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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Watchmen: The End is Nigh | Um coop ultra violento

Eu tava com vontade de jogar alguma coisa só pra passar o tempo mesmo, sem muito compromisso, uma diversão rápida e então lembrei desse jogo que eu tinha jogado há tantos anos atrás, mas que deixou uma boa impressão. Definitivamente pode ser decepcionante para fãs dos quadrinhos de Watchmen, mas se você apenas quer se divertir com pancadaria, é uma ótima opção.


Quando a HQ de Watchmen foi lançada nos anos 80, automaticamente se tornou algo famoso, porém era limitado a um público cult. Aquele tipo de obra fechada a um nicho, ou seja, para fãs de quadrinhos adultos a coisa era ultra popular, colocado ao lado de outras obras sérias, como O Cavaleiro das Trevas.

Mas a coisa só foi explodir de verdade em 2009, quando o mundo presenciou o lançamento do filme de Watchmen, uma baita de uma obra estranha, tendo em conta que eram heróis desconhecidos para o grande público, além de que a forma de agirem era meio esquisita. Suas roupas tinham um certo toque de filme trash, mas ainda assim era notável que o filme era absurdamente caro.

A partir daí a coisa estourou, tivemos o relançamento de Watchmen no Brasil em edição de luxo, mas o filme também marcou uma nova era multimídia para a franquia, e graças a isso também tivemos coisas como o espetacular Motion Comic de Watchmen, que era um meio termo entre a versão live action e os quadrinhos.

Mas o próprio filme trouxe junto um universo estendido com os seus extras surreais pra caramba, um deles era Sob o Capuz, que era nada menos do que um o mockumentary que apresentava um pouco mais da história do mundo de Watchmen, já o outro era a animação Contos do Cargueiro Negro, que adaptava contos da HQ que não ganharam versão live action.

Até mesmo fãs se sentiram mais empolgados para criar coisas novas relacionadas a esse universo, como é o caso do Saturday Morning Watchmen, que era uma animação no formato de desenhos animados padrões dos anos 90, dando todo um toque especial na coisa com aquele estilo meio bobo que tanto conhecemos.

Obviamente não poderia deixar de faltar um toque no mundo dos video games, e assim veio Watchmen: The End is Nigh. Um jogo que saiu na mesma época do filme, e que com certeza é uma daquelas obras que você facilmente chama de "picareta", porque dá pra ver o quanto os caras queriam mesmo era ganhar um dinheiro em cima da coisa.

Pra começo de conversa, The End is Nigh é um jogo que foi dividido em Parte 1 e Parte 2, até aí tudo bem, afinal de contas temos muitos jogos que tem sequencia, então quanto mais, melhor! Certo? Bom... Certo... Mas nesse caso aqui o problema é que são dois jogos de três horas de duração, ou seja... A malandragem comeu solta!

A história do jogo se passa em 1972, ou seja é na era de ouro dos Watchmen e antes dos acontecimentos do filme. Nesse ponto a coisa é bacana pra caramba, afinal de contas acaba naturalmente fazendo com que sejam obras que se completam. Somando isso ao fato de serem obras curtas com modo cooperativo, dá pra fazer uma bela maratona Watchmen com um amigo.

Uma coisa engraçada, normalmente em jogos de super heróis o que eu espero é pancadaria mesmo, afinal de contas são jogos de heróis né? Então jogos como Shattered Dimensions ou X-Men Legends tinham alguns elementos a mais, mas o foco mesmo era a pancadaria. Porém com Watchmen eu esperava algo diferente.

No entanto o que temos aqui é um jogo do gênero Beat 'em Up mais do que puro, o foco é completamente na porrada. Chega a transmitir a sensação de que os caras até queriam fazer mais, no entanto acabaram só deixando a pancadaria louca rolando mesmo e não foram de forma mais profunda em nenhum outro elemento.

Aliás, com esse lance de ser dividido em dois é de se estranhar viu? Talvez realmente tenha rolado algo do tipo a distribuidora colocar pressão pra lançarem logo e acompanharem o sucesso do filme, daí entregaram um produto inacabado. Afinal de contas é algo tão curtinho e que tem tanto charme no combate e gráficos, mas de resto é meio superficial.

No jogo tem dois personagens apenas, o Coruja e Rorschach, cada um deles tem uma forma diferente de lutar, interagir com o mundo e em alguns momentos do jogo os personagens se separam por momentos breves, cada um indo para um lado e tendo que ir até um certo ponto onde precisam se encontrar de novo.

De vez em quando são separações relativamente simples, como um levanta o portão, o outro passa por baixo e tem que ir até onde está uma alavanca para abrir o portão e assim o outro pode entrar também. Mas as vezes as coisas demoram um pouco mais e há todo um caminho para se percorrer sozinho. Porém nunca é algo demorado demais, logo se juntam de novo.

Os formatos das fases são relativamente simples, vocês tem que descer o cacete em todo mundo e de vez em quando fazer coisas como subir em canos, puxarem alavancas juntos, girarem válvulas e assim vai. Nunca chega a ser algo que se tem que pensar de verdade, ou que te faça ter que voltar um caminho muito longo pra uma porta que você abriu, é tudo bem direto ao ponto.

Agora sem sombra de dúvidas o elemento que brilha no jogo é o combate, esse é um jogo com um dos sistemas de combates mais bonitos que já vi. As animações são lindas, os personagens são muito vivos na hora da treta, e a forma de lutar não é luxuosa e estilosa, é algo bem no estilo de briga de rua mesmo, muito bruto.

Quando você dá um ataque, o personagem não faz bonitinho, ele se joga pra frente metendo um soco, dá uns passos tropeçando, e se você  aponta pra outro lado e ataca, a animação continua no mesmo ritmo, e ele dá aquela virada descendo uma porrada, mas sem interromper a coisa anterior. É tudo muito natural mesmo.

Existem basicamente três tipos de ataque, porrada normal, porrada de empurrão pra quebrar bloqueio, e o botão de arremesso, que te permite segurar alguém e lançar pra longe. No entanto os arremessos só funcionam se você conseguir agarrar os inimigos. Cada um tem uma forma diferente, alguns defendem muito, outros deixam a coisa mais aberta pra agarrões. 

Você também pode aplicar combos com a combinação de botões de ataque, enquanto vaga pelos cenários é possível achar fichas que destravam novos combos para serem aplicados. Cada capítulo tem uma certa quantidade, por isso é preciso vasculhar, também é possível repetir as missões pra procurar algum que foi deixado para trás.

Existe uma sensação de impacto a cada porrada que você dá e recebe, que sinto em muitos poucos jogos, como Enter the Matrix e Batman Arkham Asylum. É normal ver jogos em que você bate e parece que atravessa o inimigo, ele apenas se joga pra trás e vem aquele som de impacto, mas aqui cada porrada transmite uma sensação imensa de que a pancada acertou com tudo.

É possível ainda usar objetos pra variar os araques, sendo assim se um inimigo aparecer pra te atacar com coisas como um porrete ou pedaço de cano, você pode espancar ele, tomar o objeto e usar nos outros até quebrar. Normalmente facilita muito mais a coisa quando você tá usando alguma arma, mas sempre é preciso tomar de alguém primeiro.

Se você e seu amigo entenderem inglês, certamente vão soltar belas gargalhadas com os comentários dos inimigos. São sempre coisas de fodão como "Eu vou tirar esse teu sorrisinho da cara quando acabar com você" ou "Ei, você vai me pagar pelo o que fez com o meu primo!". Mas o engraçado é que a medida que o combate avança, o tom nos diálogos mudam.

Essa parte das falas transmite muito bem a sensação que os próprios heróis passam, pois aqui você não ataca pra machucar e imobilizar apenas, mas sim pra matar mesmo. E assim parece que os bandidos chegam pensando "Hehehe o que ele vai fazer contra todos nós? No máximo vou tomar uns pontos, passar um tempo na cadeia e só... Então vamos detonar com esse otário". Mas aí ele vê que o seu personagem parece um cachorro louco lutando...

Por exemplo, certa vez chegou um grupo com as falas de fodonas, e comecei a descer o cacete, daí um deixou uma faca cair, eu peguei e obviamente o bagulho começou a ficar muito mais violento do que já tava, até que apliquei um combo em um dos personagens, subi em cima dele com a faquinha e comecei a descer a facada no pescoço, tirei até um screenshot da reação uahahaha (dá uma lidinha na legenda):

Se você não entende inglês, ele tá dizendo "SOCORRO! ESSE FILHO DA PUTA TÁ FORA DE CONTROLE!", uahahaha eu gargalhei alto quando vi o cara dizendo isso. Acho que essa frase descreve tão bem o que esse jogo é, que ao invés de "Watchmen: The End is Nigh" o jogo podia se chamar "Watchmen: Help me! This motherfucker outta control!".

E essa não é a única frase hilária presente, existem várias como "Help! This son of a bitch is crazy!" ou mesmo em uma parte onde você desce o cacete em policiais e eles tem as falas próprias como "Alguém chama a porra da SWAT, o Batalhão de Choque! QUALQUER COISA!". É impossível não rir da bagaceira.

Os gráficos do jogo são lindos pra cacete, afinal de contas estamos falando de uma obra de 2009, achei o visual dos personagens espetacular pra caramba, você aproxima a câmera e vê cada detalhezinho de uma forma linda pra caramba. O rosto do Rorschach fica se modificando constantemente como no filme, é bem legal.

Apesar de não ter uma quantidade imensa de objetos pra interação, os que tem são bem maneiros, com física bem feita e tal. Com esses objetos as vezes é possível ver coisas muito bonitas como pegar um inimigo e tacar em um lugar com latas de lixo que voam pros lados, ou mesmo um monte de garrafas. No meio da treta vai rolando umas coisas bem legais.

Apesar de tudo o jogo tem história também, ele apresenta os personagens fazendo uma investigação, durante o gameplay a coisa é mais superficial, porém há apresentações entre os capítulos que é onde a coisa realmente é mostrada. O visual das apresentações são em Motion Comic e com o estilo da HQ, isso pode agradar alguns.

Enfim, esse é um bom jogo pra passar o tempo, não transmite de verdade o que Watchmen é, mas pra quem estiver de uma pancadaria com um estilo próprio, pode ficar bem encantado, até porque é algo rápido mesmo. Vale a pena dar uma conferida no site da G2A pra ver o preço que está lá, pois muitas vezes eles costumam vender keys da steam por um valor bem mais barato que na própria steam e ainda aceitam boleto bancário. Dê uma conferida no preço que tá lá, clicando aqui


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