O Mundo Sombrio de Sabrina | Um reboot satânico de verdade

Assumo que foi uma baita de uma surpresa ver o quanto essa série é satânica de forma explícita. Eu sei bem que existe toda uma cultura relacionada ao satanismo, no entanto é um mistureba, indo desde roqueiros adolescentes malvados que querem apenas chocar e ficam fazendo coisas que nada tem de sobrenatural, mas são bizarras, até aquelas pessoas extremamente sérias que no fim adoram algo que nem a ver com o Satanás cristão tem, já que é relacionado a forças da natureza. Mas seja o que for, a palavra "satânico" é um tabu, e nessa série o bagulho é escrachado.



Sabrina é uma adolescente prestes a completar 16 anos, no entanto ela é de uma família de bruxas e nessa idade terá que abandonar sua vida como garota comum, incluindo amigos, e partir para estudar em uma escola onde bruxos aprendem as artes ocultas. No entanto ela não sabe como lidar com isso e se apavora com a ideia de abandonar tudo.

Não é que não existam séries que tenham um bagulho satânico rolando solto, vemos a coisa envolvendo diretamente o capiroto em American Horror Story Apocalypse, umas possessões cabulosas em Penny Dreadful e claro, o cão no corpo da menininha em The Exorcist. Mas todas essas séries já tem uma proposta macabra.

Agora Sabrina se diferencia porque quem viveu nos anos 90 lembra da série "Sabrina: Aprendiz de Feiticeira", que foi baseada em uma HQ dos anos 70 e 90 e basicamente era um "Eu, a Patroa e as Crianças" com poderes de bruxa, incluindo o debochado gato falante Salem, que era um bonecão sempre com um humor ácido hilário. Já dá pra ter uma ideia né?

E em 2018 veio "O Mundo Sombrio de Sabrina", que pode dar um belo de um susto em todos os sentidos nos fãs antigos. Isso porque é sim baseada na HQ, mas não na dos anos 70, mas sim em um quadrinho de 2014 que foi um reboot sombrio da personagem que se tornou conhecida nos anos 90. Ou seja, é uma daquelas obras que pega algo fofinho e torna uma versão macabra.

O resultado disso pode ser algo com um impacto semelhante ao que Mr. Piclkes gerou, pois usa algo fofinho, mas usando descaradamente a palavra "Satanás", rituais com sangue, venda de alma para o Diabo, técnicas de filme de terror. Tudo com piadinhas e momentos engraçadinhos que fazem um contraste que pode dividir opiniões.

Essa é daquelas séries que faz o pessoal da teoria da conspiração pirar, dizendo logo que são os Illuminati, com mais um plano de lavagem cerebral, fazendo uma mistura entre o fofo e o macabro para atrair os desavisados, fazê-los achar que é brincadeira, mas no fim das contas é algo muito sério e que pode trazer muito mal. Será? Hahaha.

Eu assumo que me surpreendi com o linguajar satânico usado, porque no primeiro episódio começam falando "O senhor das trevas", "A igreja da noite", essas coisas assim que apenas colocam um toque sombrio na coisa, mas sem escrachar, tipo um toque gótico. Porém logo começam a falar sobre como Sabrina precisa vender a alma dela para Satanás.

Na real o próprio capeta aparece da forma mais escrachada possível, e não é vez ou outra não. É um bode andando com as duas patas traseiras e uma baita expressão de ódio. O lance de venda de alma é com corte na carne, sangue adicionado um livro e assinatura. Sendo assim, pode deixar algumas pessoas sem graça, ainda mais aqueles pais "Olha, eu via isso nos anos 90, vamos ver juntos filho!".

Enfim, eu gostei muito dessa série, ela é algo que em essência é suave e com humor, no entanto coberta com uma espessa camada de algo macabro. Com certeza não é algo que é pra todo mundo, mas sei que alguns de vocês podem achar agradável. Eu não tenho problema com esses bagulhos satânicos, mas quem tem, acho que é melhor passar pra outra série.

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