Cult of the Lamb | Faça seu próprio culto pagão e adore seu deus!

Simplesmente é difícil não se atrair por um jogo desse de imediato. Isso porque reúne duas coisas naturalmente atraentes, mas que são um verdadeiro contraste, e esse elemento inusitado é um verdadeiro ímã para gamers. Por um lado temos a mais pura fofura, e por outro macabros rituais pagãos com aspecto sombrio e misterioso. O resultado foi um verdadeiro estouro imediato da Devolver Digital.

Você assume o papel de um cordeirinho que é o último de sua espécie, e assim como todos os outros, é usado em sacrifício de deuses antigos. No entanto, a morte não é o fim, e uma outra entidade antiga captura sua alma e lhe ressuscita, mas pede algo em troca... Você deve criar um culto em sua adoração, mesmo que tenha que destruir outros cultos.

Uma coisa curiosa, é que apesar de toda a fofura, esse jogo é guiado de uma maneira séria. Se ele não tivesse o visual que tem e toda a forma fofíssima de agir dos personagens, certamente não iria ter problema algum em ser um jogo completamente sério. Isso porque os diálogos dos personagens no geral são sérios.

E essa seriedade é vista em grande parte dos jogos relacionados a cultos, como o tenso The Church of the Darkness, que te coloca para tentar se infiltrar em um culto sem ser visto, localizar um parente seu que foi convertido e retirar ele de lá. Ou Cultist Simulator, em que você começa como uma pessoa normal que acabou cruzando com a informação errada e aos poucos vai sendo convertido em um cultista.
Aqui, temos uma história que, embora possa parecer, não é esculhambada. Então não é algo do tipo Mr. Pickles, que é um cachorro fofinho, mas satânico, ou Puss, que você assume o controle de um simpático gatinho perseguido por cultistas que querem sacrificá-lo em um ritual satânico. Ou mesmo Poöf vs the Cursed Kitty, que você tem que proteger a um gato que tem uma maldição que atrai legiões de monstros para matá-lo.

Nesse universo, temos uma história em um ambiente de fantasia, que fora a fofura, pode ser levado com bastante seriedade. Existem várias entidades nesse mundo e toda uma mitologia por trás disso, que levou um grupo delas a trair e aprisionar um outro deus. Cada uma dessas entidades tem os seus próprios adoradores, dispostos a tirar suas vidas para fortalecer ela.
Você acaba sendo um cultista mais poderoso, porque não é meramente mais um que escolheu essa religião. E sim um "escolhido", pois a sua devoção não foi conquistada, mas comprada, como um pacto. O último de sua espécie, que aceitou não ter que encarar a morte, se tornando uma criatura imortal que sempre retorna, mas sendo obrigado a espalhar a fé e criar um culto poderoso.

Então temos um bagulho meio Spawn aqui, que é onde entra o elemento de roguelike do jogo, onde você morre e novamente volta, mas você mantém parte do que conseguiu. Dessa forma, garante o progresso. E se por acaso entrou em uma câmara que era forte demais pra você, na próxima vez vai ser mais fácil se você usar os recursos de forma adequada.
Para entrar nas câmaras, é necessário um pré-requisito, como ter um culto de um certo tamanho. Sendo assim, se o seu culto não tiver membros o bastante, ou faltar outro requisito, ela vai se manter fechada até você finalmente conseguir acumular todas as exigências. Mas cada câmara nova é mais difícil e você pode repetir as anteriores.

Outro detalhe é que elas não são sempre iguais, e vão mudando, em um mapa semelhante ao que vimos nas partidas do fenomenal Inscryption, te permitindo passar por uma parte, e ao chegar ao final dela, escolher o que vem depois. Pode ser um lugar com um novo seguidor, pode ser um ambiente com comida, pode ter pedra, e assim vai... Você escolhe o que estiver precisando mais até finalmente chegar ao chefe.

No final dessas jornadas, se você vencer o chefe, que será um cultista possuído, o espírito vai sair do corpo dele e ele vai implorar pra entrar no seu culto. Você pode aceitar e então vai voltar para as suas terras, que é onde a jogabilidade muda completamente e temos um ambiente que pode consumir MUUUUIIITO tempo se você quiser.

Essa é uma das coisas mais legais desse jogo, pois enquanto você pode só ir entrando de novo e de novo em câmaras, como um roguelike padrão, pode ficar em suas terras coletando recursos, dando sermões aos seguidores, construindo novas estruturas, dando ordens, limpando, fazendo plantações, abençoando, recebendo pedidos deles que geram recompensas e mais.
A princípio isso pode ser bem limitado, já que existem recursos limitados em suas terras, como por exemplo as árvores, que se você cortar, vai ter que esperar elas crescerem de novo e só então vai poder voltar a cortar de novo. Assim como uma quantidade limitada de cultistas faz as coisas serem muito mais rápidas.

No entanto, na medida em que o culto aumenta, novas coisas aumentam. Você tem que construir mais camas, dar mais upgrades, ir fazendo mais comida e coletando mais recursos gerados pelos membros. Tem vezes que você entra e fica um tempo realmente bem longo antes de poder sair para uma nova jornada.

Então tem três formas de jogar, a primeira é só se aventurando, a segunda é focando no crescimento do culto e se aventurando só pra avançar, e a terceira é manter um equilíbrio entre as duas coisas. Mas claro, essas duas mecânicas estão interligadas. Alguém que só se aventura vai ter muito pouco upgrades, já que as melhorias no culto refletem em você. Alguém que foca demais nas terras, pode acabar tendo mais dificuldades em trazer novos cultistas.

Na medida em que você se aventura, também vai descobrindo novos lugares que pode visitar sem precisar entrar em uma câmara, seja a barraca de um conhecido na floresta, ou uma área de comércio à beira do mar em que é possível comprar coisas ou pescar e pegar missões. É um verdadeiro conjunto de mecânicas de jogo da fazendinha.
Um aspecto interessante, é a forma que você molda a religião da forma que você quiser, ela pode ser brutal com coisas como sacrifícios de membros, ou podem ter elementos de união como casamento. A forma que você conduz essas coisas, também conduz o jeito de pensar de seus membros, e certas coisas podem ser asquerosas pra eles ou normais.

O mesmo vale para pensamentos individuais. Quando um cultista novo chega, ele pode ter vantagens ou desvantagens. Por exemplo, ele pode perder fé se alguém fica doente, ou ele pode ser um trabalhados extremamente apto que coleta recursos bem mais rapidamente. Graças a isso, você vai reconhecendo cada um e vendo no que é melhor mandar eles fazerem.

O elemento fé é algo a se ficar de olho, pois ao mesmo tempo que tem a fé geral do grupo, que pode se desfazer por completo, também tem a fé individual. E alguém pode de repente se revoltar, perder a fé e começar a pregar contra ela. Você tem algumas opções pra lidar com isso, podendo ir desde algo pacífico como conversar aos poucos, até medidas mais brutais como aprisionar ele pra ficar separado ou até sacrificar.
 
Enfim, Cult of the Lamb é um jogo fofinho e viciante, e com certeza consegue roubar muitas horas de uma pessoa se ela tiver tempo. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Nuuvem antes de comprar na loja direta, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

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