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Motivo de Assassin's Creed Black Flag Resynced não ter animus foi explicado pelo diretor

Um dos elementos mais peculiares da franquia Assassin's Creed, é o Animus, coisa que inclusive acaba sendo uma surpresa para novatos, que podem achar meio estranho descobrir que os jogos da saga se passam em uma simulação do passado. Esse elemento é uma cadeira onde alguém do presente se senta e acessa a memória de seus antepassados. Mas, removido de Black Flag Resynced, o que naturalmente gerou questionamentos.
 
Assumo que no começo, eu achava completamente encantador sair do Animus em Assassin's Creed. Isso porque tinha uma baita história de conspiração. Você ser uma pessoa presa em um laboratório sem saber o que tava rolando e descobrir a existência de duas facções desde a antiguidade, além dos experimentos sendo feitos e do grupo infiltrado era bom demais! No entanto, a história termina em Assassin's Creed III, fechando esse arco.
 
 
A partir de Black Flag, comecei a achar insuportável cada saída do Animus. Era simplesmente desinteressante e mais uma quebra desnecessária do que qualquer coisa. E isso acabou sendo removido de vez em Assassin's Creed Black Flag Resynced. Me pareceu óbvio que o motivo era que ninguém deve ter gostado dessa bagaça em primeira pessoa em um personagem genérico (que não tem nome nem rosto). Mas, segundo o diretor criativo Paul Fu, não é nada disso! Confira:
 
"Sentimos que o certo era ir na direção de Assassin’s Creed: Shadows. O Animus evoluiu tanto nos últimos anos que seria estranho para nós mudar de direção.
 
Ele fez essa declaração em uma entrevista ao VGC, esclarecendo que o único motivo é que a versão mais moderna tinha ultrapassado muito aquele modelo, e assim os jogadores iriam estranhar. Não tem nada a ver com o fato de que eram cenas insuportáveis e sem sal que não prendiam em nada.
 
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Sobre Assassin's Creed
 
Quando o primeiro Assassin's Creed apareceu em 2007, muita gente enxergou apenas um jogo de ação com parkour e assassinatos silenciosos. Só que a ideia da Ubisoft era bem maior. O game surgiu em uma época onde jogos em mundo aberto estavam crescendo muito, e a mistura de exploração histórica com conspiração moderna acabou chamando atenção rápido. A aventura de Altaïr Ibn-La'Ahad durante a Terceira Cruzada trouxe cidades como Jerusalém, Acre e Damasco em uma escala impressionante para aquele período. O sistema de escalada livre também virou um dos grandes destaques, principalmente porque poucos jogos deixavam o jogador subir praticamente qualquer construção daquele jeito.

Muita gente esquece, mas o projeto original nasceu como uma ideia ligada a Prince of Persia: The Sands of Time. Aos poucos o conceito mudou até virar algo próprio. O foco saiu de plataformas tradicionais e passou para um sistema de movimentação mais aberto. O Animus virou a desculpa perfeita para conectar diferentes épocas históricas e ainda criar uma trama de ficção científica envolvendo os Assassinos e os Templários. Essa mistura de passado com tecnologia futurista acabou virando a identidade da franquia durante muitos anos. Termos como Abstergo Industries, Pieces of Eden, Eden Apple, Primeira Civilização e Isu começaram a aparecer cada vez mais.

Em 2009 veio Assassin's Creed II, e muita gente considera esse o verdadeiro momento em que a franquia explodiu. Ezio Auditore da Firenze virou um dos personagens mais famosos dos videogames. A ambientação na Itália renascentista trouxe Florença, Veneza, Toscana e Monteriggioni cheias de detalhes. O jogo também aumentou bastante a variedade de missões, trouxe economia, lojas, melhorias de equipamentos e uma narrativa mais emocional. Leonardo da Vinci participando da história ajudou ainda mais a criar aquele clima único entre realidade e fantasia.

A trilogia de Ezio continuou em Assassin's Creed: Brotherhood e Assassin's Creed: Revelations. Brotherhood marcou muito por introduzir o sistema de recrutar assassinos, algo que fez muitos jogadores se sentirem liderando uma irmandade de verdade. Roma virou praticamente um enorme playground para explorar telhados, torres e ruínas. Já Revelations conectou Ezio e Altaïr de uma maneira interessante enquanto mostrava Constantinopla em um período raro nos videogames. Nessa época a franquia já tinha virado um fenômeno cultural enorme, aparecendo em livros, curtas, action figures e até discussões sobre história em escolas e canais documentais.

Depois disso a Ubisoft começou a experimentar mais. Assassin's Creed III mudou bastante o cenário ao levar a série para a Revolução Americana. Connor Kenway trouxe um protagonista mais sério, enquanto o jogo adicionava florestas gigantes, caça de animais e batalhas navais. Foi justamente a parte naval que chamou tanta atenção. A ideia evoluiu completamente em Assassin's Creed IV: Black Flag, considerado por muita gente um dos pontos altos da franquia. Edward Kenway transformou a série em algo quase pirata, com exploração marítima, navios, ilhas, tesouros e músicas de marinheiros. O Jackdaw virou tão importante quanto qualquer protagonista humano.

Black Flag mostrou algo importante: Assassin's Creed conseguia mudar bastante sem perder totalmente sua identidade. O problema é que a Ubisoft começou a lançar jogos em um ritmo extremamente acelerado. Assassin's Creed Rogue, Assassin's Creed Unity e Assassin's Creed Syndicate chegaram em sequência. Unity chamou atenção pelo visual absurdo da Paris revolucionária, multidões enormes e interiores detalhados. Só que os bugs acabaram marcando muito o lançamento. A franquia começou a enfrentar desgaste, algo comum em séries anuais. Mesmo assim, Unity acabou ganhando reconhecimento anos depois por causa da ambientação, parkour refinado e fidelidade arquitetônica.

Syndicate tentou deixar tudo mais leve com Jacob e Evie Frye na Londres da Revolução Industrial. O gancho de escalada acelerou bastante a movimentação pela cidade. O problema era que muitos jogadores já sentiam que a fórmula clássica estava repetitiva. Torres para sincronizar mapa, missões de perseguição, infiltrações parecidas e o excesso de itens colecionáveis começaram a cansar parte do público. Foi nesse momento que a Ubisoft decidiu praticamente reinventar Assassin's Creed.

Essa mudança ficou clara em Assassin's Creed Origins. O Egito Antigo trouxe uma ambientação gigantesca, cheia de desertos, tumbas, pirâmides e cidades vivas. Bayek virou um protagonista muito querido, principalmente pela forma emocional como a história trabalha vingança e origem da Irmandade Oculta. Só que a maior transformação foi na jogabilidade. O combate ficou inspirado em RPGs modernos, com níveis, equipamentos raros, árvore de habilidades e inimigos mais resistentes. O sistema de combate antigo baseado em contra-ataques praticamente desapareceu.

Essa nova direção continuou em Assassin's Creed Odyssey. A Grécia Antiga virou um enorme mapa cheio de ilhas, batalhas marítimas e escolhas de diálogo. O jogador podia controlar Kassandra ou Alexios, algo que aproximou ainda mais a franquia de RPGs ocidentais. Muitos fãs adoraram a liberdade, enquanto outros sentiram falta do foco nos Assassinos e Templários. Mesmo assim, Odyssey expandiu bastante o lado mitológico da franquia, trazendo criaturas lendárias e poderes cada vez mais exagerados ligados aos Isu.

Depois veio Assassin's Creed Valhalla, mergulhando na cultura viking. A Inglaterra medieval trouxe invasões, assentamentos, alianças políticas e batalhas brutais. O clima ficou mais pesado e violento, algo que combinava com o período histórico. Elementos de RPG continuaram fortes, mas o stealth tradicional ainda existia para quem queria jogar daquela forma. O curioso é que Valhalla mostrou como Assassin's Creed tinha se tornado algo gigantesco. O jogo misturava exploração, mitologia nórdica, narrativa política, batalhas de clãs e até experiências quase sobrenaturais.

Ao longo dos anos a franquia também começou a revisitar elementos antigos. Assassin's Creed Mirage trouxe uma proposta mais focada em furtividade, parkour e assassinatos planejados. Bagdá virou o centro da experiência, lembrando bastante os primeiros jogos da era Altaïr. Muitos fãs enxergaram isso como uma tentativa de equilibrar os dois estilos da franquia: o RPG gigantesco e a fórmula clássica de assassino silencioso. Mirage também mostrou que ainda existe espaço para jogos menores dentro da série.

Outra coisa importante é como Assassin's Creed ajudou a popularizar o turismo histórico nos games. Muita gente passou a se interessar por Renascimento Italiano, Egito Antigo, Grécia Clássica, Revolução Francesa e Era Viking por causa desses jogos. O modo Discovery Tour, presente em alguns títulos, praticamente transformou partes da franquia em experiências educativas. Professores e estudantes começaram a usar o conteúdo para explorar arquitetura, costumes e figuras históricas de forma mais visual.

A série também influenciou muitos outros jogos. O parkour fluido apareceu em diversos títulos depois do sucesso de Assassin's Creed. Jogos com torres para liberar mapa, mundos abertos cheios de atividades e sistemas de exploração vertical acabaram herdando várias ideias da franquia. Até games fora da Ubisoft seguiram estruturas parecidas em algum momento. Além disso, personagens como Ezio Auditore viraram ícones da cultura gamer, aparecendo em crossovers, merchandising e discussões sobre protagonistas marcantes.

Mesmo com mudanças tão grandes, uma coisa nunca desapareceu completamente: a ideia de explorar períodos históricos de maneira cinematográfica. A franquia passou pelas Cruzadas, Renascimento, Caribe pirata, Revolução Americana, Revolução Francesa, Londres industrial, Egito Antigo, Grécia Antiga e Era Viking sem abandonar esse conceito. Cada fase trouxe fãs diferentes. Alguns preferem o stealth clássico de Altaïr e Ezio, outros gostam mais do estilo RPG de Bayek, Kassandra e Eivor. E talvez justamente por mudar tanto ao longo dos anos, Assassin's Creed tenha conseguido continuar relevante por tanto tempo dentro da indústria dos videogames.