Mahou Shoujo Site | Um anime que fez muita gente passar mal

Normalmente eu não assisto esse tipo de anime, na real eu passaria bem longe se querem saber. Eu odeio esse tipo de traço de personagem magrelão e fofinho, além de que parece que os autores combinam "Se tem esse traço, vamos chocar a sociedade e por algo bem meloso ao mesmo tempo". Mas assumo que fiquei curioso quando vi que  esse anime entrou na mira da  BPO (Broadcasting Ethics and Program Improvement Organization), que monitora os padrões éticos e valores dos programas transmitidos no Japão.


Tudo bem, eu to ligado! Uma penca de animes toscos já entrou na mira deles, afinal de contas violência é o que não falta hoje em dia, tudo tem violência. Mas por algum motivo isso despertou minha atenção, junto com o fato do termo Mahou Shoujo ter surgido uma penca de vez na minha vida nos últimos tempos, sendo assim por que não dar uma conferidinha né? E lá fui eu!

A história é sobre uma menina chamada Aya Asagiri, que é muito insegura, tímida e se culpa por tudo. Isso faz com que não consiga se comunicar direito com os seus colegas e assim acaba se tornando um alvo constante de bullying de três garotas. Porém o fato dela nunca reclamar ou revidar, abre portas para que façam de tudo com a menina.

Acredito que o primeiro anime que eu vi ser censurado foi Gantz, que a primeira temporada foi lançada com 11 episódios, mas ao sair em DVD, tinha 13 episódios. Ou seja, foi tanta cena censurada, que deu dois episódios inteiros só de cortes da bagaceira. No entanto tenho que assumir que Mahou Shoujo Site definitivamente é um anime para se preocupar.

O negócio é que no primeiro episódio colocam um nível de violência física e psicológica tão exagerada, que chega ao ridículo. Tudo bem que coisas violentas acontecem, mas com a mesma personagem começa a ficar tosco, bullying pesado, tentativa de estupro, violência em casa com o irmão socando com força a barriga dela.

E a coisa piora com o fato de que parece que a qualquer momento a protagonista vai olhar pra câmera e dizer "Eu sou boazinha e tristinha, estão vendo?", porque é aquele tipo de personagem que é um saco, onde tudo o que falam, ela se culpa e sofre. Na maioria dos diálogos dela, dá vontade de só acelerar porque na real você não vai perder nada, é só ela falando que é coitada e acredita no poder do amor e pessoas não devem morrer, e essa ladainha toda que consome vários minutos do anime.

Apesar do exagero, o episódio 1 é realmente pesado, me deu aquela sensação super incômoda que tive no fim de Devilman Crybaby e Genocyber. Muitas pessoas passaram mal com o peso da coisa, pois é muita coisa de ruim acontecendo em sequencia. Chega a ser previsível, por exemplo a personagem acha um gatinho e fica super feliz. Mas depois de tudo o que aconteceu, você vê essa cena e meio que fica óbvio o que vai acontecer.

Esse anime se destaca por ser uma obra do gênero horror e ao mesmo tempo do gênero Mahou Shoujo (Garota Mágica), que basicamente são animes feitos para o público feminino e que apresentam meninas com poderes, sendo obras como Sailor Moon e Sakura Card Captors dois destaques. Normalmente esse tipo de anime é mais bonitinho.

A temática é usada de uma forma bem obscura aqui, falando sobre uma página da internet chamada "Mahou Shoujo Site" que se manifesta para meninas que sofreram muito na vida e lhes envia um "bastão mágico", que na verdade é um objeto qualquer, e cada garota mágica pode usar ele de formas diferentes. O da protagonista por exemplo é uma pistola em forma de coração, mas pode ser um ioiô, um estilete, um celular, o que for.

Nesse quesito eu acho fenomenal a ideia, por dar uma variada na coisa. No entanto infelizmente parece que um elemento que deveria ser distribuído por toda a obra, acabou se concentrando apenas no primeiro episódio. A partir do episódio 2 a violência cabulosa simplesmente para e começa o poder da amizade.

Tudo quanto é clichê de anime passa a acontecer, é personagem sobrevivendo às mais variadas coisas, são os violões que passam pro lado do bem e se juntam ao grupo de amigos, são boconas e caronas exageradas com um fundo colorido, e assim vai. Chega a ser triste de ver, algo que começa tão pesado de repente some.

Acredito que se todo o exagero do primeiro episódio fosse distribuído de forma balanceada pelo resto do anime, essa seria uma obra capaz de ter o potencial de apresentar uma atmosfera sombria maravilhosa igual à do mangá O Vampiro que Ri. Mas do jeito que foi colocado, o resultado é algo que parece não ter público alvo, se você é um sádico vai achar do segundo episódio pra frente um saco, se você é uma menininha, via desmaiar no primeiro episódio.

É como se a coisa tivesse começado com a galera de Corpse Party Tortured Souls, mas tenha ficado chocante demais, e decidiram demitir a equipe toda pra colocar alguém que tivesse experiência com animes feitos para garota. Sei que muita gente pode acabar se apaixonando por esse contraste, mas o que vi foi mais um desperdício de potencial.

Enfim, não vou dizer que não me diverti nem um pouco, foi sim legal assistir, mas eu não imaginei que seria só um anime de passa tempo. Tem um visual parecido com Higurashi no naku koro ni, mas a diferença é que ao menos aquele seguia uma proposta do começo ao fim, enquanto esse o clima é apenas de algo perdido. Assista por conta e risco.

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