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sábado, 6 de junho de 2015

Wiedźmin - O seriado do jogo The Witcher

Embora muita gente tenha ficado encantada com o fabuloso mundo medieval de The Witcher, muitos não sabem que antes do jogo de 2007, tiveram várias adaptações dos livros, e entre elas, o seriado que foi lançado em 2002 na Polônia, e virou uma daquelas obras underground um bocado difíceis de se conseguir e que quase não saiu em país algum. E hoje vou fazer uma análise dessa obra, que o autor detestou, mas que gostei um bocado.

Aqui é apresentado um universo medieval onde várias criaturas de inúmeras raças vivem, sendo algumas civilizadas, e outras verdadeiros monstros fora de controle e prontos para atacar qualquer coisa que vejam. E uma ordem existe especialmente para proteger humanos de criaturas. São os Witchers, a ordem é composta por crianças levadas como oferendas de pessoas que um dia foram ajudadas por Witchers, e outras humanos que foram submetidos a pesados rituais mágicos e sofreram mutações, desenvolvendo habilidades mágicas e recebendo um treinamento pesado durante toda a vida, até finalmente serem enviados para vagar sem rumo e ajudar quem necessita.
Esse é um seriado que a pessoa tem que assistir realmente de mente aberta, isso porque além de ser bastante velho, é notável que não tem o investimento de produções de altíssimo nível como Game of Thrones, sendo assim é bem fácil achar o seriado trash e até mesmo cansativo. No entanto se você o assiste com uma visão mais artística da coisa, pode realmente enxergar uma baita de uma beleza apresentada.

O que eu esperava dessa série era algo bem no estilo Merlin, ou seja uma série tranquila, bem descomplicada em seu enredo mesmo e com situações superficiais que se resolvem ao final de cada episódio. Em parte eu estava certo, mas a verdade é que a série é mesmo voltada par ao público adulto, então ao mesmo tempo que se tem o "desafio do dia", também é uma história que anda a cada episódio, e tem cenas bem sérias, não é nada para o público infantil, ficando assim entre a simpática Merlin e a violenta Camelot.
Você vê Geralt realmente evoluindo, o personagem começa como criança, vai recebendo o treinamento e então envelhece. Gostei muito de como conduziram a história para ficar cada vez mais sombria, apresentando inicialmente o começo difícil da vida do personagem, mas então as coisas se estabilizam, para então você ir sentindo o clima pesando. Fiquei com pena do protagonista muitas vezes, é transmitido muito bem a dor que sente, seus questionamentos sobre o que ele é, e como faz coisas de uma maneira, mas sente que é errado, sua paixão e as dores que isso causa, além do próprio visual do personagem que vai mudando, cada vez mais você vai vendo cicatrizes surgindo no rosto dele com o passar dos anos.

A série também tem momentos bem violentos, o mundo apresentado é cheio de preconceitos, humanos odeiam elfos e isso acabe sendo uma baita de uma crítica social interessante, é uma raça bem parecida, mas simplesmente detestada e que é deixada vivendo nas florestas em meio ao desespero, as pessoas os atacam e também temem sua presença, pois graças a esse tratamento, passaram a ser perigosos e agir de forma hostil. Pelas cidades por onde Geralt passa, é muito normal ter pessoas procurando confusão, muitas vezes ele só tolera e vai embora, porém ele não é do tipo de personagem herói bonzinho e que só faz a coisa certa, então as vezes ele simplesmente tira a espada e parte alguém ao meio. É um mundo mágico, porém terrível, e assim me lembrou um bocado o clima do violento anime Berserk, com aquela dor e medo de coisas macabras junto a áreas que são pura beleza.
Existe também um grande toque sexual na coisa,  Geralt transa com tudo quanto é mulher, e esse é um dos detalhes que torna a série nada adequada para crianças. Me fez lembrar um bocado a moda que pegou mais ou menos na época da série Roma, com algo antigo, mas cheio de nudismo explícito. Então acho que é um seriado que iria se dar bem se tivesse sido feito uma década depois e fosse americano, o que aliás é um detalhe que também dá para se notar facilmente como as técnicas usadas são diferentes e alguns momentos é fácil ficar perdido quanto ao que se realmente aconteceu.

Também gostei muito do toque sentimental que a série tem em determinados momentos, como por exemplo em uma das vezes que Geralt está desesperado e se sente perdido, então ele acha seu amigo bardo Jaskier (meu personagem favorito por sinal), e esse vê sua tristeza e começa a aconselhá-lo dizendo algo do tipo "Geralt, existem muitas coisas ruins no mundo e dúvidas que surgem, muitas tristezas e dores, mas o mundo também pode ser belo, existe arte e música, e pessoas boas, é raro achar alguém assim, mas é algo que acontece, pessoas que são suas amigas de verdade e que você sabe disso..." e nesse momento você já sabe que é óbvio que Jaskier está falando dele mesmo para Geralt, mas então ele continua "...e é por isso que eu sempre me pergunto se mereço te ter como amigo.". Caramba essa cena eu achei espetacular! Tocante pra caramba mesmo.
Eu gostei de como usaram os efeitos especiais de forma modesta, Geralt não usa magia constantemente, na maioria das vezes ele entra na pancadaria pela espada mesmo. Mas quando usam efeitos especiais, na maioria das vezes é bem disfarçado a falta de orçamento, como se limitarem ao personagem tomar poções para aumentar algum dos sentidos e ficar com olhos negros, o que é fácil para lentes de contato, ou por um combate contra criaturas em ambientes bem escuros, dificultando para se ver como a coisa realmente é. O único efeito especial que achei esculachado pra valer mesmo, foi o de um dragão apresentado durante o dia, o negócio é só a bagaceira...

Quanto a quem jogou o primeiro The Witcher, vai se sentir em casa, é notável que a CD PROJEKT RED pegou o seriado como base para boa parte visual da coisa. Acho que aconteceu o mesmo que a animação do Hobbit de 1977, que você nota bem que em A sociedade do Anel o design de diversas coisas parecem ter usado a animação como base. Já aqui, vários cenários do seriado, bateu até um calor no coração ao lembrar que vaguei por áreas tão parecidas em The Witcher 1, apesar disso não é um jogo que pega a história da série como base. É preciso se levar em conta que Wiedźmin é uma série de contos, e assim como a série pega alguns e usa, o jogo também tem aventuras próprias, mesmo assim a introdução do jogo mostra uma das caçadas que aparecem no seriado. E tem muito detalhe que você vai notando ser parecido, em The Witcher 3 mesmo, a música usada no menu do jogo é a música tema da série.

Enfim, esse é um seriado que gostei muito de assistir, mas que o criador dos contos disse que é uma obscenidade (no mal sentido), então talvez esse clima de filme trash presente não seja apenas devido aos efeitos do tempo e cultura, talvez na época o próprio povo da Polônia tenha achado o bagulho trash, vai saber né? Mas eu realmente achei atraente vários aspectos, me pareceu uma coisa bem artística, porém sei bem que não é um negócio fácil de absorver, portanto recomendo mesmo para quem quer começar a jogar The Witcher e quer um "empurrão" na empolgação. Não achei o trailer em polonês, então fiquem com esse aqui mesmo:

2 comentários:

Yago Gama Araujo disse...

Massa o post cara, mas só corrigindo uma informação, o jogo do the Witcher não pega uma das caçadas do seriado como base, mas sim o primeiro conto do primeiro livro da série. valeu

Iscai NM disse...

Olá Yago, obrigado pela visita =D !!! Mas então, eu não falei que pega as caçadas do seriado como base, mas sim o visual. É por isso que citei a animação de O Hobbit. No caso aqui tem muitos locais reais que usaram para as gravações e no jogo você vê áreas que parecem ter parado as cenas e falado "Vamos modelar isso aqui".