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sábado, 2 de maio de 2015

A História do Necronomicon - O texto que enganou muitos

Uma coisa que se vê constantemente por aí quando se procura por Necronomicon, é a afirmação de que esse livro realmente existe. Essa é uma informação confusa para muitos e aqueles que pesquisam e por acaso acabam achando alguém falando, ou mesmo ache uma cópia para vender na internet(dê uma conferida aqui), chega a conclusão de que é algo verdadeiro. Apesar de tudo, trata-se nada menos do que um HOAX não intencional, e ele surgiu a partir de um texto de H.P Lovecraft intitulado de "A história do Necronomicon".

Antes de tudo, para quem não tem ideia do que diabos é o Necronomicon, trata-se do livro dos mortos, escrito por um árabe insano, com poderosas palavras que colocam seus leitores em ligação com poderosas forças, feitiços fora da compreensão humana e capaz de levar quem o lê a insanidade, distribuído clandestinamente e proibido pelo Papa Gregório IX. Ou seja, é um livro completamente do mal com conteúdo extremamente perigoso e capaz de fazer o caos com qualquer humano.


Apesar disso, o Necronomicon foi mais uma das invenções macabras de Lovecraft, a primeira indicação de sua existência foi em 1921 no conto "A cidade sem nome", onde o suposto Árabe é citado e um pequeno trecho do livro dos mortos aparece. Depois disso somente em 1924 o livro aparece de verdade, com seu nome sendo citado no sombrio conto "O cão de Caça", mas somente em 1927 ele escreveu "A História do Necronomicon", mas não o publicou e em 1938, após sua morte, finalmente esse conto foi lançado.

E aí que a coisa começou a se espalhar, isso porque não é apresentado como um conto, mas sim como um tipo de artigo de biblioteca, jornal ou algo assim, um relatório. A coisa que chamou a atenção é que ele mistura figuras reais com ficção, tornando assim uma obra que parece ter credibilidade quando lida por acaso. Com a vinda dos Mitos de Cthulhu, novos autores passaram a publicar seus próprios contos e citar o Necronomicon, inclusive com fragmentos do livro. As pessoas começaram a ler por todo tipo de obra sobre o Necronomicon e com supostos trechos.
E assim nasceu a ideia de que era um livro real, algo relacionado a magia negra e bem poderoso, muitas pessoas procuram por uma versão verdadeira, há inclusive lançamentos de supostas traduções, até mesmo em português se acha o "necronomicon" a venda, mas que na verdade é apenas uma obra de ficção feita por outro autor. Só que o hoax foi além e até mesmo em instituições sérias como por exemplo na University of Tromsø (Noruega) há em sua lista de textos, uma tradução do Necronomicon feita por Petrus de Dacia e que foi lançada em 1994, mas se você for procurar por esse texto, é listado como "Indisponível".

Alguns falam erroneamente o nome como "Necromicon" e existe a ideia de que é um livro diferente do "Necronomicon", mas também é meramente algo que alguém falou errado uma vez e se popularizou como sendo o verdadeiro, pois o tal "Necromicon" é mais visto em "fanfics" do que em obras que fortaleçam o Hoax. Alan Moore (Criador de V de Vingança e Watchmen) lançou uma HQ em homenagem a Lovecraft que faz referência ao livro com um nome diferente, chamado Neonomicon. Agora confiram as informações feitas por Lovecraft:
A história do Necronomicon

Título original Al Azif—azif sendo a palavra usada pelos Árabes para designar aquele som noturno (feito por insetos) supostamente vindo dos grunhidos de demônios.

    Composto por Abdul Alhazred, um poeta demente de Sanaá, no Yemen, que dizem ter vivido durante o período do Califado Omíada, circa 700 D.C. Ele visitou as ruínas de Babilônia e os segredos subterrâneos de Memphis e passou dez anos sozinho no grande deserto do sul da Arábia—o Roba el Khaliyeh ou “Espaço Vazio” dos antigos—e o deserto “Rubro” ou “Dahna” dos árabes modernos, que é conhecido por ser habitado por malignos espíritos protetores e monstros da morte. Desse deserto muitas maravilhas estranhas e inacreditáveis vem das bocas dos que fingem tê-lo penetrado. Em seus últimos anos Alhazred habitou Damascus, onde o Necronomicon (Al Azif) foi escrito, e muitas histórias terríveis e conflitantes são contadas de sua morte ou desaparição (738 D.C.). Foi dito por Ebn Khallikan (biógrafo do século 12) que ele fora capturado por monstros invisíveis em plena luz do dia que o devoraram frente a uma multidão de testemunhas congeladas pelo medo. De sua loucura muitas coisas são ditas. Ele afirmava ter visto a fabulosa Irem, ou cidade dos pilares, e afirmava ter encontrado os chocantes anais e segredos de uma raça mais antiga que a humanidade debaixo das ruínas de uma certa cidade deserta sem nome. Ele era um muçulmano indiferente, adorando entidades desconhecidas que ele chamava Yog-Sothoth e Cthulhu.

    Em 950 D.C. o Azif, que havia ganho uma considerável senão clandestina circulação entre os filósofos daquela era, foi secretamente traduzido para o grego por Theodorus Philetas de Constantinopla sob o título de Necronomicon. Por um século ele compeliu certos curiosos a experiências terríveis, até que foi proibido e queimado pelo patriarca Michael. Depois disso só ouvi-se dele furtivamente, mas (1228) Olaus Wormius fez sua tradução para o latim nos anos mais tardios da Idade Média, e o texto em latim foi impresso duas vezes—da primeira vez em escrita gótica no século quinze (evidentemente na Alemanha) e pela segunda vez no século dezessete (provavelmente na Espanha)—ambas as edições livres de qualquer marca de identificação, e com suas idades e origens definidas apenas por evidências tipográficas internas. O texto tanto em latim quanto em grego foi banido pelo Papa Gregório IX em 1232, pouco depois de sua tradução para o latim, que o fez ganhar atenção. O original árabe foi perdido antes mesmo da época de Wormius, que tal indicava em suas notas de prefácio; e ninguém sabia da cópia em grego—que fora imprimida na Itália entre 1500 e 1550—desde a queima da biblioteca de um certo homem de Salem em 1692. Uma tradução para o inglês feita por Dr. Wee nunca foi impressa, e existe apenas em fragmentos recuperados do manuscrito original. Dos textos em latim agora existentes sabe-se que um (sec. 15) está no Museu Britânico debaixo de chaves e cadeados, enquanto outro (sec. 17) está na Bibliothèque Nationale em Paris. Uma edição do século dezessete está na Widener Library em Harvard, e na biblioteca da Miskatonic University em Arkham. Também na biblioteca da Universidade de Buenos Ayres. Inúmeras outras cópias provavelmente existem em segredo, e rumores dizem consistentemente que uma edição do século quinze faz parte da coleção de um celebrado milionário americano. Um rumor ainda mais vago credita à família Pickman de Salem a preservação de uma cópia do texto grego; mas essa fora tão bem preservada, que sumiu junto ao artista R.U. Pickman, desaparecido no começo de 1926. O livro é rigidamente proibido pelas autoridades da maioria dos países, e por todas as organizações eclesiásticas. Ler o livro leva a terríveis consequências. Dizem que foi a partir de rumores desse livro (do qual pouco é de conhecimento do publico) que R.W. Chambers derivou suas ideias para seu romance O Rei de Amarelo.

Cronologia

Al Azif escrito circa 730 D.C. em Damascus por Abdul Alhazred
Tr. para o grego em 950 D.C. como Necronomicon por Theodorus Philetas
Queimado pelo Patriarca Michael 1050 (O texto em grego). Texto árabe agora perdido.
Olaus traduz do gr. para o Latim 1228
1232 ed. em latim (e gr.) proibida pelo Papa Gregório IX
14... Edição impressa em escrita gótica (Alemanha)
15... Edição grega impressa na Itália
16... Re-impressão espanhola do texto em Latim

H.P. Lovecraft (Traduzido pelo meu amigo Vírgula)

Bem fantástico, não acham? Mas e vocês? Já viram o Necronomicon em que obras?

3 comentários:

Miya Seat Lee disse...

Como poderia ter sido traduzido para o grego antes de ter sido escrito?
950 a.C. é anterior a 730 a.C.
:o

Skywalkerpg disse...

Conferi aqui, e é porque é tudo D.C na verdade, mas o Virgula é um tradutor incompetente Ò____Ò! kkkkkkk, valeu. =D

G. H. Carvalho disse...

*Excelente matéria apesar de não conter imagens representativas mas....Afinal, os poderes que o livro confere é papo ou verdade mesmo?*