Vambrace: Cold Soul | Belo RPG de ótimos elementos, porém mal aplicados...

Existem diversos exemplos de RPG's de mesa criativos, e Vambrace parece o tipo de jogo que sugou dessa fonte, pois apresenta um mundo muito gostoso e empolgante, usando elementos tradicionais, porém com uma certa camada de originalidade que te faz imaginar que esse universo poderia ser expandido para outras mídias. Infelizmente é também um jogo que adiciona muitos elementos interessantes, porém de uma forma desinteressante...


A história se passa na cidade de Icenaire, um local que foi amaldiçoado por um rei, que lançou um poderoso feitiço ao redor do lugar, aprisionando tosos os presentes. No entanto é só o começo do horror, pois a maioria daqueles que morrem, retornam dos mortos como espectros loucos. Em desespero, a população de vivos faz de tudo para sobreviver e graças à tecnologia anã, conseguem se alojar no subsolo, vivendo em condições precárias, mas sempre enviando exploradores à superfície.

Cara... Olha essa história! É um ambiente muito fantástico e isso só fica mais gostoso com o visual maravilhoso que o jogo tem. E olha que assumo que quando vi o trailer ou fotos, não me chamou a atenção, mas vi o povo pirar tanto com o visual, que decidi dar uma conferida, e "ao vivo" é muito melhor. Bonito de se ver mesmo, super detalhado, apesar de 2D, tem várias camadas enquanto você passa pelo cenário, dando aquele toque imersivo. 

A única coisa que não me agradou (Mas é só uma opinião pessoal, já que pelo o que eu vi, todos amaram), foi a movimentação dos personagens, que não me agrada muito essa sensação de que todas as partes do corpo são peças recortadas. Porém essa movimentação meio travada pode dar um certo charme próprio à coisa e fazer algumas pessoas acharem bem mais interessante do que se fosse uma movimentação linda e lisa.

A proposta da jogabilidade é muito gostosa! Você tem uma personagem principal que chega à cidade e começa a conhecer as pessoas, conversar com elas. Tem várias áreas, a taverna, a forja, a praça dos aventureiros, etc... E você vai variando entre as partes na cidade e a exploração do lado de fora, que é onde os perigos estão.

Não é a primeira obra que coloca a humanidade tentando sobreviver no subsolo, mas sempre dá um toque especial, já vimos isso por exemplo em Metro 2033, ou mesmo em outras mídias, como o universo de Matrix. E ver isso em um universo de fantasia é realmente muito bacana e consegue encantar bastante. O mundo vibrante do jogo acaba matando a sensação de Dark Fantasy, mas ainda assim dá pra sentir que é algo pesadão.

O jogo é classificado como Roguelite, isso porque existe morte permanente para os aventureiros que te acompanham.  Sua personagem, por outro lado, apenas desmaia e reaparece na área médica da cidade. Esse elemento é de muito bom gosto, pois ao mesmo que faz a história continuar ao invés de ficar se repetindo do zero, te faz sentir a dor de perder um personagem bom pra sempre.

Existe um medidor espectral que vai aumentando à medida em que você entra em uma masmorra, Se esse medidor chegar a um certo nível, é hora de correr, pois os espectros te detectaram e vão começar a perseguição. Então é preciso explorar cada masmorra e chegar ao fim dela antes que o medidor chegue ao topo.

Dentro da masmorra você pode achar de tudo, desde inimigos até locais para acampar e eventos únicos. É preciso saber dividir o seu tempo quando estiver no lugar, talvez você queira usar o mapa e atravessar rapidamente, ou talvez queira explorar para ver se consegue itens e outras recompensas para seus personagens.

Os combates são no estilo JRPG. Não existe uma mudança de tela, tudo acontece na hora, os inimigos chegam e sua equipe de até quatro personagens fica no lado oposto. Daí a ordem de ataque vai depender dos atributos de cada personagem, os mais rápidos vão na frente, e dependendo da situação, o combate pode acabar antes mesmo que a equipe adversária tenha chance.

Caso não conheça o estilo JRPG, é aquele em que você seleciona o ataque e quem quer mirar. Aqui existe algumas estratégias, como por exemplo personagens de ataque direto tem que ficar mais pra frente, pois se forem o último da fileira, simplesmente não vão poder atacar. Existe também um ataque especial que quando está completamente carregado, você pode causar um efeito devastador. Cada personagem tem uma habilidade diferente.

Não existe a possibilidade de usar itens em combate, vocês precisam achar um local para acampar na masmorra, mas acampar aumenta o nível espectral. Se você tiver um certo tipo de personagem no grupo, pode enviar um corvo para explorar a masmorra e dizer o que vão encontrar em uma certa área. Um dos personagens é responsável por administrar o acampamento e ele pode animar os outros.

Ainda existem eventos narrativos fantásticos nas masmorras, por exemplo você pode achar um cachorro espectro, e aí muda pra uma cutscene e a pergunta se você quer se aproximar dele ou ignorá-lo. Caso aceite, deve escolher qual personagem vai fazer isso. O resultado pode ser positivo ou negativo, com efeitos temporários ou permanentes, como a alteração de um atributo.

Na cidade você pode levar os itens que conseguiu e criar certas coisas, também é possível negociar com vendedores locais ou na parte de fora da cidade. Dependendo do que você precisar, vai criando, mas é preciso ficar ligado pois alguns itens beneficiam algo, mas pioram outro atributo. Tipo alimentos que fazem mal para a saúde.

Na cidade você pode também ir até onde tem heróis disponível disponíveis e recrutá-los, sempre se baseando no seu estilo de jogo. E também é preciso ser estratégico, pois às vezes um personagem pode até ser poderoso, mas ele simplesmente não tem habilidades que vão trabalhar bem em conjunto com o resto do grupo.

Tudo lindo, tudo maravilhoso né? Pois é... Infelizmente esse é aquele tipo de jogo que mostra muitos elementos bacanas, mas  que não dá certo. Temos jogos que são complexos em sua mecânica e fazem bonito com isso, como é o exemplo do maravilhoso Pathologic 2. Mas aqui temos um jogo que você vê as coisas, sabe que são legais, mas simplesmente... Não é divertido.

Criar jogo difícil é uma arte, pois embora Dark Souls tenha feito escola, é preciso saber o nível perfeito entre algo que desafie o jogador, e algo que simplesmente o deixe  frustrado. E meramente fazer o jogador não sentir que está avançando, não é legal. Não existe nível de personagens, e não há aquela sensação de que a cada ida, você está mais poderoso.

E só ficar indo pegar recursos, pra voltar, criar itens de cura, ir de novo do zero e gastar tudo, daí fugir antes de algum personagem morrer. Simplesmente não me prendeu... Eu pensei que com o tutorial chatíssimo e tanta falação, ia chegar a um momento que o jogo ia me surpreender, mas... Não. Repetiu várias vezes as idas e pensei "Meu... Eu não evoluo? E aí? Não tem nada que tuna os personagens permanentemente?".

Sim, eu sei que aos poucos, a personagem principal pode até ir ficando melhor graças a eventos aleatórios (Que aliás, ferram muito com o jogo e podem simplesmente matar todo mundo, fazendo ser um jogo de sorte), porém os benefícios que ela ganha não costumam ser tão destaque, isso sem contar que você tem que escolher qual personagem ir em eventos que encontra, e você acaba querendo escolher só ela porque sabe que é a única que não vai morrer.

Enfim, não é um jogo horrível, mas ele tinha potencial pra ser maravilhoso e viciante, e no fim acaba sendo só seco. Algumas pessoas sem dúvidas podem se encantar graças ao potencial que ele demonstra, mas pelo o que vi em reviews da steam, muita gente também achou seco. Então basicamente é um jogo lindo, com universo que me lembrou os Reinos de Ferro, cheio de ótimos elementos, porém que não me empolgou, porém vai saber né? Testem aí e digam o que acham. Se for pegar recomendo olhar no GMG, que as keys muitas vezes estão bem mais baratas que direto na steam.

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