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Dante's Inferno | Port pra PC do jogo exclusivo de Xbox 360 e PS3 tem elementos únicos!

Dante's Inferno / Visceral Games / 2010
 
Dante's Inferno é aquele tipo de jogo que parece ter sido criado depois que alguém tomou três energéticos, abriu a Divina Comédia (Obra medieval que inspirou o jogo) e decidiu que faltava nela uma quantidade criminosa de pancadaria. Lançado pela Electronic Arts para Xbox 360, PSP e PlayStation 3! E apesar o investimento pesado na franquia, na época, como o filme em anime de Dante's Inferno, o jogo nunca recebeu uma versão oficial para PC. É aí que entra Hell's Gate Recomp, um projeto que trabalha para levar a aventura de Dante ao computador por meio de recompilação estática.

A ideia aqui é diferente de simplesmente rodar o jogo em um emulador. O projeto usa o ReXGlue para transformar o executável PowerPC do Xbox 360 em código C++ que pode rodar de forma nativa no PC. Em outras palavras, assim como o GBA-Recomp faz com o Game Boy Advance, em vez de colocar o Xbox 360 dentro do computador e mandar ele trabalhar como um condenado no oitavo círculo do Inferno, o projeto tenta adaptar o próprio código do jogo para funcionar diretamente no Windows.

Isso é particularmente interessante porque Dante's Inferno combina muito com uma versão de PC. O jogo é um hack and slash bem cinematográfico, cheio de monstros, chefes gigantes, cenários infernais e aquela história baseada na obra de Dante Alighieri que pegou a literatura clássica e jogou tudo numa máquina de moer demônios. Só faltava mesmo poder instalar no PC e sair descendo o cacete em criaturas sobrenaturais com mouse, teclado ou controle.

👿A Divina Comédia | Trilogia que originou o Inferno de Dante
 
O Hell's Gate Recomp trabalha especificamente com a versão de Xbox 360. Para utilizar o projeto, é necessário fornecer os arquivos do próprio jogo, extraídos de uma ISO original, já que o repositório não distribui os arquivos protegidos por direitos autorais. O executável principal precisa estar presente junto dos demais dados do jogo para que a recompilação consiga fazer seu trabalho.
Dante's Inferno / Visceral Games / 2010

Como o projeto ainda está em fase inicial, não dá para tratar isso como se fosse um port oficial pronto, polido e abençoado pelo próprio São Pedro. Existem limitações e bugs, embora a base já consiga iniciar e executar o jogo. O trabalho também já passou por problemas relacionados às instruções VMX do processador PowerPC e por questões com os vídeos das cutscenes, mostrando bem o tamanho da encrenca técnica envolvida.

A parte gráfica também começou a ganhar recursos próprios de PC. O projeto possui suporte a escala de resolução, permitindo trabalhar acima da resolução original de 720p do Xbox 360, chegando a opções equivalentes a 1440p e 4K. Também há configurações para anti-aliasing, filtragem de texturas, tela cheia e outras opções acessíveis pelo launcher.

Controle também não foi esquecido. O projeto utiliza suporte baseado em SDL e permite jogar com controles modernos, incluindo modelos Xbox e controles da linha PlayStation. Os ícones exibidos dentro do jogo ainda podem usar os símbolos do Xbox 360, mas a estrutura já considera a identificação do dispositivo para trabalhar com diferentes famílias de controles.

Para quem sempre olhou para Dante's Inferno no PC com aquela cara de "Electronic Arts, pelo amor de Deus, custa?", o Hell's Gate Recomp é uma iniciativa especialmente interessante. Ainda é um projeto em desenvolvimento e exige os arquivos do jogo original, mas já representa um caminho concreto para transformar a versão de Xbox 360 em uma experiência nativa para computadores. E considerando que estamos falando de um sujeito atravessando os círculos do Inferno na base da foice, talvez não exista nome mais apropriado para esse projeto.

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 Sobre Dante's Inferno
Dante’s Inferno certamente surgiu s com uma pergunta muito simples na cabeça: “E se a gente pegasse o Inferno da Divina Comédia e colocasse porrada em absolutamente tudo?”. Desenvolvido pela Visceral Games e publicado pela Electronic Arts, o jogo transforma a obra de Dante Alighieri em um hack and slash cheio de demônios, monstros, sangue e batalhas gigantescas.

A inspiração vem de A Divina Comédia, poema escrito por Dante Alighieri entre os séculos XIII e XIV. Só que a adaptação para videogame toma várias liberdades. O Dante do jogo não é o poeta que percorre o Inferno acompanhado por Virgílio. Aqui ele é um cavaleiro ligado às Cruzadas, armado com uma foice enorme e disposto a atravessar o inferno inteiro para recuperar a alma de Beatrice.

A história começa quando Dante retorna para casa e encontra Beatrice morta. A alma dela é levada para o Inferno, e o protagonista decide simplesmente ir atrás. É aí que começa a descida pelos nove círculos do Inferno, passando por lugares ligados à luxúria, gula, ganância, ira, heresia, violência, fraude e traição. Cada região tem seu próprio visual, criaturas e desafios.

E é justamente aí que Dante’s Inferno consegue chamar atenção. O jogo pega conceitos que normalmente aparecem em textos religiosos e literatura medieval e transforma tudo em cenários de videogame extremamente exagerados. O Inferno vira um enorme parque de horrores, cheio de demônios, almas condenadas, criaturas grotescas, rios de sangue e construções gigantescas.

No combate, a influência de God of War é impossível de ignorar. Dante possui ataques rápidos, combos, esquivas, execuções e poderes mágicos, além da famosa foice da Morte. O sistema foi pensado para ser rápido e responder imediatamente aos comandos, algo que a própria equipe da Visceral Games colocava como uma das prioridades durante o desenvolvimento.

A foice é apenas uma parte do arsenal. Dante também utiliza uma cruz sagrada, que funciona de maneira bem diferente da arma principal. Enquanto a foice permite ataques físicos brutais, a cruz dispara ataques à distância e ajuda a controlar grupos de inimigos. O jogador ainda pode desenvolver novas habilidades e poderes ao longo da aventura.

Outro elemento interessante é o sistema ligado aos pecados e às almas. O jogo coloca o jogador diante de escolhas relacionadas a condenar ou absolver personagens encontrados durante a jornada. Isso conversa diretamente com a ideia de pecado e punição presente na obra original, embora Dante’s Inferno transforme tudo em uma mecânica de videogame bem mais direta.

A produção começou em 2007, quando a Visceral Games começou a trabalhar na adaptação do poema e na ideia de fazer o jogador atravessar os nove círculos do Inferno. O estúdio já era conhecido por Dead Space, e utilizou seu próprio motor gráfico interno, o mesmo usado na criação daquele jogo.

Dante’s Inferno chegou aos consoles em 2010 para PlayStation 3, Xbox 360 e PSP. A versão de PlayStation 3 ainda recebeu a chamada Divine Edition, que incluía extras como comentários dos desenvolvedores, livro digital de arte, trilha sonora e uma versão digital do texto de Inferno.

A campanha é completamente focada nessa descida pelo Inferno e funciona quase como uma viagem por diferentes mundos. Limbo é bem diferente de Luxúria, que por sua vez não se parece com Gula ou Violência. Essa mudança constante ajuda a aventura a não ficar visualmente presa em um único tipo de cenário, mesmo com todo o jogo acontecendo dentro do mesmo grande conceito.

O projeto também ganhou materiais fora do jogo. A Electronic Arts trabalhou com a DC Comics e a WildStorm em uma minissérie em quadrinhos, enquanto uma animação chamada Dante’s Inferno: An Animated Epic expandiu a história para outro formato. A ideia era transformar aquela versão do Inferno em algo maior do que apenas um videogame.

Talvez a maior curiosidade seja justamente a diferença entre o Dante do jogo e o Dante de Alighieri. Na obra literária, Dante é um viajante que observa e aprende durante sua jornada pelo mundo dos mortos. No videogame, ele é praticamente uma máquina de guerra medieval. Em vez de passar pelo Inferno apenas conversando com almas condenadas, ele atravessa hordas de criaturas usando uma foice enquanto enfrenta chefes gigantescos.

Por isso, Dante’s Inferno acabou ficando conhecido como uma alternativa para quem gostava de hack and slash no estilo de God of War, Devil May Cry e outros jogos de ação daquela época. A comparação era tão evidente que a própria equipe da Visceral falava abertamente sobre a importância de criar um sistema de combate rápido e responsivo.

Mesmo sendo uma adaptação bastante livre de A Divina Comédia, o jogo conseguiu transformar uma obra literária com centenas de anos em uma aventura de ação cheia de criaturas infernais, chefes enormes, violência e cenários que parecem ter saído de uma pintura medieval depois de receber uma dose absurda de videogame. Dante’s Inferno é, no fim das contas, uma versão muito mais brutal e exagerada do Inferno de Dante, feita para quem prefere resolver seus problemas com uma foice gigante.