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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Outcast - HQ sobre possuídos do criador de TWD

Lembro de minha "época de ouro" lendo a HQ de The Walking Dead, na época algo desconhecido para o público em geral, algo que em geral só era visto mesmo pelos fãs DE VERDADE de quadrinhos, não aqueles que liam dois porque saiu um filme de herói (não que tivessem tantos assim na época), mas os que conheciam nomes da indústria, sabiam o que tava sendo produzido e etc.


Bom, eu não era um desses fãs, sempre li quadrinhos, mas a coisa sempre foi meio aleatória, eu nunca fui atrás, fiquei acompanhando e tal como os fãs reais da coisa. Não é que a coisa fosse super underground, inclusive já tinha sido lançado no Brasil os volumes de Os Mortos Vivos (Essas versões ainda vendem, porém vão virar relíquias) mas ainda assim era aquele tipo de coisa que tinha 5 anos que foi lançado e se você não for de um determinado grupo de fãs, não saberá o que diabos é. 

The Walking Dead não foi uma recomendação, comecei a ler se não me engano pela logo e capas, parecia tão atraente, estiloso e tal. E assim fui lá dar uma conferida na coisa. Não demorou quase nada pra eu me apaixonar completamente pela coisa toda. Aquela forma que as edições acabavam e como os personagens principais podiam morrer era demais!

Mas esperar um filme daquilo era um verdadeiro sonho, eu sabia que a possibilidade era baixíssima, afinal de contas quem é que iria se interessar por pagar direitos de mais uma história de zumbis? Era mais fácil inventar a própria. Uma série então, completamente impossível, as empresas já tinham mostrado que não tinham interesse nesse papo de zumbis em séries. Então imaginem minha surpresa ao ver a bagaceira ser anunciada?

Quero dizer, hoje em dia todo mundo já viu que existem inúmeros produtos baseados em The Walking Dead, são filmes, jogos, brinquedos, jogo de tabuleiro e mais um monte de coisa. O nome foi simplesmente usado e abusado. Agora imagino que surreal isso não seria para o meu eu de 2008 se visse o tanto de coisas que foram lançadas baseadas na franquia.

O nome Robert Kirkman se tornou um estouro e muita gente passou a ficar de olho no cara. Dessa vez um grupo maior que apenas fãs reais de quadrinhos (ou gente aleatória como eu), mas ainda assim algo limitado um grupo mais fervoroso por The Walking Dead até porque tem muito fã que ama muito a série, mas não tem a mínima ideia de qual diabos é o nome do criador da bagaceira.

E em 2014 um lançamento do autor conseguiu um baita destaque no público, conseguindo vender mais do que o próprio The Walking Dead, o que foi um sucesso de imediato e que logo gerou um público próprio, ou seja não apenas fãs do Kirkman ou de sua HQ de zumbis, mas um público específico para a sombria Outcast.

Dessa vez Kirkman optou por um universo bastante ousado por não ser algo estrondoso demais, o mundo "real" envolvendo possessões diabólicas. Enquanto TWD é aquela coisa gigantesca com legiões de zumbis para todos os lados e um mundo devastado, o foco dessa é algo discreto, uma coisa acontecendo entre paredes, às escondidas. Algo que passa aquela sensação de que é um segredo, de que as pessoas passam em frente a casas cheias de mistérios todos os dias e não tem ideia do que está ali atrás.

A história fala sobre Kyle Barnes, um homem que desde a infância é atormentado com um fenômeno bizarro, a presença de demônios o rodeando, mas não é ele que é possuído por esses seres e sim aqueles que ele ama. Após muito tempo sendo torturado por um deles que possui o corpo de sua mãe, o garoto finalmente se livra mas fica atormentado.

Com o passar dos anos ele se isola e se torna cético em relação a isso, não crê que aquilo possa ter sido apenas algo ligado a uma criatura sobrenatural. Mas ao retornar à sua cidade natal, acaba se deparando com um caso macabro que está acontecendo com um garoto e recebe um pedido de ajuda do reverendo Anderson. No começo é relutante, mas quando decide ajudar, percebe que tem um dom e que talvez consiga respostas de tudo que aconteceu durante toda sua vida.

Bom, é notável que o autor tava afim de criar seu próprio universo estiloso com algo discreto acontecendo com uma pessoa ou pequeno grupo de pessoas em especial. Essa HQ parece ser a versão de 100 Balas, Nailbiter ou Choosen de Kirkman, ou seja algo que passa aquela impressão de que pode tá acontecendo na porta ao lado, mas que é surreal.

Tenho que assumir que quando comecei a ler, foi algo meio sem empolgação, tava sim bem conduzido mas batia aquela sensação de "Eu não to afim de ler isso...". Porém não demorou muito para eu começar a achar a coisa intrigante demais e na quarta edição eu já tava me coçando sobre o que aconteceria depois.

É simplesmente muito interessante a ideia da coisa, isso porque a quantidade de situações coloca os personagens em uma constante investigação que te faz acompanhar junto. Não é só eles que querem respostas, você também quer! Aquela sensação de que estão se arrastando na coisa mas que não conseguem ver é bem constante.

Outro detalhe interessante abordado é "O que há do outro lado". Essa não é meramente uma HQ com o básico "Visita o quartinho e tira o capeta", é uma história filosófica sobre o mistério que há por trás da existência, o mundo espiritual. O foco da HQ é exatamente o que tá acontecendo nos "bastidores" cósmicos, será mesmo que com tanta religião, o cristianismo é a certa? Será que deus tá se importando se você se masturba? Afinal de contas qual é o segredo que o mundo espiritual esconde? Quais são as regras corretas? Será que entendemos tudo errado o tempo todo?

E os desenhos? Nossa! faz muito tempo que eu não leio uma HQ que me encanta tanto com o visual, as ilustrações de Paul Azaceta são um espetáculo a cada página! O artista usa um visual de personagens que está entre o fofinho e realista, dando aquela impressão de algo simplesmente agradável de ver, traços redondinhos e com bordas grossas. 

Além disso, o artista abusa de uma técnica que acho que todo mundo adora mas que quadrinistas usam bem pouco, que é a de colocar pequenos quadrados mostrando detalhes do ambiente do ambiente como se uma "câmera" diferente estivesse focando naquele lugar enquanto a cena principal acontece no quadrinho grande.

E as cores então? Sim, todas as edições são coloridas! Não é como The Walking Dead que é em preto e branco. Não é que eu menospreze HQ's em preto e branco, mas tenho que assumir que foi uma surpresa, eu pensava que seria só a primeira porque era uma estreia afinal, mas quando fui ver, o negócio inteiro tem cores e a harmonia com os desenhos é maravilhosa. 

Enfim, Outcast é uma baita HQ gostosa de se ler e perfeita para se passar o tempo, definitivamente tenho que recomendar essa maravilha! Se você estiver afim de uma história intrigante e que usa constantemente aquela técnica de Cliffhanger para te fazer se rasgar de vontade de ler a próxima edição, essa obra é perfeita!

Clique aqui para ver a comparação com as diferenças entre a HQ e a série.

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