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Inuyashiki | Mangá com idoso super poderoso como protagonista

Esse é um mangá que me chamou a atenção inicialmente apenas por ser do Hiroya Oku, autor de Gantz, que sou muito apaixonado. No entanto é uma obra que se destacou sozinha por fazer algo completamente oposto ao que a maioria dos animes e mangás pregam loucamente, que é a ideia de ser jovem e ter poderes. Então chegou a hora da análise sobre Inuyashiki.



A história é sobre um homem chamado Inuyashiki Ichiro, que tem 58 anos e uma vida cheia de problemas, não ganha bem, sua família o despreza e ele acaba descobrindo que está com câncer em fase terminal. No entanto acaba acontecendo algo inusitado. Uma coisa cai do céu em cima dele, o destruindo e reconstruindo inteiramente, porém a parte interna é toda substituída por uma máquina de tecnologia alienígena muito superior à humana.

Bom, antes de tudo tenho que deixar claro que embora tenha visto muita gente idolatrar completamente a história, vamos ser sinceros né? Essa ideia é tosca pra cacete. Um meteoro cai do céu e o cara vira um robô super tecnológico que impressiona a todos? Isso parece roteiro de desenho infantil dos anos 80, uma tosqueira louca.

Então mesmo amando Gantz, eu prefiro ser realista logo de primeira pra não ficar alimentando tosqueiras e colocar meus ídolos na linha. Por outro lado sou daqueles que acredita que clichês podem ser legais, e que tudo depende muito mais do jeito que a história é conduzida do que dos clichês. Tanto que temos infinitos universos fenomenais de animes, mas que a condução é tão tosca com as mesmas historinhas de sempre, que no fim não adianta de nada.

Sendo assim tive que dar uma colher de chá pro cara, e realmente tiveram momentos que me surpreenderam bastante. Especialmente pelo fato do personagem ser um vovô, e nisso sim a coisa já muda bastante, afinal de contas qualquer mangá e anime tá sempre lá o grupo de amigos do poder do amor ou o escolhido fodão que surpreende a todos. E aqui temos um velho todo ferrado.

Acredito que a ideia tenha vindo do próprio Gantz, pois lá o autor parece ter brincado loucamente com as possibilidades, começando com personagens jovens, mas logo variando e colocando crianças e idosos. Entre eles se destacou um velhinho que por um bom tempo participou da loucura que é Gantz, fazendo uma penca de manobras frenéticas.

E aqui o próprio protagonista é um velho e eu adorei como a personalidade dele é firme. Trata-se de uma pessoa boa e insegura. E ele não faz poses de fodão nem nada, inclusive as cenas de voo me encantaram, pois ele voa todo torto. Isso deu aquele toque realista de um personagem que está tentando usar seus poderes, mas não é seguro disso.

Por falar em inspirações em outras obras, uma coisa que sinto demais é que essa obra é reciclada de outras fontes. Me pareceu uma junção de várias obras, tipo bem aquela coisa de "Nada se cria, tudo se copia" mesmo, pois tem muitos elementos aqui e ali que fui sentindo uma pontada e outra do tipo "Hum... Acho que já vi isso ein?".

Por exemplo essa ideia de coroa todo ferrado que descobre que tá com câncer e vai fazer loucuras me lembrou muito Breaking Bad, mas sem sombra de dúvidas acho que o que mais me lembrou no fim das contas foi o filme Poder sem Limites. Digo isso porque a história do filme é que algo caiu do céu, um grupo de pessoas achou e ganhou poderes, podendo voar, controlar as coisa, etc. E um deles sai do controle.

E é aí que entramos no vilão, que também estava lá quando Inuyashiki recebeu o impacto. Porém resolve usar a coisa pra matar gente, fazer testes. Se você pegar a história inteira do vilão de Poder sem Limites e colocar lado a lado com o vilão de Inuyashiki, vai ficar impressionado como parece que todas as fases estão lá.

Claro, pode ser uma bela de uma coincidência, mas essas coisas me deram uma sensação gigantesca de algo bastante reciclado. Aliás, o vilão é bastante decepcionante, ele tem um estilo próprio sim, mas parece mais uma casca. É frequente a sensação de que ele não está fazendo nada, só tá andando por aí e fazendo as coisas e não tem objetivo, do nada muda o que tá fazendo e é meio "tanto faz".

Acho que poderia ser um vilão interessante usando esse estilo, mas no fim acabou me parecendo só vazio mesmo, sem causar sensações. Isso é uma pena, por boa parte do tempo fiquei com a impressão de que o autor estava tentando fazer seu próprio Akira, mas o mangá terminou e ele não conseguiu chegar ao clímax com o vilão.

E por sinal, achei a história inteira bastante anti-climax. Parecia que nas melhores partes o autor desistia, como quando a Yakuza entra na jogada, ou quando um grupo de zoeirinhos da internet resolve sacanear com o vilão, ou mesmo quando uma penca de adolescentes começa a matar mendigo na rua e o Inuyashiki descobre tudo sobre eles e espalha pela internet inteira. São momentos fenomenais, porém ao invés de continuar, é "Pronto", eles ferraram com os caras, vamos pra próxima.

O negócio é, os poderes do protagonistas são cabulosos demais e parece que ele sempre tem uma super arma escondida. Se o foco fosse mais na simplicidade do personagem e como ele usa esse poder, como na cura de pessoas por exemplo, poderia ser algo interessante, tem muitos mangás parados que surpreendem (Tipo Monster), e é mostrada algumas ideias boas aqui, como Inuyashiki curando gente, por exemplo.

Mas se trata de um mangá de ação, e aí entra outro problema que é o personagem ser invencível e o vilão, que é o único que pode fazer algo a respeito praticamente sempre só fala "Ei, você estragou meu plano '-' ", e é só isso mesmo. Acho que só tem uma única vez no mangá inteiro que o vilão parte pra cima do protagonista.

Gostei de como o autor não tentou fazer uma coisa atemporal, e colocou elementos da época em que o mangá foi lançado, sem vergonha de ser feliz. Eu noto que muitos mangás são atemporais, e isso não é problema, mas é tão frequente, que quando vejo um mangá usar coisas claramente de sua época, eu acabo me identificando.

Por exemplo ele cita o presidente Obama no começo do mangá, mas lá pro final novamente é citado o presidente dos Estados Unidos, mas é o Trump. Além do mais colocar elementos como o fórum 2chan e o youtube, junto a diversos outros itens que prendem a coisa a um época, faz bater aquela sensação de "Ei, eu costumo usar essas coisas no dia a dia também".

O visual varia do extremamente belo, ao "isso é uma vergonha". Afinal de contas de vez quando o autor apresenta imagens maravilhosas com o seu traço tão peculiar. Mas muitas vezes ele usou uma técnica frequente em Gantz, porém aqui é pior porque ele não coloca nem filtro algum. Ele tirou fotos de lugares reais e desenhou os personagens em cima, o resultado é uma verdadeira desgraça.

Em relação à diversão, é algo bem gostoso de ler, muito suave e que você devora facilmente. Nesse quesito me lembrou Platinum End, pois você devora facilmente. Sem dúvidas é um mangá que entretém, porém quando se chega na metade, começa a ficar cansativo porque parece que nenhum desafio jamais vai aparecer.

Enfim, Inuyashiki é um mangá que eu gostei, mas que esperava muito mais. Me gerou muita diversão enquanto lia, porém eu não queria apenas me divertir, esperava ficar boquiaberto. Não achei a história tão empolgante quanto a de Gantz, achei ela bem tosca, mas a fluidez da coisa é boa. Acho que pra quem só quer passar o tempo lendo algo, o trabalho que faz é ótimo. Atualmente é possível comprar os volumes no Brasil.

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