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O caos das tags da Steam! De spoilers a ferramente de protesto e ataque de trolls!

A Steam possui um sistema de marcadores que ajuda bastante a organizar a enorme quantidade de jogos disponíveis na plataforma. Em vez de depender apenas de gêneros amplos como ação, RPG ou estratégia, cada título pode receber vários marcadores que descrevem características mais específicas. Isso permite procurar jogos por elementos como mundo aberto, narrativa, sobrevivência, terror psicológico, construção de base ou centenas de outras combinações. Para quem costuma explorar a loja em busca de algo diferente, esse sistema acaba sendo uma das formas mais eficientes de descobrir jogos parecidos com aquilo que já gosta.

Um detalhe importante é que essas tags não vêm apenas dos desenvolvedores. A própria comunidade participa sugerindo e votando em categorias. Quando muitas pessoas associam um jogo a uma determinada característica, aquela tag passa a ganhar destaque na página do produto e também influencia nos resultados de busca. Isso cria um tipo de organização coletiva, onde os próprios jogadores ajudam a definir como os títulos são encontrados dentro da loja.

Na maioria das vezes isso funciona muito bem. Jogos de sobrevivência acabam agrupados com outros do mesmo estilo, experiências narrativas se encontram facilmente, e títulos focados em estratégia ou gerenciamento se conectam de forma natural. O sistema também permite identificar características que não aparecem em classificações tradicionais, como jogos relaxantes, experiências curtas, títulos focados em exploração ou produções com forte presença de história.

O problema é que essa liberdade também abre espaço para trolls. Como as tags são sugeridas pela comunidade, algumas pessoas usam o sistema para fazer piadas, protestos ou simplesmente bagunçar a organização dos jogos. Em certos casos isso gera situações curiosas, onde as categorias exibidas na página de um produto não têm quase nenhuma relação com o conteúdo real.
 
E isso não é algo atual. Já quando o sistema de tags começou a aparecer na Steam em 2014, não demorou muito para surgirem os primeiros sinais de que a ideia também poderia gerar situações caóticas. Um exemplo que circulou bastante na época envolveu Call of Duty: Ghosts, lançado em 2013, que acabou recebendo categorias completamente fora de contexto como “Kawaii” e “Point & Click”. Nada disso descreve o jogo, que é um FPS militar bastante direto. Mesmo assim, essas tags chegaram a aparecer associadas ao título, mostrando logo cedo que a participação da comunidade podia ajudar a organizar a loja, mas também abrir espaço para piadas e trollagem.

Um exemplo famoso envolve Gone Home. Parte da comunidade passou a marcar o jogo com a tag “Not a Game”. A ideia era provocar, já que se trata de uma experiência narrativa focada em exploração e história, algo que alguns jogadores mais tradicionais insistiam em dizer que não era um “jogo de verdade”. A tag acabou aparecendo publicamente na página do título, transformando uma discussão da comunidade em uma categoria visível para todos.

Outro caso que virou comentário entre jogadores aconteceu com Superbrothers: Sword & Sworcery EP. O jogo recebeu a tag “Hipster Garbage” (Algo como "Lixão excêntrico"), que obviamente não descreve gênero, mecânica ou tema. Foi basicamente uma forma de alguns usuários expressarem antipatia pelo estilo artístico e pela proposta do jogo, usando o próprio sistema de categorização como espaço para zoeira.

Também já houve casos em que as tags foram usadas até para revelar spoilers de história. Jogos narrativos como BioShock Infinite e Final Fantasy VII chegaram a ter revelações importantes da trama aparecendo diretamente entre as categorias sugeridas pelos usuários. Como essas tags ficam visíveis na página do produto, muita gente acabou descobrindo detalhes da história antes mesmo de começar a jogar.

Existe ainda um detalhe técnico que pode tornar a situação mais complicada. Algumas categorias possuem filtros próprios nas configurações da conta. Tags como Hentai, Conteúdo Sexual e Nudez podem ser ocultadas completamente para quem prefere não visualizar esse tipo de material na loja. O objetivo é dar mais controle ao usuário, permitindo esconder jogos adultos ou conteúdo explícito das buscas e recomendações.

O efeito colateral é que isso também pode esconder produtos que não têm relação direta com esse tipo de conteúdo. Jogos com nudez artística, por exemplo, podem desaparecer dos resultados dependendo das configurações da conta. E quando um produto vira alvo de trolls, o problema pode ficar ainda mais evidente.

Um caso curioso envolve Counter-Strike 2 Soundtrack. O item é apenas a trilha sonora associada ao universo de Counter-Strike 2, algo que naturalmente deveria aparecer classificado como música ou conteúdo adicional. Mesmo assim, as tags mais visíveis associadas a ele passaram a ser justamente Hentai, Conteúdo Sexual e Nudez, seguidas por LGBTQIA+. Só na quinta posição aparece a tag Música, que seria a descrição mais lógica para um produto desse tipo.

Situações assim mostram como o sistema de tags da Steam consegue ser extremamente útil e ao mesmo tempo um pouco caótico. A participação da comunidade ajuda a transformar a busca da loja em algo muito mais detalhado e flexível. Porém, como qualquer sistema aberto, ele também acaba refletindo o humor, as discussões e as brincadeiras de quem participa. O resultado é uma ferramenta poderosa para encontrar jogos, mas que às vezes exige um pouco de senso crítico para entender quais categorias realmente descrevem o produto. 

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