Resident Evil Zero - Tão difícil que nem acredito que zerei

Esse é um daqueles jogos que eu sempre quis jogar, mas estava eternamente na lista de espera, no entanto após jogar o início de Resident Evil 7 ao vivo na Twitch Nerd Maldito, bateu aquela vontade de jogar Resident Evil, então pensei "Por que não começar do início?" e assim aproveitei a promoção da steam para pegar o Zero, que suei pra terminar.



A história se passa em julho de 1998 e tem início quando uma série de assassinatos macabros passam a acontecer nos arredores da cidade de Raccon City, nas montanhas Montanhas Arklay. Devido ao nível do caso, a equipe Bravo do esquadrão de elite da polícia de Raccon City, S.T.A.R.S, é enviada para investigar. 

Sempre que penso em algo como "Origins", "Zero" ou "O início", penso em uma coisa com uma história extremamente estilosa e bem bolada, mas infelizmente nem sempre é assim que a coisa ocorre e em RE0 a coisa foi meio termo. Esse é um jogo que eu sempre vi como atraente demais, luxuoso, diferente e esperava uma história impecável, mas depois de jogar pude constatar que não é tão assim.

O negócio é, infelizmente esse jogo parece ter deixar afetar pela maldita felicidade japonesa, sabem o poder da amizade e do amor? Pois é... Ele tá aqui. Isso é uma pena, pois o que temos aqui é um jogo de 2002, já tinham vários outros títulos da franquia pra mostrar que essa é uma história séria sobre armas biológicas.

Mas vamos começar do início já que a trama não é completamente uma desgraça. A história de fundo sobre o que aconteceu no lugar é bem bacana, tendo um nível tolerável de tosqueira. Mais precisamente o problema dessa parte são os cientistas loucos que parecem colegiais rebeldes usando gravatinhas desajeitadas e risadinhas insanas jogando o corpo para o lado.

Aliás, que baita dublagem de bosta a de alguns personagens viu? Nas lives que faço sempre tem o tema do dia, e um deles foi dublagem, o que acabou caindo muito bem para citar a dublagem horrorosa de alguns personagens. Os vilões REALMENTE parecem crianças brincando de malvadas "HAHAHA olha só como sou mau! Vou destruir você! HAHAHA" . Um ótimo exemplo pra mostrar que existe dublagem bosta em qualquer lugar.

Além disso tem umas tosqueiras loucas como o vilão que canta, era pra dar um toque estiloso de ópera e talvez até convença alguns, mas se você for pensar bem, é um maluco cantando ópera no meio do matagal com um monte de mutante bizarro. Ou seja, uma tosqueira total que não deveria estar ali com certeza.

Por outro lado, se tirar essas partes afetadas, o fundo é interessante, você vai descobrindo ele a partir de documentos que aos poucos vão montando o tipo de experiências que rolavam no lugar e como aquele monte de criaturas foi liberada. Não é inovador e é previsível, porém é algo gostoso de se acompanhar, bem conduzido.

Agora a história dos protagonistas é um verdadeiro problema, é MUITO no estilo "Poder da amizade", parece que os roteiristas estavam se segurando pra não fazer ter uma cena musical. Rebecca é a médica da equipe e tendo só 18 anos, porém mesmo sendo a mais delicada deveria ser um pouco mais barra pesada.

Billy é um fugitivo que deveria ser preso por Rebecca, mas acaba se tornando amigo dela, aí já viram né? Nada contra um prisioneiro e uma agente de elite juntos, mas dava pra por a coisa de uma forma mais tensa, valorizo bem mais histórias com protagonistas que tem seus erros e são obrigados a fazer coisas nada legais, isso valoriza bem mais quando fazem coisas maneiras. Mas os personagens são super amorzinhos e em alguns momentos tem até música tristinha.

Agora quanto a jogabilidade, esse é um dos jogos mais difíceis que já joguei na minha vida. Eu já conhecia a fama desse ser o Resident Evil mais difícil, mas depois que comi o pão que o Diabo amassou é que notei. Engraçado que as primeiras horas foram tranquilas, fiquei até meio decepcionado, mas chegou a um ponto que tive que fazer as coisas sincronizadas em alguns lugares porque eu não tinha item de cura e tava todo lascado, tendo que recarregar meu jogo várias vezes seguidas.

Acho que esse sim pode ser chamado de um survival horror, os caras não economizaram em colocar uma experiência desafiadora e que não facilita para o jogador. Isso chega até mesmo a ser estranho, pois estando acostumado com outros jogos da franquia já cheguei exigindo "Cadê isso? Cadê aquilo?", e me lasquei ao ver que não era fácil assim a coisa.

Por exemplo você começa sem a faca que é a arma mais básica, ou seja eu tinha que gastar balas querendo ou não e ficava na agonia até conseguir uma faca pra poder economizar quando possível, e os itens são compartilháveis, sendo assim tinha que ficar passando a faca pra Rebecca e pra Billy dependendo da situação.

Outra coisa interessante e que adicionou bem mais força ao gênero survival da coisa é o fato de que não tem baús! Em outros jogos da franquia tem a parte em que você salva e do lado um baú pra você colocar itens, eles se teletransportam pra qualquer sala de salvar o jogo. Mas aqui não tem isso, e se você pensa que isso é compensado pelo inventário, muito pelo contrário! Ele é menor do que outros jogos, tendo apenas 6 slots, sendo que tem itens que usam dois slots.

Algo inovador na franquia que foi adicionado nesse jogo e que torna a coisa ainda mais difícil, é que não é como Resident Evil 1 em que você escolhe um dos personagens e segue o caminho dele. Aqui você anda com os dois ao mesmo tempo! Por um lado são duas armas atacando, por outro a vulnerabilidade é maior e se um morre o jogo acaba.

Agora some isso ao fato de que esse jogo tem uma das inteligências artificiais mais burras que já vi na vida (E sim, ela é mais burra que a IA de Resident Evil 5), quero dizer, o problema da Sheva é que a infeliz tinha o dedinho nervoso no gatilho, agora em Resident Evil 0 o problema é que muitas vezes a IA decide colocar a mãozinha na cintura e te observar ser comido.

Mas essa mecânica ainda é interessante e charmosa, ela abre por exemplo a possibilidade de você jogar tanto com os dois juntos quanto com eles separados, portanto você pode trocar na hora que quiser e se dedicar a fazer certas coisas com um enquanto outro está em uma área bem distante resolvendo outro problema.

Outra coisa é que independente da sua escolha, em alguns momentos será obrigatório fazer coisas juntos ou separados, por exemplo um dar pézinho para o outro chegar a um determinado lugar, ou algum evento que faça com que se separem e assim se torne obrigatório jogar com os personagens sozinhos até se encontrarem de novo.

O gráfico é espetacular, tanto na versão original de Gamecube, quanto na "Biohazard 0 HD REMASTER" que foi a versão que joguei. Apesar de ser um visual pré-renderizado, existem efeitos em diversos ambientes criando uma ilusão daquilo estar rodando em tempo real e acaba ficando realmente muito bonito.

Enfim, esse é um ótimo jogo, eu esperava que fosse impecável, mas infelizmente tem falhas demais, porém não é algo que também possa se dizer que é uma porcaria, gostei muito, me senti desafiado e terminar foi um baita de um alívio. Se você gosta de survival horror, certamente vai adorar. Recomendo jogar com o controle de Xbox, pois o jogo está completamente adaptado pro PC. Vale a pena dar uma conferida no site da G2A pra ver o preço que está lá, pois muitas vezes eles costumam vender keys da steam por um valor bem mais barato que na própria steam e ainda aceitam boleto bancário. Dê uma conferida no preço que tá lá, clicando aqui.

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