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sábado, 26 de agosto de 2017

Death Note | Um filme para quem não assistiu o anime

A adaptação da Netflix para do mangá Death Note para filme, sem sombra de dúvidas chamou a atenção naturalmente. Afinal de contas estamos falando de uma empresa muito amada e de uma obra que tem uma legião de fãs. No entanto a cada nova informação, algumas pessoas iam ficando mais iradas. E como acabei de assistir, chegou a hora de deixar minha opinião sobre a coisa.

Originalmente Death Note foi lançado como mangá em 2003, e quando comparado com outras obras como Gantz, até que teve uma publicação bem rápida, terminando em 2006. Chamou a atenção por ser considerado por muitos como uma obra inteligente, mas ao mesmo tempo movimentada, sem ser aquele tipo de coisa que tem que pensar muito pra entender o que tá rolando.

Mas a popularização realmente acabou ficando grande com o lançamento da adaptação para anime em 2006, sendo mais longo do que normalmente esse tipo de anime é, ao invés de ser uma média de 12 episódios ou 24 episódios, tem um número bem fora desse padrão, totalizando 37. Claro, existem animes muito maiores como Naruto, mas estou falando desse estilo mais sombrio, que apesar de ter algumas obras como Monster, que vão bem além, a maioria é minúscula.

Ainda em 2006 o público recebeu a primeira adaptação para live action, que acabou se tornando uma trilogia, com mais um filme em 2008 e outro em 2015. E ainda em 2015 recebeu algo que ficou meio desconhecido, uma série japonesa em live action, com 11 episódios, parece pouco em relação ao anime, mas os episódios tem entre  55 e 85 minutos, ou seja, é gigantesca a bagaceira!

E por fim em 2017 tivemos a adaptação americana da Netflix. Mas antes do lançamento o povo já estava descendo o pau por inúmeras coisas, reclamações sobre não estar parecido com o mangá ou anime era o que não faltava, mas apesar de tudo eu nunca me empolguei com essa reação do povo, portanto apenas esperei pra ver e eu mesmo decidir o que acho.

Portanto antes de tudo já quero dizer que eu não tô nem aí se o L é negro, branco, amarelo, vermelho. Essa foi uma das maiores críticas em cima, algumas bem fúteis até, a pessoa gerava um milhão de problemas e no final tudo se resumia ao fato de terem colocado um L negro, foi algo meio semelhante à revolta que teve quando descobriram que o brasileiro de Overwatch era negro.

Então o foco principal inicial dessa análise é ver Death Note como filme, e não como uma adaptação do mangá. Eu abri a mente quando fui assisti e sinceramente estava na expectativa, pois apesar da Netflix já ter cometido uns deslizes que me decepcionaram demais, ainda é a Netflix né? E me parecia algo que seria legal.

Convenhamos, a premissa da coisa é muito bacana e provavelmente chamaria a atenção de muita gente se Death Note não existisse e de repente anunciassem um filme assim. Um cara normal que de repente tem acesso a algo fantástico. É meio que aquela sensação que filmes como Jumper ou O Procurado causam.

Com essa proposta e ainda sabendo que a obra original tinha vários momentos bem épicos e empolgantes com reviravoltas e isso tudo colocado nas mãos da Netflix, que costuma investir bem em suas obras originais, se você conseguir não comparar com o anime e o mangá, tem mesmo como não se empolgar com a coisa?

Bom, mas infelizmente no fim das contas não foi flores como imaginei que seria. O filme parece muito mais uma obra da Blumhouse Productions, ou seja, aquele tipo de coisa que você vê que apesar do baixo orçamento, é cheio de elementos bacanas, e pode ou não dar certo. No entanto se Death Note fosse desse estúdio, estaria entre os títulos com potencial desperdiçados.

Pra começar, esse filme parece de baixo orçamento, mesmo não sendo! Ele custou entre 40 e 50 milhões, mas a sensação é de que realmente foi uma obra completamente limitada. Nem sei o que justifica um preço alto desses, a quantidade de cenas complicadas é baixa e a única que achei mirabolante demais foi um parque de diversões, de resto é tudo muito "local", em ambientes fechados, poucas cenas de destaque ao ar livre.

Outro negócio que não achei legal foi o visual da coisa, Death Note não tem uma fotografia bonita, é algo genérico pra caramba. E essa história é o tipo que precisava ter uma captura de peso, algo estiloso. Mas a sensação é de que foi gravado em câmeras de baixa qualidade, a coisa fica beirando o mesmo visual de séries de TV.

O filme não conseguiu me passar a sensação das coisas acontecerem no momento certo. Sabem aquela introduçãozinha, do personagem se divertindo com a "novidade", e que te passa a sensação de "Nossa! Eu queria fazer isso!"? Pois é, não tem... O personagem faz umas matanças iniciais e tal, mas simplesmente não empolga.

E todo o resto do filme é assim, as coisas vão acontecendo, mas parece que não foram divididas para rolarem na hora certa, é tudo muito sem aquela sensação de "Agora eu quero ver como ele vai se virar!", não tem mudanças que vão trazendo novos ares pra coisa e que causa a sensação da obra ser maior do que é.

Mas agora vamos comparar um pouco com o anime, já que sei que é isso que a maioria realmente quer. Acredito que a primeira coisa que a pessoa tem que colocar na cabeça é que o anime tem 37 episódios pra mostrar a história, e o filme tem menos de duas horas de duração. Obviamente não dava pra colocar aquilo tudo, sendo assim acho que é uma colher de chá imediata que a pessoa precisa dar ou simplesmente não assistir.

Por outro lado não dá nem pra comparar o filme com o anime porque não é simplesmente a versão americana de Death Note, ele é tão diferente que pode ser considerado um reboot da coisa. Há muitos elementos que estão diferentes, não é só o L Negro, é a vida de Light, o jeito de agir de personagens, e até a própria história inteira. Pegaram elementos e remodelaram, sendo assim é um reboot mesmo.

E eu não condenaria a obra por ser um reboot, afinal de contas é uma obra americana e tem muito pouco tempo né? Ser diferente não significa ser ruim, e se entregam um monte de elementos bons na mão de um cara, ele pode muito bem criar algo espetacular com aquilo. Mas infelizmente não é isso que rola com Death Note.

Chega a ser esquisito como um filme com tantos elementos interessantes não consegue ser atmosférico, tem obras com tão menos, é só ver o trailer de Código de Conduta que você nota que não é preciso ter nada sobrenatural pra algo ser atmosférico pra caramba. Mas em Death Note tem até momentos que te fazem dar risadinhas.

O problema do L não é ele ser negro, mas ser um personagem extremamente superficial. O cara podia até ser um índio que eu não ia tá nem aí. O defeito mesmo é que ao invés de ser alguém enigmático e estranho, é um carinha maluquinho, irritadinho e que sinceramente não mostra genialidade nenhuma. No filme até é citado que ele é incrível, é misterioso, é genial, mas o que mostra é o protagonista do Watch_Dogs 2 correndo por aí com uma pistolinha do capeta e dizendo que vai matar!

O Light não fica atrás! É outro que citam a genialidade, mas o filme inteiro é mostrado só um maluco com uma CARA DE TARADO que eu nunca vi igual na vida, e sempre com aquela atmosfera de "Eu me fudi cara, eu to ferrado, os homi vão me pegar!". O mesmo pra sua namoradinha gamer, que ele simplesmente decide revelar o segredo sem razão alguma, e no fim do filme ela ainda parece desenvolver síndrome de Tourette "CADÊ O CADERNO PORRA?!".

Mas sem sombra de dúvidas o pior de tudo é a falta de momentos inteligentes no filme. Aquelas surpresas, a sensação de "Eu fiz isso e aquilo e te enganei direitinho!". É uma das coisas mais atraentes em Death Note, ser enganado, ver como o que parecia ser algo, não era. Isso só acontece uma vez no filme e é no fim. Parece até que é um daqueles filmes que guarda a reviravolta pro final, mas convenhamos que não é isso que Death Note é, né?

Enfim, esse definitivamente não é um filme pra quem assistiu o anime, ao meu ver é uma obra legal, mas que seria mais admirada se não rolasse nenhuma expectativa. Tipo aqueles filmes que você vai verdo nada e pensa "Nossa, que bacana!". Mas esse é um filme original netflix com uma fotografia horrorosa e desenvolvimento sem clímax. Então, sim eu recomendo assistir, mas como um passa tempo pra um momento aleatório do que algo pra ir com vontade.


5 comentários:

Pedro Tashima disse...

Além de tudo que está escrito no texto, achei o "gore" usado muito fraco e sem sentido. Sinceramente, uma obra esquecível.

Lucas Gomes disse...

Sky você já jogou Distraing? É um jogo de terror psicológico muito foda e tem versão mobile gratis

Unknown disse...

Uma tacada arriscada demais até mesmo para a Netflix

Iscai NM disse...

Joguei não cara, é muito raro eu jogar jogo de celular porque o meu tem pouquíssimo espaço uahahaha. Mas o visual é bem bonitinho, vi que ele tem pra PC também.

Saitama - sama disse...

Eu acho que o maior erro na produção disso foi terem pegado o roteirista de Quarteto Fantástico pra escrever isso.
Sério, quem achou que ia dar certo isso? ._.