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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Gungrave | Um anime espetacular sobre mafiosos

Essa é uma obra que considero quase uma pedra preciosa perfeita, e que não vejo como 100% apenas por em alguns momentos apresentar elementos que achei desnecessários, mas que pode agradar otakus. E se você gosta de histórias de mafiosos, vai automaticamente se apaixonar com a atmosfera, reviravoltas e traições presentes.

Eu assisti Gungrave pela primeira vez, não muito depois de seu lançamento, sei disso porque o que me chamou a atenção nele foi ser do Yasuhiro Nightow, mesmo criador de Trigun, e assim fui atrás. E é verdade que as duas obras tem fortes semelhantes, mas apesar de tudo tem suas atmosferas próprias. Sendo que Trigun parece mais um Space Opera, e Gungrave é uma história de máfia quase comum.

Na época eu acabei descobrindo o jogo de Playstation 2, mas nem imaginava que foi ele que deu origem ao anime, e não ao contrário como normalmente acontece. No entanto não joguei na época, então não faria muita diferença. Eu não tinha um video game, sendo assim o jeito foi chupar o dedo, mas fui conferir anos depois.

Se a adaptação tivesse sido feita hoje em dia, eu certamente olharia com preconceito, especialmente se já tivesse jogado. Talvez nem ao menos desse uma chance para o anime, isso porque quando vejo adaptações como o anime de Devil May Cry, logo penso em algo superficial. E com Gungrave pioraria, já que a história do jogo não é lá o que chamo de apaixonante e o próprio universo é bem genérico.

O anime por outro lado parece até um arrependimento do autor, pois é adicionada uma profundidade sem igual e ironicamente o que "estraga" o anime são exatamente os elementos do jogo. Chega a parecer até que Yasuhiro Nightow só colocou os elementos do jogo porque não tinha jeito, já que na maioria do tempo tudo é diferente demais.

O que temos no jogo é um ambiente no estilo cyberpunk genérico, algo futurístico mesmo, cenas noturnas, neon pra todo lado, veículos com visuais extravagantes, personagens com visuais extravagantes. Então é algo que mostra bem que se passa no futuro e simplesmente não dá para confundir com outra época.

Por outro lado o anime faz uma mudança extremamente brusca. Ele parece se passar nos anos 70, carros antigos, aparelhos com design antigos, roupas sem extravagância, com personagens se vestindo de forma bastante simples. Para ter uma ideia nem celular tem, todas as cenas que os personagens aparecem usando telefone, é com fio.

Então é uma história bem no estilo máfia das antigas mesmo, a maioria do tempo a coisa se passa em um lugar que parece ser uma favela no morro. As casas são antigas, sem pintura, com paredes rachadas e as vezes até pedaços desmoronados. Quando a área nobre da cidade é mostrada, também é um ambiente normal, sem nada futurístico, no máximo arranha céus, porém no estilo clássico.
A história desse anime é simplesmente maravilhosa, profunda e extremamente bem trabalhada, daquelas que você tem uma sensação de que é maior que o número de episódios apresentados. E a trama não se passa em dias, mas sim em anos, então você vê uma imensa evolução em todos os personagens e as vezes para pra pensar como mudaram.

O foco são dois amigos, Brandon Heat e Harry MacDowell, eles começam como delinquentes de 17 anos que fazem pequenos furtos para sobreviver. No entanto quando cruzam o caminho de um sindicato criminoso chamado Millennion, se esforçam para entrar e a partir daí começar a subir cada vez mais.

Você gosta de histórias de criminosos tipo Mafia: The City of Lost Heaven? Em que mostra um criminoso começando pequeno e então cada vez crescendo mais e mais enquanto os anos vão passando? Pois é exatamente esse o formato de Gungrave, os personagens começam jovens, porém a história se passa através de décadas.

É maravilhoso ver a evolução de cada um, o visual vai mudando com o tempo e até mesmo a dublagem de personagens muda. Você vê a marca do tempo, alguns são bem jovens e então começam a ficar enrugados e com cabelos brancos. Tem um dos personagens que é bem magrinho, mas com o passar dos anos vai ficando gordo pra caramba.

E essa evolução também é em relação a mudanças na vida, é fantástico ver como alguns personagens começam sendo uns nadas e crescem imensamente. Outros morrem, você pode ver alguns bem jovens crescerem, se casarem e até mesmo terem filhos. Existe uma evolução mental na coisa, é uma mudança realmente como um todo.

Mas claro, em meio dessas mudanças há coisas que são drásticas. Personagens que você cria um carinho e morrem, mas que são lembrados com o passar dos episódios. Essa é daquelas histórias onde há conspiração e traição. Como resultado é natural que muitos morram, alguns de forma brutal e extremamente injusta.
Não são só os protagonistas que tem laços, várias amizades são mostradas no anime e inclusive uns recebendo a tarefa de executar os outros por traição. Isso resulta em cenas que batem um imenso aperto, pois você percebe que é algo que poderia ser evitado, mas até o que vai ser executado entende as "regras da família".

Com isso você também vai sentindo a perda da juventude e da inocência. No fim do anime bate uma sensação tão ruim, você é capaz de sentir o remorso de alguns personagens, tem uma cena de um deles tendo um flashback de sua juventude e termina com ele olhando no espelho, e quando mostra o reflexo, não é de alguém jovem, mas uma pessoa velha e destruída, aí volta pro presente. A forma de apresentação é fantástica demais.

Também são mostrados flashbacks da infância dos protagonistas, então no fim das contas você vê a vida deles inteira, infância, adolescência, idade adulta e velhice. Quando você olha pra cada uma das idades separadamente, se impressiona com a mudança brusca na vida deles, cada fase tem sua atmosfera própria.

Mas como falei, esse é um anime que acho que tem potencial para ser 100%, mas que não é exatamente por adicionar elementos que considero anti-climax. E adivinham que elementos são esses? Pois é... Os próprios elementos do jogo, ao meu ver eles forçam coisas que causam falhas na história.

O negócio é que a trama é toda perfeitinha como uma obra que simula os anos 70, mas de repente a coisa vai pra ficção científica. No começo até que dá pra engolir e aguentar os elementos biopunk presentes, com a ideia de experiências secretas sendo feitas pela máfia e ressuscitando mortos para lutar por eles.

Até certo ponto fica até charmoso, pois quando começam a apresentar isso, existe um ar de mistério. É uma surpresa pra todos e são apresentados com um toque de horror. Fica meio que aquele clima de conto em que mafiosos comuns de repente começam a ser atacados por capangas rivais que simplesmente não morrem, se levantando sempre.

O problema é quando a coisa começa a exagerar, a roupa do morto-vivo principal é completamente deslocada do universo mostrado até então. Uma roupa de cowboy toda colorida que faz parecer um Gogo Boy, e até mesmo as armas são personalizadas e com umas correntes. Se ao menos fosse algo com o estilo do resto, ainda dava pra engolir.

Não que isso destrua o anime, ele consegue acabar bem apesar de tudo, mas o que até um certo ponto parece completamente sério a nível de Monster, de repente taca um elemento que é impossível não notar e poderia muito bem ter sido evitado. Talvez até o autor quisesse mudar, mas precisava por já que no jogo é assim.

Aliás, a história do jogo mesmo só começa no episódio 17 (E só tem 26 episódios). A adaptação da coisa é boa, são apresentados os chefes do jogo, mas você nota que há uma profundidade bem maior, pois são personagens super bem trabalhados durante o anime. Você sente que deveriam estar mesmo ali e se você jogar primeiro, vai bater aquela sensação de "Eita, é o cenário do jogo! Esse chefe age mesmo do mesmo jeito!".

Se você for assistir, recomendo PLENAMENTE que comece do episódio 2, pois o primeiro estraga uma das maiores surpresas do anime, tenho certeza que o episódio 1 só foi feito pra mostrar logo a parte do jogo e dizer "Viram pessoal? É o jogo mesmo tá? Então não estranhem que a partir do segundo vamos mostrar um flashback que vai durar até o episódio 17, não desçam o cacete dizendo que não tem nada a ver".

Outro motivo pra você pular o episódio 1, é que ele se repete praticamente inteiro no episódio 18, é tipo um episódio de filer em que as cenas são quase 100% reaproveitadas. Então vale muito a pena não ver ele de primeira e esperar até o episódio 17 pra então conferir. Mas se você não liga pra reviravoltas fantásticas, então é com você.

Enfim, Gungrave é um ótimo anime, sem sombra de dúvidas recomendo demais. Poderia ser perfeito, mas mesmo não conseguindo ser, ainda consegue humilhar a maioria das toneladas de animes genéricos que vemos serem lançadas o tempo todo. Então fica essa dica!


Um comentário:

samuel de jesus brasil pereira Pereira disse...

E ai Iscai blz? Eu assisti esse anime e realmente achei bem legal aquele clima de máfia. Porém eu tbm achei estranho a parte da experiência ciêntifica, quem diria que foi adaptado de um jogo.