O PlayStation tem uma biblioteca tão gigantesca que, mesmo depois de décadas fuçando em jogo velho, ainda aparecem umas aberrações que parecem ter sido escondidas atrás de uma estante. Suzuki Bakuhatsu é exatamente esse tipo de coisa. Lançado no Japão para o PS1 em 2000, o jogo da SOL Corporation publicado pela Enix coloca uma jovem chamada Suzuki em uma rotina absolutamente normal para qualquer cidadão japonês da virada do milênio, exceto pelo pequeno detalhe de que praticamente qualquer coisa ao redor dela pode ter uma bomba escondida.
E quando eu digo qualquer coisa, não é força de expressão. Uma laranja pode virar uma emergência nacional. Um aparelho de fita pode esconder uma bomba. Uma arma pode esconder uma bomba. Uma caixa de bentô pode esconder uma bomba, um suquinho gostoso em um lugar ao vivo... Bom, tenta adivinhar o que você pode achar! O jogo vai pegando objetos e situações cada vez mais absurdas e transformando tudo em quebra-cabeças de desmontar explosivos. Em determinado momento, a coisa simplesmente perde qualquer compromisso com a realidade e começa a escalar para situações que envolvem até robôs gigantes e a Lua.
A estrutura é curiosa porque Suzuki Bakuhatsu mistura fotografias, cenas em vídeo e fases em 3D. A história acompanha Suzuki através dessas imagens com aparência de produção japonesa da época, enquanto o jogador assume o controle durante os momentos em que precisa desmontar as bombas. É uma combinação muito específica de tecnologia do começo dos anos 2000, atores reais, cenários cotidianos e uma ideia que parece ter surgido de uma reunião onde ninguém teve coragem de levantar a mão e perguntar se aquilo fazia sentido.
E quando eu digo qualquer coisa, não é força de expressão. Uma laranja pode virar uma emergência nacional. Um aparelho de fita pode esconder uma bomba. Uma arma pode esconder uma bomba. Uma caixa de bentô pode esconder uma bomba, um suquinho gostoso em um lugar ao vivo... Bom, tenta adivinhar o que você pode achar! O jogo vai pegando objetos e situações cada vez mais absurdas e transformando tudo em quebra-cabeças de desmontar explosivos. Em determinado momento, a coisa simplesmente perde qualquer compromisso com a realidade e começa a escalar para situações que envolvem até robôs gigantes e a Lua.
A estrutura é curiosa porque Suzuki Bakuhatsu mistura fotografias, cenas em vídeo e fases em 3D. A história acompanha Suzuki através dessas imagens com aparência de produção japonesa da época, enquanto o jogador assume o controle durante os momentos em que precisa desmontar as bombas. É uma combinação muito específica de tecnologia do começo dos anos 2000, atores reais, cenários cotidianos e uma ideia que parece ter surgido de uma reunião onde ninguém teve coragem de levantar a mão e perguntar se aquilo fazia sentido.
É aí que entra uma parte muito gostosa desse jogo. Suzuki Bakuhatsu consegue passar aquela sensação de Japão da virada do milênio que é difícil de reproduzir artificialmente hoje. Não é uma representação estilizada de samurais, neon cyberpunk ou Tóquio cheia de letreiros gigantes. É uma garota vivendo sua rotina, cercada por objetos comuns, lojas, ruas e situações do cotidiano, tudo registrado com aquelas imagens e vídeos que carregam na cara a tecnologia disponível na época. O resultado tem uma textura muito específica de mundo analógico que simplesmente sumiu.
Para quem gosta de fuçar em jogos antigos, isso tem um charme enorme. Existe uma sensação diferente quando você encontra um jogo de PS1 que parece ter sido arrancado de uma revista japonesa esquecida, de uma locadora em Osaka ou de algum fórum obscuro de videogames onde três pessoas discutiam a existência daquela coisa em 2004. Suzuki Bakuhatsu não precisa fingir que é um tesouro perdido. Ele realmente tem aquela aparência de coisa que ficou dormindo durante décadas enquanto o resto do mundo seguia andando.
E a própria estranheza ajuda bastante. O PlayStation foi uma época em que empresas ainda colocavam dinheiro em ideias completamente malucas. Tinha jogo dos mais variados tipos que era complicado entender como investiram grana pra produzir sem medo de falir e umas coisas que desafiam qualquer tentativa de explicar o gênero sem parecer que você está inventando. Suzuki Bakuhatsu entra confortavelmente nessa categoria de jogos japoneses esquisitos que existiram, venderam suas cópias e depois desapareceram da memória coletiva.
Até o responsável pelo projeto tem uma história curiosa. Suzuki Bakuhatsu foi criado por Kouichi Yotsui, que havia trabalhado como artista na Capcom e mais tarde participou como designer de puzzles em Zero Escape. Ou seja, aquela obsessão por colocar o jogador diante de situações absurdas e obrigá-lo a pensar antes de explodir tudo não surgiu exatamente do nada.
Para quem gosta de fuçar em jogos antigos, isso tem um charme enorme. Existe uma sensação diferente quando você encontra um jogo de PS1 que parece ter sido arrancado de uma revista japonesa esquecida, de uma locadora em Osaka ou de algum fórum obscuro de videogames onde três pessoas discutiam a existência daquela coisa em 2004. Suzuki Bakuhatsu não precisa fingir que é um tesouro perdido. Ele realmente tem aquela aparência de coisa que ficou dormindo durante décadas enquanto o resto do mundo seguia andando.
E a própria estranheza ajuda bastante. O PlayStation foi uma época em que empresas ainda colocavam dinheiro em ideias completamente malucas. Tinha jogo dos mais variados tipos que era complicado entender como investiram grana pra produzir sem medo de falir e umas coisas que desafiam qualquer tentativa de explicar o gênero sem parecer que você está inventando. Suzuki Bakuhatsu entra confortavelmente nessa categoria de jogos japoneses esquisitos que existiram, venderam suas cópias e depois desapareceram da memória coletiva.
Até o responsável pelo projeto tem uma história curiosa. Suzuki Bakuhatsu foi criado por Kouichi Yotsui, que havia trabalhado como artista na Capcom e mais tarde participou como designer de puzzles em Zero Escape. Ou seja, aquela obsessão por colocar o jogador diante de situações absurdas e obrigá-lo a pensar antes de explodir tudo não surgiu exatamente do nada.
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| ©Suzuki Bakuhatsu / Enix |
A mecânica também é bem diferente do que o visual pode sugerir. Os momentos de desmontagem funcionam como quebra-cabeças em 3D, com ferramentas limitadas e tempo para resolver cada situação. O jogador precisa descobrir como desmontar os objetos sem acionar os mecanismos errados, o que transforma coisas completamente banais em pequenas máquinas infernais. Uma caixa de comida deixa de ser almoço e passa a ser um problema técnico que pode acabar em explosão. Vida cotidiana japonesa, só que com risco ocupacional absurdo.
Durante muito tempo, porém, esse era o tipo de jogo que ficava praticamente fechado para quem não entendia japonês. Suzuki Bakuhatsu nunca recebeu lançamento oficial fora do Japão, então acabou virando uma daquelas curiosidades conhecidas por colecionadores, fãs de PS1 e gente que tem prazer em vasculhar o lado mais estranho da história dos videogames. A situação mudou com a tradução de fãs para inglês feita pela equipe dothacktranslate, que traduz os menus e textos e também adiciona legendas aos diálogos e às cenas.
E isso combina perfeitamente com a própria história do jogo. Não porque Suzuki Bakuhatsu tenha virado gratuito ou deixado de ser um jogo comercial, mas porque existe uma diferença enorme entre descobrir uma produção famosa em qualquer catálogo moderno e encontrar uma maluquice japonesa de PS1 que passou décadas praticamente escondida. A tradução em inglês abre a porta para uma quantidade muito maior de gente experimentar esse pedaço estranho da biblioteca do console, especialmente quem gosta de testar aquelas velharias que parecem ter sido pescadas diretamente de um canto esquecido da internet.
Bom, Suzuki Bakuhatsu tem esse charme de relíquia analógica que não depende apenas de nostalgia por videogame antigo. As fotografias, os vídeos, a interface, o Japão cotidiano da época e a ideia completamente absurda de uma mulher tentando sobreviver a uma sequência interminável de bombas formam uma combinação que dificilmente seria produzida da mesma maneira hoje. É estranho, antigo, japonês, experimental e tem aquele gostinho maravilhoso de jogo que você poderia passar anos sem saber que existia. E agora, pelo menos em inglês, ficou bem mais fácil abrir essa gaveta enferrujada da biblioteca do PS1 e descobrir o que diabos os caras da Enix estavam fazendo ali.
Durante muito tempo, porém, esse era o tipo de jogo que ficava praticamente fechado para quem não entendia japonês. Suzuki Bakuhatsu nunca recebeu lançamento oficial fora do Japão, então acabou virando uma daquelas curiosidades conhecidas por colecionadores, fãs de PS1 e gente que tem prazer em vasculhar o lado mais estranho da história dos videogames. A situação mudou com a tradução de fãs para inglês feita pela equipe dothacktranslate, que traduz os menus e textos e também adiciona legendas aos diálogos e às cenas.
E isso combina perfeitamente com a própria história do jogo. Não porque Suzuki Bakuhatsu tenha virado gratuito ou deixado de ser um jogo comercial, mas porque existe uma diferença enorme entre descobrir uma produção famosa em qualquer catálogo moderno e encontrar uma maluquice japonesa de PS1 que passou décadas praticamente escondida. A tradução em inglês abre a porta para uma quantidade muito maior de gente experimentar esse pedaço estranho da biblioteca do console, especialmente quem gosta de testar aquelas velharias que parecem ter sido pescadas diretamente de um canto esquecido da internet.
Bom, Suzuki Bakuhatsu tem esse charme de relíquia analógica que não depende apenas de nostalgia por videogame antigo. As fotografias, os vídeos, a interface, o Japão cotidiano da época e a ideia completamente absurda de uma mulher tentando sobreviver a uma sequência interminável de bombas formam uma combinação que dificilmente seria produzida da mesma maneira hoje. É estranho, antigo, japonês, experimental e tem aquele gostinho maravilhoso de jogo que você poderia passar anos sem saber que existia. E agora, pelo menos em inglês, ficou bem mais fácil abrir essa gaveta enferrujada da biblioteca do PS1 e descobrir o que diabos os caras da Enix estavam fazendo ali.
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