Platinum End | Mangá dos mesmos criadores de Death Note

Com certeza Death Note é uma daquelas obras que gerou uma legião de fãs por apresentar uma proposta diferente. Naturalmente esses fãs se sentiram órfãos quando acabou, portanto quando começou a se falar de Platinum End, a expectativa foi a mil, já que além de ser algo dos mesmos autores, ainda tinha uma história de algo sobrenatural semelhante.




A verdade é que essa não é a primeira obra da dupla Tsugumi Ohba (Roteiro) Takeshi Obata (Ilustrações), pois antes dela teve Bakuman, no entanto essa tinha uma proposta completamente diferente, apresentando as dificuldades da vida de um mangaká. Isso fez com que Platinum End se tornasse o retorno dos dois ao gênero.

Na trama vemos Mirai Kakehashi, um jovem que já não suporta mais a vida, pois perdeu os pais em um acidente de carro e foi adotado pelos tios abusivos. Isso faz com que perca a vontade de viver e suba em um prédio para cometer suicídio, mas é salvo por um anjo que lhe dá a habilidade de voar para qualquer lugar instantaneamente e duas flechas, uma vermelha que permite que alguém se apaixone por ele por 33 dias e uma branca que causa morte imediata.

Esse é um mangá com altos e baixos. Por um lado é uma história extremamente gostosa de se ler, em que você pega e rapidamente consome várias páginas sem perceber, tudo vai passando de um jeito tão fluído que você só quer continuar. Não é como aquelas obras em que você tem que fazer uma pausa pra respirar um pouco. Por outro lado existe uma falta de originalidade em tantos quesitos, que a sensação é de ler mais pelo entretenimento do que pela surpresa.

Pra começar, Platinum End parece uma mistureba de outras obras que acabou gerando essa. Eu imagino que o Ohba tenha pensado em um conceito original, mas que sem querer acabou tacando certas coisas que passam descaradamente a sensação de "Eu já vi isso em algum lugar né?". E no fim das contas gera uma história fluída, porém não original.

Primeiro tem o lance dos tios malvados que adotam o sobrinho, mas o tratam feito lixo. Ele é obrigado a trabalhar pesado na casa, mas ainda assim apanha frequentemente, inclusive de seus primos, que tem liberdade para surrá-lo sem problemas. No entanto de repente sua vida muda, quando ele recebe poderes e fica livre para usá-los.

É claro que na cultura pop temos uma quantidade enorme de coincidências em obras, e dá pra engolir. Porém foi realmente difícil não pensar em Harry Potter quando comecei a ler isso. Mas ok né? Pra um começo de algo, dá pra ignorar e até desassociar completamente dependendo do caminho que a história seguir, até porque o próprio Harry Potter é acusado de plágio de Os livros da Magia.

Mas aí começam a surgir mais e mais coisinhas que vão lembrando uma ou outra obra e no fim das contas você começa a pensar só em como parece que o Ohba saiu catando coisa de toda parte pra montar um Frankenstein de história sobrenatural. E a segunda coisa semelhante é exatamente o próprio Death Note.

O que parece ter acontecido é algo do tipo "Poxa, Death Note foi tão bom... Preciso de algo parecido, mas não pode ser igual... Já sei! Que tal Death Note ao contrário?". O protagonista parece ter uma personalidade exatamente oposta à de Light Yagami, sendo super inteligente também, mas com a forte ideia de que precisa fazer o bem, e que tem que fazer as pessoas felizes.

Combinando essa personalidade com a possibilidade de poder controlar pessoas com a flecha vermelha (Fazendo elas se apaixonarem perdidamente por ele) e o poder da morte com a flecha branca, no fim das contas o garoto tem exatamente um Death Note nas mãos, já que com o caderno era possível obrigar as vítimas a fazerem algo antes de se matar.

Mas ele é um personagem do bem, certo? Então não daria para seguir uma trama semelhante, afinal de contas ele não é obrigado a matar. Bom... Poderia ser, até o momento em que no próprio volume 1 é inserido um novo elemento que é a verdadeira trama principal. Mirai foi um dos treze escolhidos para participarem de uma competição em que um deles será o novo Deus.

É meio difícil não lembrar de Mirai Nikki, em que o deus do tempo escolhe doze humanos para entrarem em uma competição e o vencedor tomará o seu lugar né? Pra falar a verdade é uma "coincidência" tão grande, que eu até me assustei do autor de Death Note (que é uma obra super original em seu conceito), parece não ter se importado em tacar algo assim.

E existem alguns outros elementos aqui e ali que acabam te fazendo lembrar de obras aleatórias, como a primeira vez que o personagem "voa" para lugares do mundo, que na hora me veio o filme Jumper à mente. Mas é como falei, esse tipo de pequena coisa daria para se engolir e esquecer se não fosse a quantidade cabulosa de "coincidências".

Por outro lado, a história pode acabar encantando especialmente aqueles que gostam mais de fluidez do que originalidade, pois nisso a obra é fenomenal. É bem fácil mesmo ir lendo sem parar, sentindo aquela emoção. É o tipo de coisa que mostra bem que é possível sim que algo clichê consiga gerar entretenimento.

Eu sei bem que para alguns fãs de Death Note, pode ser revoltante, porém acho que o problema não é a diversão da obra em si, mas sim a expectativa gerada. Sendo assim, acredito que para alguém que não espera nada, especialmente aqueles que conhecem a coisa de forma aleatória, pode trazer bons momentos de diversão.

É o tipo de história em que bate aquela sensação de "Nossa, imagina o que eu faria com um poder como esse?", ou seja algo que fica mexendo com sua imaginação e te fazendo ver como usar esses poderes, a forma mais sábia para aproveitá-los e os problemas que poderiam gerar graças às regras de utilização.

A flecha vermelha permite que qualquer pessoa se apaixone pelo protagonista, no entanto existe o limite de 33 dias, depois disso o efeito acaba e não pode ser usado de novo na mesma pessoa. Sendo assim, gera aquela sensação de medo em usar da forma errada e se esse pouco tempo seria o suficiente para conquistar de verdade alguém.

Já a flecha branca permite matar uma pessoa instantaneamente, sem deixar rastro. A pessoa simplesmente cai dura no chão, perdendo a vida de forma indolor. Isso permitiria a muita gente se livrar de muitos problemas, fazendo pessoas simplesmente desaparecerem. Mas aí entra a questão da ética e moral. Tirar a vida de outro ser humano deveria ser simples desse jeito?

Por fim tem as asas, que permite ao personagem se teletransportar para qualquer lugar e com isso ele pode ir para os lugares mais inusitados para ver o que quiser ou fazer o que quiser sem ser notado. Pode por exemplo roubar, e não há julgamento dos anjos, pois eles não veem coisas como certas ou erradas, eles veem pessoas tentando serem felizes. E normalmente se entra a questão da ética e moral em se ter um poder assim.

Esse conjuntinho de poderes nas mãos de uma pessoa normal acaba te deixando empolgado em ver ele fazendo coisas que seriam um verdadeiro sonho para a maioria das pessoas. E é nesse quesito que o mangá acerta bastante, em conseguir entreter e levar bem a coisa de um jeito fluído que não te deixa cansado enquanto devora as páginas.

Naturalmente não dá para deixar de lado também o visual fenomenal que já conhecíamos em Death Note, e agora podemos novamente vê-lo. É fácil reconhecer os traços marcantes de Takeshi Obata em diversos momentos. O trabalho é muito bem detalhado e o posicionamento dos elementos entre os quadrinhos geram uma elegância incrível.

Enfim, Platinum End é um mangá com seus altos e baixos. Acho meio engraçado pensar que é uma obra que atrai mais os fãs de Death Note, mas que no fim das contas podem não ser o público alvo exatamente pela expectativa imensa gerada. Mas que se você for ler de mente aberta, pode ter muita diversão. Ele é publicado no Brasil pela editora JBC.

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