um texto narrativo, dizendo o encontro que você teve, pode acontecer qualquer coisa, pode ser um lugar calmo, um tesouro, combate. E você tem a opção.

Dependendo da opção que escolher, aí vem o resultado, que pode ser outro texto narrativo, ganho de itens, ou mesmo uma fase que carregue pra você fazer algo. É legal, só que os textos enormes incomodam, tem muitos jogos que fazem isso e são tranquilos, tipo FTL: Faster Than Light ou mesmo Out There.

Como não tem imagens ou qualquer outra coisa movimentada entre o textão, vai batendo aquele cansaço e a vontade de só ir clicando em qualquer opção para passar logo pra próxima fase. O que não é nada certo... E pra ver que dá pra fazer algo assim sendo super divertido é só ver a fórmula que o viciante Northmark usou, mas o negócio é que aquele tem uma arte fenomenal e muitos elementos além do texto, é super dinâmica a experiência.

Já na parte que realmente interessa no jogo, que é a da destruição louca, a experiência é meio old school. Os cenários são gerados aleatoriamente, tem algumas coisas que até ficam bastante bonitas e tal, mas tem aquela sensação de algo meio seco, um mundo um tanto vazio, mas com uma jogabilidade espetacular.

Tive muito aquela sensação que se tem ao jogar Lugaru, em que você percebe que tem habilidades incríveis, se sente muitíssimo bem usando elas. Bate aquela vontade de vagar pelo mundo e tal, no entanto simplesmente não dá para ignorar que o cenário é um tanto seco demais e que poderia ter uma certa polidez.

Você tem uma criação de personagem e pode escolher entre ser um mago de eletricidade, fogo ou gelo. Depois da escolha, é possível combinar a habilidade que você escolheu com runas e assim moldar o tipo de ataque, por exemplo fazer expandir o campo de ataque ou aumentar a velocidade. Não é algo tão complexo quanto vemos em Magicka Wizard Wars, mas é interessante.

É muito bonito ver as construções sendo destruídas, você lança uma magia e vai pedaço pra todo lado. E a coisa não é como um balão onde você enfia uma agulha e estoura, realmente as paredes, chaminés, telhados são destrutíveis dependendo de onde você acertar, as vezes pode ser caótico e as vezes só uma rachadura.

Os pedaços causam dano, tanto em você quanto nos inimigos, então pode ser que tenha uma galera vindo te matar, mas você exploda a casa ao lado deles e mande todo mundo pro saco de uma só vez. Mas pode ser também que você esteja usando suas habilidades, acabe destruindo algo e um destroço enorme venha voando bem em sua direção.

A vida do jogo não se recupera, você pode escolher descansar em um lugar do mapa, mas na parte de trás sempre vai aparecer uma enorme onda amarela que avança a cada movimento ou descanso seu. Essa onda é a inquisição, e se ela encostar no lugar onde você estiver, aí é hora da porrada com uma quantidade enorme de inimigos.

Parece divertido, mas como avida não recupera e mesmo descansando a recuperação é minúscula, não é uma boa ideia. Você é um mago fodão, mas eles tem magos, arqueiros, cavaleiros, monstros. Alguns desses inimigos são realmente poderosos e não será uma mera estaca de gelo que vai pará-los não.

Você pode também entrar nas casas, isso eu achei detalhado pra caramba, pois mostra que não são apenas objetos de papelão pra você detonar, ao entrar em uma casa há uma quantidade enorme de móveis e a câmera muda pra primeira pessoa, ficou muito bem feitinho mesmo. E lá é possível as vezes achar poções de cura. portanto quem tem paciência é recompensado.

Em cada vila você tem que destruir as torres que protegem os portais, pra poder ter acesso à próxima vila. E em meio a isso vai detonando os inimigos com suas magias, alguns deles deixam itens cair, portanto lutar pode ser recompensador, mas em alguns casos é bom se mandar pro próximo portal o mais rápido possível.

Enfim, esse é um jogo com altos e baixos, dá pra dar uma colher de chá por ser uma desenvolvedora indie, afinal não é todo mundo que é a Bethesda e pode fazer um live action de Skyrim só pra promover o jogo né? Por outro lado você tem aquela sensação de que é um jogo com imenso potencial e que poderia ter sido melhor. Mas no geral é divertido sim, recomendo.

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